Bitcoin: histórico de bear market pressiona maio

Após um início de ano negativo, o Bitcoin recuperou parte do fôlego nos últimos dois meses. Em março e abril, a principal criptomoeda fechou no positivo. Além disso, abril registrou valorização de dois dígitos, o que reforça sinais de estabilização no curto prazo.

No entanto, apesar da recuperação recente, dados históricos indicam que maio pode representar um teste relevante para o ativo. Isso porque, durante ciclos de baixa, o Bitcoin nunca sustentou três meses consecutivos de ganhos. Assim, cresce a incerteza sobre a continuidade da tendência observada em 2026.

Padrão histórico limita sequência de altas

Em 2 de maio, o analista Crypto Rover destacou um comportamento recorrente do Bitcoin em publicação na rede X. Segundo ele, a criptomoeda jamais encerrou três meses seguidos em alta durante períodos de bear market.

O levantamento considera dados dos últimos 13 anos, com foco nos ciclos de baixa de 2014, 2018 e 2022. Nesses períodos, o desempenho anual foi limitado, com no máximo quatro meses positivos. Ainda assim, o melhor resultado ocorreu em maio de 2014, quando o ativo avançou 39,46%.

Por outro lado, maio tende a ser um mês relativamente favorável. Nos últimos 12 anos, sete meses de maio terminaram em alta. Além disso, os dois anos mais recentes também registraram ganhos no período. Contudo, o Bitcoin nunca conseguiu manter três meses consecutivos de valorização dentro de ciclos de baixa.

Preço do Bitcoin

Fonte: Crypto Rover no X

Atualmente, o Bitcoin ainda é inserido em um contexto de mercado de baixa iniciado no fim do ano passado. Ainda assim, o ativo apresentou recuperação recente. Em março, avançou cerca de 2%. Em abril, subiu aproximadamente 12%. Além disso, no início de maio, acumula alta próxima de 3%.

Portanto, caso consiga fechar maio no positivo, o ativo poderá romper um padrão histórico relevante. Nesse cenário, registraria três meses consecutivos de valorização em um bear market, algo inédito até o momento.

Entretanto, os dados sugerem cautela. Informações on-chain indicam que a recente alta pode estar sendo impulsionada principalmente pelo mercado futuro. Ou seja, não há predominância de demanda no mercado à vista. Como resultado, esse fator levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do movimento, já que altas baseadas em derivativos tendem a apresentar maior volatilidade.

Recuperação recente não elimina incertezas

No momento da redação, o Bitcoin é negociado próximo de US$ 78.367, com pouca variação nas últimas 24 horas. Além disso, no recorte semanal, acumula leve alta de cerca de 1%, o que indica estabilidade no curto prazo.

Por outro lado, em um horizonte mais amplo, o desempenho é mais expressivo. Nos últimos 30 dias, o ativo recuperou mais de 17% de seu valor. Dessa forma, volta a se destacar entre as principais criptomoedas em capitalização de mercado.

Esse movimento reforça a percepção de recuperação parcial. Ainda assim, o cenário permanece indefinido. Embora os dados recentes indiquem força, o histórico aponta limitações importantes para sequências prolongadas de alta em ciclos de baixa.

Em conclusão, maio tende a ser um mês decisivo para o Bitcoin em 2026. De um lado, há sinais de retomada. De outro, o histórico impõe um limite claro. Nesse contexto, investidores acompanham de perto os próximos movimentos, sobretudo diante dos sinais mistos vindos dos dados on-chain.