Bitcoin forma piso macro entre US$60 mil e US$70 mil

O Bitcoin vem consolidando um piso macro entre US$60 mil e US$70 mil, segundo o CEO da VanEck, Jan van Eck. O executivo afirmou à CNBC que o mercado passou por um ponto estrutural de reversão após o tombo de 2022 e a estabilização em 2023. Assim, a região atual não reflete distribuição, mas acumulação institucional.

O CEO destacou que o suporte em US$60 mil se tornou um patamar decisivo no ciclo. Parte do mercado enxerga a dificuldade de romper os US$73 mil como sinal de fraqueza; no entanto, van Eck reforçou que o comportamento dos grandes investidores indica força. Além disso, ele explicou que o ativo já opera com dinâmica parecida com a do ouro, o que reflete maturidade crescente e afastamento do padrão típico de ativos de risco.

O aumento contínuo do capital movimentado pelos ETFs à vista acelera essa mudança. Segundo o executivo, a demanda desses produtos tem papel fundamental na sustentação do preço. Dados da CryptoQuant reforçam essa visão, mostrando que detentores de longo prazo mantêm seus saldos estáveis na faixa dos US$60 mil, o que indica ausência de pressão vendedora entre grandes alocadores.

Gráfico Bitcoin
Fonte: TradingView

Além disso, o Índice de Medo e Ganância voltou a níveis vistos apenas duas vezes ao longo da história. Esses pontos serviram como gatilhos de reversões maiores em ciclos anteriores, o que reforça a tese apresentada pela VanEck.

Mudanças no tradicional ciclo pós-halving

O clássico ciclo de quatro anos do Bitcoin sofreu alterações importantes. Em 2024, o ativo atingiu um novo recorde histórico antes do halving, rompendo o padrão observado desde 2012. Especialistas atribuem essa mudança ao choque contínuo de demanda dos ETFs, que passou a competir com a antiga lógica baseada apenas na oferta reduzida dos mineradores.

Relatórios da VanEck mostram que a discrepância entre oferta e demanda alcançou níveis inéditos. A produção diária dos mineradores pode ser superada em até dez vezes pelos fluxos positivos dos ETFs. Portanto, a pressão compradora dessas instituições tem compensado a queda na receita dos mineradores, que historicamente geraria correções mais profundas de preço.

Em ciclos anteriores, um recuo no hashrate e no lucro dos mineradores levaria o preço para a região dos US$40 mil. No entanto, a demanda institucional criou uma espécie de amortecimento. Assim, o ciclo não desapareceu, mas se alongou. O mercado aguarda o momento em que a redução de oferta pós-halving começará a se refletir nas reservas das exchanges.

Pressão dos mineradores e força dos ETFs

A disputa entre mineradores e ETFs continua moldando o comportamento do mercado. Mineradores enfrentam margens menores, o que os força a vender parte de seus estoques para manter operações. Esse movimento costuma prolongar períodos de baixa; no entanto, os ETFs seguem acumulando Bitcoin apesar de volatilidade e quedas de curto prazo.

Produtos como IBIT, da BlackRock, e FBTC, da Fidelity, registram entradas líquidas consistentes. Enquanto investidores de varejo reduzem posições em momentos de incerteza, esses fundos absorvem bilhões em compras. Além disso, essa diferença de postura limita recuos fortes e reforça a leitura de que o piso em US$60 mil é estrutural.

Essa dinâmica confirma a tese de fundo macro de van Eck. Assim, a combinação entre pressão vendedora dos mineradores e demanda institucional tende a sustentar o mercado no curto prazo, com oscilações intensas enquanto o equilíbrio entre oferta e demanda se ajusta.