Bitcoin: Michael Saylor vê avanço de Strategy e Strive

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Michael Saylor afirmou que Strategy e Strive podem disputar investidores e ampliar juntas o mercado de ações preferenciais ligadas ao Bitcoin. Em publicação no X, ele disse que deseja o sucesso da Strive e de outros emissores bem administrados de crédito digital. Assim, a concorrência entre as empresas não impediria o crescimento conjunto desse segmento.

Segundo Saylor, várias companhias podem atrair novos investidores para produtos estruturados em torno do Bitcoin. Em sua classificação própria, ele define o Bitcoin como capital digital. Já STRC, da Strategy, e SATA, da Strive, formam a categoria de crédito digital. Por sua vez, as ações MSTR e ASST integram o que ele chama de patrimônio digital. Esses conceitos representam a visão de Saylor e não correspondem a classes regulatórias formais.

Mercados tradicionais podem direcionar capital ao Bitcoin

O argumento de Saylor considera a dimensão dos mercados financeiros tradicionais. A SIFMA informou que a capitalização global das ações alcançou US$ 157,8 trilhões no fim de 2025. Enquanto isso, a dívida global em renda fixa somava US$ 160,7 trilhões. Nesse cenário, uma alocação de 0,1% de qualquer mercado equivaleria a cerca de US$ 160 bilhões.

Por isso, Saylor considera que as empresas com tesourarias de Bitcoin competem principalmente com mercados tradicionais muito maiores. Na visão dele, um investidor capaz de avaliar uma ação preferencial vinculada ao Bitcoin pode analisar outros produtos semelhantes. Ainda assim, Strategy e Strive mantêm obrigações, estruturas de capital e decisões de gestão independentes.

Strive mantém investimento em STRC

A relação entre as empresas já ultrapassou o campo teórico. Em 11 de março, a Strive divulgou a compra de US$ 50 milhões em ações preferenciais STRC da Strategy. Inicialmente, a companhia adquiriu 500 mil ações. Na época, a Strive afirmou que a operação ampliou para 18 meses sua reserva destinada aos dividendos da SATA.

Essa reserva reunia 12 meses de caixa e outros seis meses em STRC, conforme os preços vigentes. Contudo, a própria empresa alertou que o valor de mercado poderia variar. Depois, em documento de 28 de setembro, a Strive informou uma posição de 505 mil ações STRC em 25 de setembro.

A posição apresentava valor justo aproximado de US$ 49,76 milhões. No mesmo período, a Strive detinha 27.462 BTC após comprar mais 1.107 BTC na semana anterior. Assim, a companhia mantém exposição à ação preferencial de outra tesouraria de Bitcoin enquanto emite a própria SATA.

Conforme registro apresentado à SEC, a SATA tinha taxa anualizada de 13% para períodos iniciados em 1º de outubro. A Strive paga os dividendos da SATA em cada dia útil. A companhia também mantém reservas em dinheiro para apoiar esses pagamentos.

Strategy ajusta crédito vinculado ao Bitcoin

Atualmente, a STRC paga dividendo anualizado de 12%, com dois pagamentos em dinheiro por mês. O histórico de dividendos da Strategy mostra dois pagamentos de US$ 0,50 por ação associados às datas de registro de setembro. Portanto, os investidores ainda precisam comparar rendimento, liquidez, exposição ao Bitcoin e riscos de cada emissor.

Na semana encerrada em 27 de setembro, a Strategy recomprou cerca de 1,53 milhão de ações STRC por US$ 151,7 milhões. Além disso, a empresa adquiriu 1.665 BTC por US$ 142,7 milhões. Com isso, sua posição chegou a 847.666 BTC, adquiridos por um custo agregado de US$ 63,95 bilhões.

Acionistas avaliarão mudanças nos dividendos

Paralelamente, a Strategy propôs estabelecer datas de registro de dividendos de STRC, STRF, STRK e STRD em todos os dias do calendário. O conselho aprovou a proposta, mas a mudança ainda depende dos acionistas. Caso receba aprovação, a STRC será o primeiro título a adotar o modelo. A primeira data de registro está prevista para 1º de novembro, com pagamento em 2 de novembro.

A reunião especial de acionistas ocorrerá em 28 de outubro, às 10h, no horário do leste dos Estados Unidos. Os acionistas ordinários registrados em 25 de setembro poderão votar. Saylor reconheceu que o Bitcoin não paga cupom. Por esse motivo, a margem entre a valorização do Bitcoin e os custos de financiamento exige gestão ativa.

Empresas continuam expostas a riscos

Por outro lado, compras corporativas isoladas não garantem a valorização do Bitcoin. Strategy e Strive continuam expostas às quedas do ativo e aos riscos de emissor, dividendos, liquidez e estrutura de capital. Em junho, STRC e SATA registraram fortes perdas diante de preocupações com baixa liquidez, alavancagem e volatilidade.

Como resposta, a Strategy reforçou suas reservas em dólar e recomprou STRC abaixo do valor nominal. Enquanto isso, a Strive preservou reservas em dinheiro ao lado de Bitcoin e de sua posição em STRC. Dessa forma, a expansão da categoria pode beneficiar as duas empresas. Ainda assim, os resultados projetados por Saylor não são garantidos.

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