Bitcoin: Irlanda acessa carteira com 500 BTC
Autoridades da Irlanda anunciaram um avanço relevante na recuperação de ativos em Bitcoin ao acessarem uma carteira vinculada a um caso de tráfico de drogas. O endereço contém 500 BTC e estava inacessível há cerca de sete anos, principalmente devido à ausência das chaves privadas.
Autoridades desbloqueiam ativos digitais apreendidos
Na última terça-feira, a polícia nacional da Irlanda confirmou, em conjunto com serviços de segurança, que conseguiu acessar uma carteira de criptomoedas previamente confiscada. Os ativos somam cerca de €30 milhões, ou aproximadamente US$ 35,4 milhões, com base nos preços recentes.
O Criminal Assets Bureau (CAB) informou que a operação contou com apoio técnico do Centro Europeu de Cibercrime da Europol. Segundo o órgão, ferramentas avançadas de análise e descriptografia foram fundamentais para viabilizar o acesso.
Relatos locais indicam que a carteira faz parte de um conjunto maior de ativos ligados a um esquema de drogas. Ao todo, 12 carteiras foram apreendidas em 2019. No entanto, permaneceram inacessíveis até então, já que as chaves privadas não estavam disponíveis.
Este seria o primeiro caso em que o CAB consegue acessar uma dessas carteiras. Em conjunto, elas somavam cerca de 6.000 BTC. Embora não haja confirmação oficial de que os 500 BTC integrem esse total, dados da Arkham Intelligence sugerem essa relação.
Movimentação recente levanta novas pistas
Segundo análise da Arkham Intelligence, uma das carteiras associadas ao caso transferiu os 500 Bitcoin para um novo endereço. Posteriormente, os fundos foram enviados para a Coinbase Prime no dia 24 de março.
A carteira, identificada como “Clifton Collins: Lost Keys”, estava inativa desde janeiro de 2016. Além disso, a plataforma aponta a existência de outras 13 carteiras vinculadas ao mesmo caso, que somariam cerca de 5.500 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 392,3 milhões.
Dessa forma, o volume potencial de ativos ainda não acessados permanece elevado, o que reforça a relevância do avanço recente.
Histórico do caso e perda das chaves
Os Bitcoins foram originalmente apreendidos de Clifton Collins, ex-apicultor de 53 anos residente em Dublin. Ele esteve envolvido em uma operação de cultivo de cannabis em larga escala iniciada por volta de 2005, com propriedades alugadas em diferentes regiões da Irlanda.
Collins evitou as autoridades por anos. Contudo, foi detido em 2017 após a apreensão de €2.000 em cannabis em seu veículo, o que desencadeou uma investigação mais ampla sobre suas atividades.
Durante os primeiros anos do Bitcoin, ele adquiriu a criptomoeda a preços baixos e distribuiu os ativos em várias carteiras, criando múltiplos endereços distintos.
Fortuna inacessível por anos
O próprio Collins afirmou que armazenou as chaves privadas em papel. Ele escondeu o documento dentro de um estojo de vara de pesca, guardado em uma propriedade alugada na região de Galway.
No entanto, o documento desapareceu após um arrombamento. Há ainda relatos de que o objeto pode ter sido descartado ou destruído durante a limpeza do imóvel após sua prisão.
Como resultado, a perda da única cópia das chaves impediu o acesso aos fundos por anos. Ainda assim, o recente desbloqueio indica que parte desses ativos pode, em determinadas circunstâncias, voltar a ser acessada, embora os detalhes técnicos não tenham sido totalmente divulgados.
Parte dos ativos já havia sido recuperada anteriormente, incluindo cerca de US$ 1,39 milhão em bens. Desse total, aproximadamente US$ 1,15 milhão em Bitcoin ainda estavam sob controle direto de Collins à época.

Bitcoin é negociado a US$ 71.617 no gráfico semanal. Fonte: TradingView
Em suma, o acesso à carteira com 500 BTC representa um marco operacional para as autoridades irlandesas. Ao mesmo tempo, milhares de Bitcoins permanecem inacessíveis, o que mantém em aberto a possibilidade de novas tentativas de recuperação no futuro.