Bitcoin: Jordi Visser vê agentes de IA como tese de alta

Agentes de IA podem impulsionar a economia do Bitcoin

Jordi Visser considera que os agentes de inteligência artificial fortalecem a tese de alta para o Bitcoin. Em conversa com Grace Remington e Sean Hagan, o investidor apresentou a tese das chamadas “infraestruturas fantasmas”. Segundo Visser, o setor de criptomoedas passou 15 anos desenvolvendo sistemas de crédito, stablecoins e tokenização. Contudo, essas estruturas não teriam sido criadas, em última instância, para usuários humanos.

Na avaliação do investidor, os agentes de IA representam os usuários que faltavam para essa infraestrutura. Assim, sistemas autônomos poderiam realizar transações e acessar serviços financeiros sem interrupção. Visser considera esse cenário extremamente positivo para o Bitcoin. Para ele, a expansão da economia automatizada pode criar uma nova fonte de demanda pelo ativo.

Visser compara o momento atual ao intervalo de 14 anos entre a abertura de capital da Netscape e o lançamento da App Store. Na visão dele, a loja de aplicativos colocou a internet nas mãos de um público amplo. De modo semelhante, os agentes podem marcar uma virada na economia automatizada. Nesse contexto, a infraestrutura financeira digital ganharia usuários capazes de operar continuamente.

Infraestrutura encontra novos usuários

Visser argumenta que a infraestrutura do mercado de criptomoedas já está pronta para uma economia conduzida por agentes. Portanto, o ponto de inflexão não dependeria das carteiras usadas por investidores de varejo. Em vez disso, agentes de IA poderiam assumir esse papel em uma economia agentiva. Essa tese conecta estruturas existentes à atuação constante de sistemas automatizados.

Ao mesmo tempo, a análise amplia o debate para além da liquidez disponível no mercado. O investidor avalia que enxames de agentes podem trabalhar 24 horas por dia. Com isso, esses sistemas alcançariam uma escala diferente daquela observada na participação humana. Segundo Visser, parte dos investidores ainda ignora o caráter exponencial desse funcionamento contínuo.

A conversa também aborda a influência da crença sobre a adoção de novas tecnologias. Nesse sentido, Visser cita o chamado efeito Papai Noel e afirma que a crença pode superar a inovação. Entretanto, a inovação isolada não determinaria o ritmo de adoção. A combinação entre confiança dos participantes e atuação automatizada teria um papel relevante nesse processo.

Tokenização pode ampliar a liquidez

Outro ponto envolve o impacto da tokenização sobre ativos ilíquidos. Visser afirma que esse processo pode transformar US$ 900 trilhões em ativos ilíquidos em dinheiro. Dessa forma, a tecnologia poderia alterar a narrativa de liquidez associada a essa classe de bens. A análise relaciona esse potencial à infraestrutura financeira construída pelo setor.

Além do mais, o investidor discute o que precisaria mudar para que os 10% mais ricos comprassem Bitcoin. A questão aparece no debate sobre demanda, liquidez e preservação de valor. Para Visser, a participação desse grupo dependeria de uma mudança mais ampla na percepção do mercado. Ainda assim, ele mantém o foco na capacidade dos agentes de criar novas formas de utilização.

A entrevista também discute a possibilidade de a inteligência artificial superar o peso da dívida dos Estados Unidos por meio do crescimento nominal. Em paralelo, Visser considera a hipótese de uma deflação positiva. A conversa não limita esses efeitos ao mercado de criptomoedas. Pelo contrário, relaciona inteligência artificial, produtividade, financiamento e transformações econômicas de longo prazo.

Dívida e demanda de longo prazo

O debate inclui centros de dados financiados por dívida e o receio observado no mercado de títulos. Também menciona avanços contra o câncer no contexto do desenvolvimento tecnológico. Ao mesmo tempo, Visser comenta a narrativa apocalíptica em torno da inteligência artificial. Ele descreve essa visão como uma espécie de novela sobre o fim do mundo provocado pela tecnologia.

Apesar desses riscos, Visser mantém o foco na demanda de longo prazo pelo Bitcoin. Ele explica por que considera o Bitcoin o único ativo capaz de sobreviver pelos próximos 20 anos. A discussão parte da perspectiva de que a demanda pode persistir durante três décadas. Por isso, sua tese não depende apenas das condições imediatas de liquidez.

Um programa ligado à BTC Inc. apresentou a conversa. Em síntese, Visser associa crédito, stablecoins e tokenização ao avanço de uma economia operada por agentes. Nesse cenário, os sistemas automatizados ofereceriam uma base permanente de usuários para a infraestrutura existente. Para o investidor, essa mudança reforça a perspectiva favorável ao Bitcoin no longo prazo.

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