Bitcoin no balanço da SOS contrasta com caixa em queda

Os acionistas da SOS Limited aprovaram medidas que podem ampliar em 100 vezes o volume de ações autorizadas da companhia ligada a criptomoedas. Com isso, a empresa ganha mais espaço para captar recursos por meio da emissão de ações, após interromper temporariamente a mineração direta e encerrar 2025 com apenas US$ 3,232 milhões em caixa, além de cerca de US$ 79,1 milhões em Bitcoin e Ethereum.

A votação de 27 de julho, divulgada em 30 de julho em documento enviado à SEC, cria apenas capacidade adicional. Portanto, qualquer diluição dependerá de a SOS concluir a reorganização exigida e as mudanças estatutárias necessárias, além de emitir ações sob termos que ainda não foram divulgados.

Ativos digitais passaram a concentrar a liquidez da SOS

O balanço auditado mais recente da SOS mostra que caixa e equivalentes de caixa caíram de US$ 228,131 milhões em 31 de dezembro de 2024 para US$ 3,232 milhões em 31 de dezembro de 2025. Na mesma data, a empresa informou possuir 802 Bitcoin avaliados em cerca de US$ 70,3 milhões e 2.949 Ethereum avaliados em aproximadamente US$ 8,8 milhões.

Infográfico comparando a capacidade autorizada condicional de ações da SOS, de 70 milhões para 7 bilhões, com seu caixa em 31 de dezembro de 2025, Bitcoin, Ether, prejuízo, receita de hospedagem e números de impairment.

A SOS reportou prejuízo líquido de US$ 97,3 milhões em operações continuadas em 2025. Ao mesmo tempo, a receita de mineração direta de criptomoedas caiu de US$ 9,2 milhões em 2024 para zero, depois que a companhia suspendeu temporariamente essa atividade. Já a receita de serviços de hospedagem totalizou US$ 7,5 milhões.

Além disso, a empresa registrou US$ 5,8 milhões em impairment de equipamentos de mineração. Dessa forma, os ativos digitais sensíveis ao mercado passaram a concentrar a maior parte das reservas líquidas reportadas pela companhia ao fim do ano.

O que os acionistas autorizaram

Se for implementado, o aumento de capital elevará o total de ações autorizadas de 70 milhões para 7 bilhões, por meio da criação de 5,94 bilhões de novas ações Classe A e 990 milhões de novas ações Classe B. Segundo a procuração apresentada pela SOS, a base ampliada poderá sustentar futuras captações, aquisições, remuneração em ações e outras transações corporativas.

Separadamente, os acionistas também deram ao conselho dois anos para implementar um ou mais grupamentos de ações, começando em 1 para 2 e limitados a uma razão acumulada máxima de 1 para 20. Ainda assim, o conselho terá discricionariedade para decidir se vai ou não usar essa autorização.

Emissão de ações Classe B segue sem explicação pública

Entre o relatório anual de 15 de maio da SOS e a data de registro de 13 de julho, a quantidade de ações Classe B em circulação subiu em exatos 2 milhões. Enquanto o número de ações Classe A permaneceu inalterado. Como ações Classe A não podem ser convertidas em ações Classe B. E uma transferência entre acionistas não alteraria o total em circulação, o aumento aponta para uma nova emissão de ações Classe B.

Entretanto, a SOS não apresentou divulgação específica de transação que identificasse o destinatário, a contraprestação ou a finalidade dessa emissão. Assim, salvo se uma das contagens informadas estiver incorreta, os 2 milhões de ações foram emitidos sem uma explicação pública correspondente.

Capacidade maior, mas liquidez atual ainda incerta

A votação abre para a SOS um caminho potencialmente mais amplo de financiamento, enquanto sua liquidez atual continua incerta. Nesse cenário, o impacto para os acionistas dependerá de a companhia concluir as etapas de capital autorizado, da quantidade de ações que vier a emitir . Além do preço e das condições de qualquer operação.

Por fim, novas divulgações sobre caixa e reservas em criptomoedas deverão mostrar como a posição da empresa mudou desde o fim do ano. E se a base ampliada de ações passará a funcionar, de fato, como instrumento ativo de financiamento.