Bitcoin lidera alocação institucional, diz Bitwise

O Bitcoin aparece como o principal ativo cripto nas carteiras institucionais analisadas pela Bitwise em relatório publicado nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026. Segundo a gestora, todas as instituições entrevistadas que já possuíam cripto mantinham exposição ao Bitcoin, enquanto Ethereum e Solana apareciam em posições menores e com critérios de saída mais claros.

A informação foi destacada no X por Wu Blockchain, perfil que acompanha comunicados, dados de mercado e movimentos do setor cripto. O post resume pontos centrais do relatório, incluindo a faixa de alocação, a reação dos investidores durante a queda do mercado e o uso crescente de ETFs spot.

Relatório mostra posições pequenas e resistentes

A Bitwise afirmou que entrevistou profissionais responsáveis por decisões de investimento em 15 grandes instituições. O grupo incluiu endowments, fundações, fundos de pensão públicos, family offices, consultorias de investimento, fundos soberanos e empresas abertas.

Segundo a gestora, as entrevistas ocorreram ao longo de três meses. As alocações em cripto variaram de 0,5% a 13% dos ativos investíveis. No entanto, a maior parte ficou entre 1% e 2%, uma faixa ainda conservadora dentro de carteiras diversificadas.

O dado mais relevante envolve a reação ao estresse de mercado. A Bitwise informou que nenhuma das instituições entrevistadas reduziu a exposição durante a queda de cerca de 50% registrada entre o quarto trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026. Além disso, algumas aumentaram suas posições no período.

Esse comportamento contrasta com a tese de que investidores institucionais venderiam rapidamente em ciclos de queda. Ainda assim, o relatório exige cautela. A amostra é pequena, qualitativa e não representa uma pesquisa estatística ampla sobre todo o mercado institucional.

Bitcoin concentra a convicção institucional

Segundo a Bitwise, o Bitcoin foi o único ativo cripto presente em todas as carteiras das instituições que já tinham exposição ao setor. Para quase todas, ele também foi o primeiro, o maior e o mais antigo investimento cripto.

A gestora afirma que muitos entrevistados tratam o Bitcoin como reserva de valor e, em alguns casos, como ativo complementar ao ouro. Já Ethereum e Solana aparecem de outra forma no relatório. Para parte dos investidores, esses ativos funcionam mais como teses ligadas à tecnologia, com necessidade de comprovar utilidade, adoção e captura de valor pelo token.

Essa diferença ajuda a explicar por que a tese institucional segue mais concentrada no Bitcoin do que no restante do mercado cripto. Portanto, a leitura da Bitwise indica uma divisão clara: Bitcoin como ativo de convicção, e outras redes como posições seletivas, menores e mais condicionadas a resultados.

No Brasil, investidores que acompanham o mercado cripto também observam esse movimento. Afinal, os ETFs spot simplificam a exposição para gestores sujeitos a políticas internas rígidas, controles de risco e processos formais de aprovação.

ETFs spot reduzem barreiras operacionais

Outro ponto central do relatório envolve os ETFs spot de cripto. A Bitwise afirmou que quase todas as instituições entrevistadas já usam ou pretendem usar esse tipo de produto. A justificativa envolve menor custo operacional, menos dificuldades com custódia e maior facilidade de integração com sistemas tradicionais de back office.

Uma pesquisa institucional da EY-Parthenon e Coinbase trouxe um contexto parecido em 2026. O levantamento, feito em janeiro com mais de 350 investidores institucionais globais, apontou que 66% dos participantes tinham exposição via ETFs ou ETPs spot. Além disso, 81% preferiam acesso à vista por meio de veículos registrados.

Desse modo, a demanda institucional por cripto não depende apenas da tese de valorização. Ela também depende de governança, reputação, política de investimento, custódia e clareza regulatória. Esses fatores aparecem tanto no relatório da Bitwise quanto na pesquisa da EY-Parthenon e Coinbase como barreiras práticas para alocações maiores.

O que muda para o mercado cripto

O relatório não afirma que as instituições aumentarão suas compras imediatamente. Ainda assim, ele mostra que parte do capital profissional trata cripto como uma alocação de longo prazo, e não apenas como uma negociação tática.

Para o mercado, a implicação principal está na composição da demanda. Se os ETFs continuarem reduzindo a complexidade operacional, mais investidores poderão obter exposição ao Bitcoin sem lidar diretamente com autocustódia, chaves privadas ou integração com exchanges.

Por outro lado, a própria Bitwise reconhece que governança, operação e reputação seguem como obstáculos. Dessa forma, o avanço institucional tende a depender menos de narrativas de curto prazo e mais da capacidade do setor de oferecer produtos regulados, infraestrutura robusta e controles compatíveis com grandes carteiras.

O levantamento também reforça que preço não foi o principal gatilho citado para saída. Segundo a Bitwise, os entrevistados mencionaram falha da tese de investimento, reversão regulatória ou crise ampla de credibilidade como fatores mais relevantes. Portanto, a permanência do Bitcoin nessas carteiras parece ligada à validade da tese de reserva de valor, e não apenas ao desempenho mensal do ativo.

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