Bitcoin mira US$ 79 mil com apoio institucional

O Bitcoin enfrenta um cenário de forças opostas: enquanto mineradores e governos aumentam a oferta no mercado, grandes instituições ampliam suas posições. Ainda assim, o ativo mantém viés de alta após recente recuperação impulsionada por fatores macroeconômicos e maior apetite por risco.

Dados da CryptoQuant indicam que, apesar da pressão vendedora, a demanda institucional tem ajudado a sustentar os preços. Como resultado, o Bitcoin segue relativamente estável no curto prazo, com inclinação positiva.

Vendas de mineradores e governos aumentam a oferta

Em primeiro lugar, movimentações associadas ao governo do Butão chamaram atenção. Foram transferidos cerca de 319 BTC recentemente, além de uma transação anterior de 1.324 BTC. O mercado interpreta essas movimentações como possível realização parcial de lucros.

Ao mesmo tempo, mineradores relevantes também reduziram suas reservas. A Riot Platforms informou a venda de 1.000 BTC entre 6 e 7 de abril, elevando o total vendido em 2026 para mais de 4.000 BTC.

Distribuição de Bitcoin por mineradores e governos

Fonte: CryptoQuant

Da mesma forma, a MARA Holdings (Marathon Digital) movimentou cerca de 620 BTC. A empresa também reportou vendas expressivas ao longo de março, somando mais de 15 mil BTC, em operações que ultrapassaram US$ 1 bilhão.

Segundo a CryptoQuant, esse aumento nas saídas tende a elevar a pressão vendedora, sobretudo quando o preço se aproxima de níveis técnicos relevantes. Em outras palavras, mineradores aproveitam momentos de valorização para realizar ganhos.

Instituições seguem acumulando

Por outro lado, empresas e investidores institucionais continuam ampliando exposição ao Bitcoin. A Metaplanet adicionou cerca de 5.000 BTC, alcançando mais de 40 mil BTC sob custódia, o que reforça sua estratégia de longo prazo.

Além disso, a Strategy retomou compras após uma pausa, adquirindo aproximadamente 4.871 BTC. Em 2026, os aportes da companhia já somam bilhões de dólares, sinalizando convicção no ativo.

Outra movimentação relevante veio da Bitmine, que expandiu sua tesouraria em ritmo acelerado. A empresa também aumentou sua exposição a Ethereum, indicando diversificação dentro do mercado de criptomoedas.

Assim, forma-se um equilíbrio entre oferta e demanda. Enquanto mineradores vendem, instituições absorvem essa liquidez. Como consequência, o preço tende a se manter resiliente.

Fatores macro e derivativos reforçam o movimento

Além dos fluxos internos, o ambiente macroeconômico também contribuiu. Um anúncio de cessar-fogo temporário envolvendo Estados Unidos e Irã ajudou a impulsionar ativos de risco. Nesse contexto, o Bitcoin avançou cerca de 4%, enquanto o Ethereum subiu aproximadamente 6% em 24 horas.

Ao mesmo tempo, o mercado de derivativos registrou expansão relevante. O interesse em aberto aumentou em cerca de US$ 2,1 bilhões para Bitcoin e US$ 2,2 bilhões para Ethereum. Esse movimento sugere entrada de novas posições, possivelmente com viés comprador.

Além disso, indicadores como o Taker Buy-Sell Ratio acima de 1 apontam predominância de ordens de compra. O Coinbase Premium Index voltou ao campo positivo, indicando maior demanda nos Estados Unidos.

Alta do Bitcoin após cessar-fogo

Fonte: CryptoQuant

Zona de US$ 69 mil vira suporte

Do ponto de vista técnico, o Bitcoin superou a faixa conhecida como Traders’ Lower Realized Price, próxima de US$ 69,4 mil. Esse nível passa a ser observado como suporte relevante.

De acordo com a CryptoQuant, a manutenção acima dessa região pode abrir espaço para um avanço até US$ 79 mil. Portanto, esse patamar surge como referência de curto prazo para o mercado.

Em resumo, o cenário atual combina realização de lucros por parte de mineradores e acúmulo institucional consistente. Enquanto essa dinâmica persistir, o Bitcoin tende a manter sustentação, embora ainda dependa da redução da pressão vendedora para confirmar novos avanços.