Bitcoin: mineradores enviam 24.716 BTC à Binance
O Bitcoin entrou em nova fase de pressão vendedora após cair cerca de 16% desde segunda-feira. A queda enfraqueceu a confiança construída na recuperação desde as mínimas de abril. Além disso, levou o mercado a reavaliar onde existe suporte estrutural no cenário atual. Ao mesmo tempo, métricas da CryptoQuant apontaram um sinal relevante do lado da oferta: o salto nas entradas de BTC de mineradores na Binance (cadastre-se).
Fluxo de mineradores para a Binance bate máxima desde fevereiro
Em 2 de junho, os fluxos de Bitcoin saindo de carteiras de mineradores e chegando à Binance alcançaram 24.716 BTC. Esse foi o maior nível desde 5 de fevereiro, quando o indicador marcou 23.151 BTC. Portanto, o volume mais recente superou o pico anterior em cerca de 1.565 BTC, ou aproximadamente 6,8%.
Além disso, esse foi apenas o segundo momento em quase quatro meses em que o fluxo de Bitcoin de mineradores para a Binance ultrapassou 20.000 BTC. Historicamente, esse patamar chama atenção sempre que é rompido. Ainda mais importante, o movimento se concentrou na Binance, a maior exchange de criptomoedas do mundo, e não em várias corretoras ao mesmo tempo.
Quando uma quantidade dessa magnitude chega a uma única plataforma, a dinâmica do livro de ofertas da exchange passa a ser decisiva. Em outras palavras, o mercado precisa mostrar se consegue absorver esse novo estoque disponível sem ampliar a pressão sobre o preço. Dessa maneira, a Binance entra no centro da leitura sobre a oferta potencial no curto prazo.
Depósitos maiores não significam venda imediata
No entanto, a leitura exige cautela. Para a CryptoQuant, uma transferência de 24.716 BTC para a Binance pode refletir estratégias distintas. Entre elas estão proteção contra risco de preço, gestão de liquidez operacional, rebalanceamento interno entre soluções de custódia ou preparação para vendas futuras.

Fonte: CryptoQuant
Com efeito, o dado não confirma liquidação imediata. Ainda assim, ele muda a leitura da oferta. Os mineradores mantinham esse Bitcoin fora dos livros de ordens das exchanges. Agora, as moedas estão em uma plataforma onde podem ser vendidas ou convertidas em outros ativos em segundos.
Mesmo que os mineradores não liquidem as moedas de forma imediata, o excedente potencial de oferta já existe. Por isso, o ponto central agora não é apenas o tamanho da transferência, mas também a duração desse comportamento.
Se os fluxos de mineradores permanecerem elevados por várias sessões, isso poderá reforçar a leitura de distribuição sustentada. Por outro lado, se o salto perder força rapidamente, o episódio poderá ser interpretado como um evento pontual de liquidez.
Preço testa suporte entre US$ 61.000 e US$ 63.000
No gráfico semanal, o Bitcoin também mostrou deterioração técnica relevante. O ativo caiu mais de 15% na semana e recuou da região de US$ 74.000 para perto de US$ 62.000. Assim, apagou toda a recuperação observada em maio e voltou a uma zona de suporte crítica. Essa é a mesma área que marcou o fundo do ciclo de capitulação em fevereiro.
A região entre US$ 61.000 e US$ 63.000 voltou a ganhar protagonismo. Foi nessa faixa que o mercado encontrou fundo em fevereiro, antes da alta que levou o BTC acima de US$ 80.000. Agora, os compradores tentam novamente defender esse nível. Portanto, essa área virou uma das regiões mais importantes do gráfico.
Ao mesmo tempo, a perda das regiões de US$ 65.000 e US$ 73.000 confirma que os vendedores seguem no controle. Essas faixas funcionavam como suporte e, agora, tendem a atuar como resistência em eventuais tentativas de recuperação. Além disso, a rejeição na faixa de US$ 80.000 definiu uma máxima descendente em relação ao topo do fim de 2025. Esse movimento reforça a estrutura baixista no horizonte técnico.
Média móvel de 200 semanas entra no radar
Um dos pontos mais observados neste momento é a média móvel ascendente de 200 semanas, posicionada perto de US$ 62.000. Historicamente, esse indicador serviu como um dos suportes de longo prazo mais sólidos da história do Bitcoin. Em diversas correções, ele também marcou períodos de valor extremo.

Fonte: TradingView
Se os compradores sustentarem a média móvel de 200 semanas e as mínimas de fevereiro, o Bitcoin poderá tentar formar uma base. Em contrapartida, a perda desse suporte colocaria o nível psicológico de US$ 60.000 no radar. Nesse cenário, aumentaria o risco de aprofundamento da correção para a região intermediária dos US$ 50.000.
Nesse quadro, o mercado monitora dois sinais. O primeiro é a entrada de 24.716 BTC de mineradores na Binance (cadastre-se) em 2 de junho, a maior desde fevereiro. O segundo é a defesa da faixa entre US$ 61.000 e US$ 63.000, junto à média móvel de 200 semanas, perto de US$ 62.000. Esses níveis ganharam peso depois da queda semanal superior a 15%.