Bitcoin ganha fôlego com queda dos Treasuries

Bitcoin ganhou fôlego nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, enquanto os rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos recuaram após a decisão de juros do Federal Reserve. O alívio reduziu parte da pressão sobre ativos de risco, embora o custo do dinheiro continue elevado para ações, tecnologia e criptomoedas.

O ponto de partida da pauta foi uma publicação do perfil @BullTheoryio, conta de análise de mercado no X. O perfil afirmou que os rendimentos dos títulos do Tesouro americano caíam depois da alta de juros do Fed, com o Treasury de 10 anos a 4,94% e o de 20 anos a 5,337%. Segundo a publicação, o mercado de bônus passou a precificar inflação mais baixa após o banco central reforçar o compromisso com o controle dos preços.

Juros longos dão alívio tático

A leitura do X encontra suporte parcial em dados oficiais e relatos de mercado. O Federal Reserve informou em 16 de setembro que direcionou as operações para manter os Fed funds na faixa de 3,75% a 4%. Além disso, aprovou aumento de 0,25 ponto percentual na taxa primária de crédito, para 4%.

Já a curva oficial do Tesouro dos EUA mostrou, no fechamento de 16 de setembro, o rendimento de 10 anos em 5,01% e o de 20 anos em 5,39%. Portanto, os números citados no X indicam queda em relação ao fechamento oficial anterior, especialmente no trecho longo da curva.

A Associated Press também relatou nesta quinta-feira que o rendimento do Treasury de 10 anos caiu para 4,95%, ante 5,01% no fim da sessão anterior. Segundo a agência, a queda do petróleo e o alívio no mercado de bônus ajudaram Wall Street a recuperar parte das perdas vistas após a decisão do Fed.

Por que isso importa para o Bitcoin

Os Treasuries viraram uma variável central para o mercado cripto. Quando os rendimentos sobem, títulos públicos considerados seguros oferecem retorno maior. Assim, investidores tendem a exigir prêmio mais elevado para manter posições em ativos voláteis, como Bitcoin, Ether e ações de crescimento.

Por outro lado, quando os juros longos recuam, a pressão relativa diminui. Ainda assim, esse movimento não confirma uma mudança automática de tendência para o Bitcoin. O Fed acabou de elevar juros e manteve o foco no combate à inflação. Dessa forma, o mercado cripto segue dependente de dados de inflação, petróleo, liquidez global e expectativas para as próximas reuniões do banco central americano.

A leitura do dia, portanto, parece mais tática do que estrutural. A queda dos rendimentos trouxe alívio para ativos de risco, mas a taxa básica dos Estados Unidos permanece em nível restritivo. Além disso, a comunicação do Fed reforçou que a inflação segue como prioridade.

Mercado observa Kevin Warsh

A Axios informou que a decisão marcou o primeiro ajuste de juros da gestão de Kevin Warsh no comando do Fed. O veículo também destacou que o banco central indicou a possibilidade de nova alta ainda em 2026, caso a inflação não ceda no ritmo desejado.

Esse ponto limita o entusiasmo de curto prazo. Embora a queda dos Treasuries reduza o estresse imediato, o Bitcoin ainda negocia em um ambiente de juros reais elevados. Por isso, movimentos de recuperação podem conviver com volatilidade forte, principalmente em dias de divulgação de indicadores macroeconômicos.

Para investidores em criptomoedas, o ponto relevante é a direção da curva de juros. Se os rendimentos continuarem cedendo por percepção de inflação menor, o mercado pode interpretar o cenário como menos adverso para ativos digitais. Porém, se a queda vier de medo de desaceleração econômica, o efeito pode mudar e aumentar a busca por liquidez.

Até agora, a informação confirmada é que o Fed levou a faixa dos Fed funds para 3,75% a 4%, os rendimentos longos recuaram em relação ao fechamento anterior e o mercado reavaliou o impacto da política monetária sobre ativos de risco. Nesse contexto, o Bitcoin reage mais ao alívio nos Treasuries do que a uma virada definitiva no cenário de juros.
 

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