Bitcoin: holders de curto prazo perdem 15% e venda cede

O Bitcoin segue em 2026 com um descompasso entre o mercado à vista e os derivativos. Ao mesmo tempo, a demanda permanece fraca, o que limita uma recuperação mais consistente. Nas últimas semanas, o Coinbase Premium Index ficou em território negativo. Esse comportamento sinaliza ausência de compras mais firmes por investidores institucionais.

Além disso, o aumento da alavancagem elevou o risco de liquidações em cascata, caso o mercado volte a perder força. A saída de stablecoins das exchanges também reforçou um viés mais defensivo entre os participantes. Em geral, esse movimento indica menor disposição para assumir risco no mercado cripto.

Ainda assim, a pressão vendedora perdeu intensidade nas leituras mais recentes. Como resultado, a melhora da força compradora entre holders de curto prazo abriu espaço para uma possível recuperação tática do BTC. Contudo, esse movimento ainda não confirma reversão da tendência principal.

Compradores de curto prazo sustentam chance de repique

Gráfico diário do Bitcoin
Fonte: BTC/USDT no TradingView.

No gráfico diário, a estrutura de baixa ganhou continuidade quando os fundos de fevereiro foram rompidos na última semana de junho. Depois disso, o Bitcoin marcou uma nova mínima em US$ 57.800 e iniciou uma recuperação gradual.

Pela análise técnica, esse avanço pode se estender até a faixa entre US$ 73,2 mil e US$ 77,5 mil. Essa região corresponde à golden pocket nos níveis de retração de Fibonacci. Em outras palavras, trata-se de uma zona plausível para um repique mais amplo, desde que o impulso comprador continue ativo.

Por outro lado, essa projeção não confirma uma reversão definitiva da tendência maior. Portanto, o mercado ainda exige cautela. O pano de fundo segue frágil e depende de novo fluxo de capital.

Modelo de pressão realizada dos holders de curto prazo do Bitcoin
Fonte: Axel Adler Jr.

O analista Axel Adler Jr. usa o Bitcoin Realized Pressure Model para comparar a pressão compradora e vendedora realizada por holders de curto prazo com o preço atual do BTC. Na leitura recente, a pressão de venda está comprimida, enquanto os compradores mantêm vantagem. Assim, o cenário aponta para uma fase de acumulação.

Em fevereiro, a média da pressão compradora atingiu 61%. No mesmo período, a pressão vendedora ficou em 22%. Posteriormente, com a valorização do BTC, esse equilíbrio mudou. Em maio, a pressão vendedora subiu para 43%, enquanto a compradora recuou para 11%.

Dados de junho e julho indicam melhora tática

Em junho e julho, o quadro voltou a favorecer os compradores de curto prazo. Nesse intervalo, a pressão compradora variou entre 37% e 46%, enquanto a pressão vendedora caiu para 16%. Enquanto esses números não piorarem de forma mais acentuada, permanece aberta a possibilidade de um repique semelhante ao observado em fevereiro.

Coortes de preço realizado dos holders de curto prazo do Bitcoin
Fonte: Axel Adler Jr.

Outro dado relevante envolve as coortes de preço médio de compra dos holders de curto prazo. Segundo o levantamento, o grupo com posição entre 1 semana e 1 mês tinha preço realizado em US$ 61,6 mil. Já a coorte com posições entre 3 meses e 6 meses apresentava preço médio de compra em US$ 74,9 mil.

Na prática, isso indica que os compradores mais recentes ainda estão no lucro. Em contrapartida, os grupos mais antigos, com posições abertas entre 1 e 6 meses, continuam no prejuízo em torno de 15%. Esse ponto ajuda a identificar onde pode surgir nova pressão de venda, se o preço voltar a subir.

Há a possibilidade de que essa parcela do mercado espere uma recuperação mais robusta, na direção de US$ 70 mil ou acima desse nível, antes de vender em maior escala. Se isso ocorrer, um rali de curto prazo poderá encontrar nova onda de realização. Dessa forma, a continuidade da alta ficaria limitada.

Nível de US$ 71 mil pode mudar o viés de curto prazo

Na avaliação final de Axel Adler Jr., o preço atual de mercado está dentro de uma zona de acumulação com inclinação moderada para maior apetite a risco. Para o analista, uma retomada do nível de US$ 71 mil seria uma confirmação relevante de inflexão altista no curto prazo.

No entanto, o pano de fundo ainda exige cautela. O aumento da alavancagem nos derivativos e a ausência de um movimento mais amplo de acumulação por holders de longo prazo continuam sendo fatores de risco para uma recuperação mais consistente.

Em suma, os dados mais recentes mostram pressão compradora entre holders de curto prazo na faixa de 37% a 46%, venda comprimida em 16%, mínima recente em US$ 57.800 e parte dos investidores entre 1 e 6 meses ainda cerca de 15% abaixo do ponto de equilíbrio. Assim, o Bitcoin pode reagir no curto prazo, mas ainda precisa superar resistências importantes para sustentar uma alta mais ampla.