Bitcoin: Genius Group mira tesouro de US$ 827 milhões

O Bitcoin integra o plano de cinco anos da Genius Group, que pretende formar um tesouro de US$ 827 milhões até o ano fiscal de 2031. Além disso, a empresa quer construir um portfólio de inteligência artificial de US$ 800 milhões, dentro de uma meta de US$ 2 bilhões em ativos totais.

Para financiar a estratégia, a companhia planeja emitir ações preferenciais perpétuas por meio de ofertas públicas registradas. A primeira operação buscaria captar US$ 12,5 milhões com investidores interessados em renda. Os recursos abastecerão os tesouros de Bitcoin e IA, além de uma reserva em dólar equivalente a cerca de 18 meses de dividendos preferenciais.

Genius Group prepara estrutura de financiamento

A Genius Group informou, em 27 de agosto, que usará seu registro de prateleira de US$ 1,2 bilhão para emitir os papéis. A Securities and Exchange Commission tornou o registro efetivo em 18 de julho de 2025. Contudo, o procedimento apenas permite ofertas ao longo do tempo e não representa aprovação da SEC sobre os títulos ou seus méritos de investimento.

Na proposta preliminar, os instrumentos não serão conversíveis e pagarão dividendos mensais com taxa variável. A empresa ainda não informou quanto dos recursos iniciais seguirá para cada tesouro. Também permanecem indefinidos o preço, a taxa de dividendo, o tamanho da oferta, a possível listagem e a data da venda.

A companhia iniciou conversas com bancos de investimento experientes em ações preferenciais e financiamento de tesourarias digitais. Ainda assim, cada oferta exigirá documentos próprios perante a SEC. A estrutura dependerá da aprovação do conselho, das leis de valores mobiliários, das exigências regulatórias e das condições de mercado.

Em julho, os acionistas concederam parte das autorizações corporativas necessárias durante a assembleia anual. Cerca de 97,58% dos votos apoiaram a autorização para o conselho emitir ações preferenciais. Já 99,54% aprovaram a possibilidade de recomprar até 20% das ações ordinárias.

Plano prevê US$ 2 bilhões em ativos totais

A meta de US$ 2 bilhões não ficará restrita ao Bitcoin e à inteligência artificial. Negócios operacionais, caixa e outros ativos representarão o restante do plano. Atualmente, a Genius Group reporta ativos líquidos de US$ 106,6 milhões, após anunciar crescimento anual de 57% em 13 de agosto.

A empresa calculou seu valor patrimonial líquido em US$ 0,62 por ação ordinária. Como a GNS fechou a US$ 0,18 em 26 de agosto, a administração apontou uma negociação equivalente a 0,29 vez o valor patrimonial. Em comparação, a companhia citou uma média de 2,60 vezes para o setor educacional dos Estados Unidos.

A administração estima que o valor patrimonial líquido possa alcançar entre US$ 2 e US$ 4 por ação em cinco anos. Porém, a projeção depende dos planos de financiamento, das compras de ativos e das recompras de ações. O desempenho do Bitcoin, dos investimentos em IA e dos mercados também influenciará o resultado.

O diretor-executivo Roger James Hamilton classificou o capital preferencial perpétuo como uma forma de financiar os tesouros sem emitir novas ações ordinárias. Segundo Hamilton, a estratégia poderá beneficiar os acionistas comuns se os investimentos superarem o custo dos dividendos.

“Cada dólar de capital preferencial aplicado em nosso tesouro de Bitcoin e IA que gere retornos acima da taxa de dividendo preferencial flui diretamente para o valor patrimonial líquido de nossos acionistas ordinários.”

Retornos superiores ao custo dos dividendos podem ampliar os ativos atribuíveis aos investidores ordinários. Em contrapartida, as obrigações preferenciais manterão prioridade caso os investimentos percam valor ou rendam abaixo da taxa de dividendo. A Genius Group apontou a volatilidade do Bitcoin, as avaliações de empresas privadas, os custos de financiamento e a disponibilidade de capital como riscos.

Strategy inspira modelo de ações preferenciais

A Genius Group adotou o programa de financiamento de Bitcoin da Strategy como principal referência para a proposta. Conforme a empresa, a Strategy captou mais de US$ 16 bilhões com quatro séries de ações preferenciais perpétuas desde o lançamento da STRK, em janeiro de 2025.

Esses papéis não possuem vencimento fixo nem exigem reembolso em uma data determinada. Entretanto, os dividendos e direitos prioritários geram custos que os ativos do tesouro precisam cobrir. Somente depois disso, os retornos excedentes alcançam os acionistas ordinários.

Em maio, a STRC da Strategy registrou US$ 1,53 bilhão em volume diário de negociação. O desempenho chamou atenção para o uso de ações com dividendos no financiamento de reservas corporativas de Bitcoin. Mesmo assim, os preços de mercado podem se afastar dos valores de emissão ou liquidação.

A STRC atingiu mínima intradiária de US$ 82,50 em 18 de junho e fechou perto de US$ 88,59. O preço ficou abaixo do patamar próximo de US$ 100 para o qual o papel recebeu sua estrutura. Posteriormente, a Strategy vendeu 1.690 BTC por US$ 108,6 milhões entre 3 e 9 de agosto para recomprar cerca de 1,15 milhão de ações STRC.

Na semana seguinte, a companhia gastou US$ 132,2 milhões em recompras adicionais de STRC e US$ 52,4 milhões em dividendos relacionados. A empresa também destinou US$ 149,1 milhões à reserva em dólar, elevando esse caixa para US$ 4,8 bilhões.

Para os investidores dos Estados Unidos, o prospecto final da Genius Group definirá as condições da oferta. Entre elas estão taxa de dividendo, preferência de liquidação, regras de resgate, acesso à bolsa e possível tratamento tributário.

Compras de Bitcoin devem voltar no quarto trimestre

Antes de criar o plano de dois tesouros, a Genius Group mantinha uma política centrada no Bitcoin. A companhia pretendia preservar pelo menos 90% das reservas em BTC. Ela adotou essa diretriz em novembro de 2024 e planejou um programa inicial de compras de US$ 120 milhões.

Em janeiro de 2025, a empresa detinha 420 BTC após comprar outros US$ 5 milhões a um preço médio de US$ 95.912 por unidade. Mais tarde, as reservas alcançaram o pico de 440 BTC. Uma ordem judicial nos Estados Unidos, contudo, interrompeu o programa no início de 2025.

A medida impediu a Genius Group de vender ações, captar recursos ou comprar Bitcoin durante uma disputa ligada ao acordo de aquisição de ativos com a Fatbrain AI. Enquanto buscava encerrar as restrições, a companhia reduziu suas reservas. Após a suspensão da ordem, retomou as compras em junho de 2025 e elevou o saldo para 100 BTC.

A administração também restaurou a meta de acumular 1.000 BTC. No entanto, necessidades de liquidez provocaram outra mudança. A Genius Group vendeu todo o Bitcoin restante no primeiro trimestre de 2026 como parte do pagamento de US$ 8,5 milhões em dívidas.

Antes da venda final, a empresa informou possuir 84 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 5,7 milhões em março. Em uma atualização operacional de 1º de abril, declarou que reconstruiria o tesouro quando a administração considerasse as condições mais favoráveis. Agora, as compras devem recomeçar no quarto trimestre de 2026, sem valor ou preço definidos para a primeira aquisição.

Portfólio de inteligência artificial começou em maio

O conselho autorizou o segundo tesouro em maio de 2026, com um plano inicial de até US$ 100 milhões em inteligência artificial. Em junho, a Genius Group realizou sua primeira alocação por meio de fundos expostos a empresas privadas. O grupo inclui OpenAI, Anthropic, Anduril e Databricks.

A SpaceX concentrava a maior participação indireta do portfólio de IA, com 13,5%, de acordo com a companhia. O portfólio também oferecia exposição a xAI, Figure AI, Replit e outras empresas ligadas a modelos de IA, robótica e infraestrutura. Dessa forma, a estratégia combina a retomada das compras de Bitcoin com a expansão gradual dos investimentos em inteligência artificial.