Bitcoin fica atrás do ouro após CPI dos Estados Unidos
O Bitcoin e o ouro reagiram de formas distintas à divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos. O CPI subiu 0,1% em julho. Na reação aos dados, o ouro avançou cerca de 1,5%, enquanto o Bitcoin permaneceu praticamente estável.
O contraste sugere que investidores ainda atribuem funções diferentes aos dois instrumentos. Nesse cenário, o ouro preserva sua imagem de proteção. Já o Bitcoin continua mais associado ao risco e às condições de liquidez.
Ouro supera Bitcoin na reação aos dados de inflação
Peter Schiff, conhecido crítico do Bitcoin, destacou a diferença de desempenho em uma publicação no X. Segundo ele, ouro e Bitcoin pertencem a classes muito diferentes. Para sustentar sua avaliação, Schiff comparou a valorização do metal com a reação neutra do BTC.
O Bureau of Labor Statistics informou alta mensal de 0,1% no índice de preços ao consumidor em julho. Por sua vez, o núcleo do CPI avançou cerca de 0,2%. O relatório também apontou inflação de 3,4% e inflação subjacente de 2,5%.
Para Schiff, o comportamento dos preços reforça a reputação do ouro como proteção contra inflação e incerteza econômica. Em contrapartida, o Bitcoin permanece mais sensível à liquidez, ao apetite por risco e aos fluxos do mercado de criptomoedas.
BTC permanece sob pressão no mercado
No momento da publicação, o BTC era negociado a US$ 63.507, com queda diária de 0,6%. Apesar disso, o Bitcoin acumulava valorização de 1% no mês. Nos sete dias anteriores, porém, registrava recuo de quase 2%.
Enquanto isso, o ouro era negociado a US$ 4.421, após subir quase 1% no dia. O movimento diário considerava o preço disponível no momento da publicação. Já a reação inicial aos dados de inflação chegou a aproximadamente 1,5%.
No intervalo de um mês, o metal acumulava valorização próxima de 7%. Assim, seu desempenho superava o avanço mensal do Bitcoin e destacava a diferença entre as respostas dos dois mercados.
Uma inflação mais branda costuma sustentar expectativas de cortes nos juros pelo Federal Reserve. Taxas menores podem favorecer a demanda por Bitcoin ao ampliar a liquidez e o apetite por risco. Contudo, a reação observada após o CPI teve influência limitada sobre a cotação do BTC.
Analistas do setor de criptomoedas consideram que juros menores podem beneficiar o Bitcoin. Schiff, por outro lado, mantém sua preferência pelo ouro e o considera uma alternativa mais forte para investidores.
Peter Schiff volta a chamar Bitcoin de antiouro
Os comentários ocorreram depois que Schiff classificou o BTC como “antiouro”. Em outra publicação, ele afirmou que o Bitcoin passou a se comportar como o oposto do metal precioso.
“O Bitcoin finalmente é o ativo não correlacionado que vocês esperavam que fosse. Mesmo quando ativos ligados ao apetite e à aversão ao risco sobem, o Bitcoin cai.”
Peter Schiff, no X.
Schiff também comparou o desempenho recente do ouro, da prata e do BTC. Conforme sua avaliação, os metais mantiveram o impulso diante das tensões geopolíticas e dos temores relacionados à inflação. O Bitcoin, entretanto, enfrentou dificuldades no mesmo período.
Desempenho anual amplia a diferença
No acumulado de um ano, o ouro apresentava valorização superior a 30%. Ao mesmo tempo, o Bitcoin permanecia em território negativo e acumulava queda superior a 50% desde sua máxima histórica de US$ 126 mil.
Esses números reforçaram o argumento de Schiff sobre as funções distintas dos dois instrumentos. Ainda assim, a comparação representa a visão do crítico e considera um recorte específico de mercado.
A reação ao CPI mostrou que ouro e Bitcoin podem responder de maneira diferente ao mesmo indicador macroeconômico. Enquanto o metal ganhou força, o BTC permaneceu pressionado por fatores ligados à liquidez, ao risco e aos fluxos próprios do setor.