Bitcoin integra grupo quântico do Tesouro dos EUA

Em 24 de agosto, o Tesouro dos Estados Unidos lançou sua Força-Tarefa de Preparação Quântica. Com isso, o órgão incluiu o Bitcoin e outras infraestruturas de ativos digitais em uma iniciativa federal mais ampla. O grupo coordenará a resposta do setor financeiro às ameaças associadas aos computadores quânticos.

A força-tarefa terá três frentes de trabalho. Uma delas abordará ativos digitais e riscos relacionados a tecnologias emergentes. As outras tratarão da adoção de criptografia pós-quântica e da preparação de fornecedores terceirizados.

Tesouro prepara setor financeiro para risco quântico

Os Estados Unidos precisam liderar a proteção das tecnologias que movem nossa economia. Esta força-tarefa ajudará a garantir que nosso sistema financeiro permaneça forte, seguro e competitivo à medida que novas tecnologias remodelam o cenário global.

Scott Bessent, 79º secretário do Tesouro dos Estados Unidos

A iniciativa estabelece um fórum de cooperação entre o governo e o setor privado. Nesse espaço, custodiantes de criptomoedas e provedores de infraestrutura poderão coordenar uma futura migração para tecnologias resistentes a computadores quânticos. Scott Bessent afirmou que a medida busca preservar a segurança e a competitividade do sistema financeiro.

O grupo reunirá agências governamentais, instituições financeiras, operadores de infraestrutura de mercado e fornecedores de tecnologia. Dessa forma, os participantes identificarão dependências críticas de criptografia e buscarão melhorar a interoperabilidade. Também discutirão desafios técnicos relacionados à implementação de novos padrões de segurança.

Para as empresas de criptomoedas, o debate poderá envolver uma revisão da criptografia usada em custódia e assinaturas de transações. Além disso, as companhias poderão avaliar sistemas de autenticação e serviços fornecidos por terceiros. O objetivo será planejar a migração sem interromper o acesso dos clientes ou a interoperabilidade.

Redes públicas não receberam prazo de migração

O Tesouro não estabeleceu um prazo de migração para Bitcoin, Ethereum ou empresas privadas de ativos digitais. Portanto, mudanças nos sistemas de assinatura dependerão de decisões específicas de engenharia e governança em cada rede. A força-tarefa funciona, neste momento, como uma estrutura de coordenação.

A iniciativa sucede uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em junho. A medida acelerou a transição dos sistemas do próprio governo federal para padrões pós-quânticos. No entanto, o cronograma não impõe as mesmas obrigações às redes públicas ou às empresas privadas.

A Ordem Executiva 14412 determina que sistemas federais de alto valor e impacto adotem mecanismos pós-quânticos para estabelecer chaves até 31 de dezembro de 2030. Depois, esses sistemas deverão implementar assinaturas digitais pós-quânticas até 31 de dezembro de 2031. Os prazos se aplicam somente aos sistemas federais especificados.

O lançamento da força-tarefa, contudo, amplia a coordenação federal sobre riscos financeiros relacionados à tecnologia quântica. Qualquer calendário obrigatório para empresas de criptomoedas exigiria regras ou autoridades aplicáveis especificamente a elas. Assim, o anúncio não inicia uma contagem regressiva para o setor privado.

Setor avalia risco para 7 milhões de unidades de Bitcoin

Parte da indústria de criptomoedas já discutia a mesma ameaça. Em junho, o conselho independente de assessoria quântica da Coinbase recomendou que desenvolvedores de blockchain iniciassem o planejamento técnico e de governança. Segundo o grupo, esse trabalho deve começar antes que computadores quânticos consigam atacar a criptografia atual.

O conselho estimou que cerca de 7 milhões de unidades de Bitcoin podem estar potencialmente vulneráveis. Esse volume envolve recursos cujas chaves públicas ficaram expostas por formatos antigos ou pela reutilização de endereços. Nesse caso, computadores quânticos suficientemente avançados poderiam representar um risco aos mecanismos atuais de assinatura.

Um mês depois, BlackRock, Coinbase, Strategy e outras seis instituições criaram o Bitcoin Security Consortium. O grupo prometeu destinar, em conjunto, US$ 15 milhões durante três anos para pesquisas sobre a segurança do Bitcoin. A criptografia pós-quântica aparece entre as prioridades iniciais da iniciativa.

Os participantes direcionarão os recursos de forma independente, sem criar um fundo conjunto. Enquanto isso, a força-tarefa do Tesouro permitirá que governo, instituições financeiras e fornecedores discutam dependências e padrões técnicos. Mudanças obrigatórias nas redes continuarão sujeitas aos processos de engenharia e governança de cada ecossistema.