Bitcoin ganha atenção militar dos EUA, diz Paparo
O Bitcoin passou a ocupar espaço relevante no debate sobre segurança nacional dos Estados Unidos. Durante uma audiência no Senado, o almirante Samuel Paparo, comandante do Comando Indo-Pacífico dos EUA, afirmou que o ativo apresenta “potencial incrível” como ferramenta com aplicações em cibersegurança e estratégia militar.
A discussão surgiu quando o senador Tommy Tuberville abordou a rivalidade entre Estados Unidos e China. Segundo ele, a disputa não ocorre apenas no campo militar, mas também no monetário. Além disso, o senador citou estudos ligados ao Partido Comunista Chinês que analisam o Bitcoin como ativo estratégico. Ao mesmo tempo, conectou esse cenário à proposta do ex-presidente Donald Trump de criar uma reserva estratégica baseada no ativo.
Aplicações vão além do sistema financeiro
Em resposta, Paparo apresentou uma visão técnica. Segundo o almirante, o interesse das Forças Armadas não se limita ao valor de mercado. Pelo contrário, concentra-se na arquitetura do protocolo e em suas propriedades tecnológicas.
“Nossa pesquisa sobre Bitcoin é como uma ferramenta de ciência da computação. É a combinação de cripto, blockchain e prova de trabalho. E o Bitcoin mostra um potencial incrível como ferramenta que, por meio desses protocolos, impõe custos reais além da simples proteção algorítmica de redes”, afirmou.
Assim, a análise militar posiciona o Bitcoin como tecnologia estratégica. Além disso, essa abordagem sugere aplicações em áreas críticas, como segurança digital e proteção de infraestruturas sensíveis. Ao mesmo tempo, Paparo indicou que o modelo de prova de trabalho pode oferecer vantagens em cenários de dissuasão.
“O Bitcoin é uma realidade. É uma ferramenta valiosa de ciência da computação com capacidade de projeção de poder. Fora da dimensão econômica, possui aplicações realmente importantes para a cibersegurança”, acrescentou.
Apesar disso, o almirante evitou detalhar medidas concretas em sessão pública. Ainda assim, reforçou que tecnologias capazes de ampliar instrumentos de poder nacional tendem a ser tratadas como estratégicas.
“O Bitcoin é uma realidade. É uma transferência de valor ponto a ponto baseada em confiança zero. Tudo que fortalece os instrumentos de poder nacional dos Estados Unidos é positivo”, disse.
Leitura institucional do tema ganha força
As declarações repercutiram entre especialistas e instituições do setor. O Bitcoin Policy Institute (BPI), por exemplo, classificou o momento como relevante, ao apontar um reconhecimento explícito do ativo no contexto estratégico global.
Além disso, analistas destacaram o peso institucional das falas. Isso ocorre porque o Comando Indo-Pacífico representa o maior comando geográfico das Forças Armadas dos EUA. Dessa forma, sinalizações vindas dessa estrutura tendem a influenciar debates mais amplos dentro do governo.
Ao mesmo tempo, estudos acadêmicos e estratégicos já vinham explorando o papel do Bitcoin sob a ótica de defesa. Em especial, o modelo de prova de trabalho tem sido analisado como mecanismo de segurança com possíveis implicações geopolíticas. Em outras palavras, pode atuar como elemento de dissuasão digital.
Interesse cresce, mas políticas ainda não foram definidas
Embora o interesse institucional esteja em expansão, ainda não há confirmação pública sobre a adoção direta dessas ideias em políticas militares. No entanto, o tema avança de forma consistente em discussões oficiais. Assim, observa-se uma mudança gradual na percepção do Bitcoin dentro do governo dos EUA.
Além disso, o cenário internacional pressiona por respostas estratégicas. Como resultado, tecnologias descentralizadas passam a ser avaliadas não apenas como ativos financeiros, mas também como componentes de infraestrutura crítica.
No momento da divulgação, o Bitcoin era negociado próximo de US$ 77.926, reforçando sua relevância tanto no mercado quanto nos debates estratégicos globais.

Em conclusão, as falas de Paparo indicam que o Bitcoin ultrapassou o campo financeiro e passou a ser analisado como tecnologia estratégica. Nesse sentido, sua relevância tende a crescer tanto no mercado quanto no cenário geopolítico.