Bitcoin opera abaixo do custo de produção, diz JPMorgan

O Bitcoin opera abaixo do custo estimado de produção há cinco meses consecutivos, segundo analistas do JPMorgan. Assim, a pressão sobre a mineração aumentou em 2026, com margens comprimidas, cerca de 20% dos operadores no prejuízo e vendas recordes de moedas por empresas listadas.

Em relatório enviado a clientes nesta semana, a equipe liderada por Nikolaos Panigirtzoglou, diretor administrativo do banco, afirmou que a economia da mineração de Bitcoin piorou em 2026. Segundo o JPMorgan, o custo total atual para produzir 1 BTC gira em torno de US$ 78.000. O cálculo considera eletricidade, depreciação de equipamentos e despesas operacionais das mineradoras públicas.

Ao mesmo tempo, o Bitcoin estava perto de US$ 63.000 no momento da análise. Dessa forma, a distância entre o preço à vista e o ponto de equilíbrio passou a pressionar o setor de modo persistente. Como resultado, parte relevante das empresas reduziu operações, ajustou máquinas e liquidou reservas para sustentar despesas correntes.

Dificuldade e hashrate reagem mais ao preço

Rede mostra maior sensibilidade em 2026

Um dos pontos centrais do relatório envolve uma mudança estrutural na resposta da rede às oscilações do ativo. Segundo o JPMorgan, o beta da dificuldade de mineração em relação ao preço do BTC subiu para 0,62 nos últimos seis meses. Em outras palavras, a dificuldade passou a reagir com mais intensidade às variações do Bitcoin.

Na avaliação dos analistas, esse movimento indica que uma fatia maior dos mineradores opera muito perto do custo. Assim, muitos agentes ligam e desligam máquinas conforme o preço sobe ou cai. Consequentemente, a taxa de hash e os ajustes de dificuldade ficaram mais sensíveis aos movimentos do mercado.

Esse padrão apareceu com clareza no início de junho. Na ocasião, a dificuldade de mineração caiu 10,09%, a segunda maior queda pontual do ano. Além disso, o hashrate do Bitcoin recuou 12% em junho, como apontou a Galaxy Research. Anteriormente, uma queda semelhante de 10% na dificuldade ocorreu em janeiro. Portanto, a rede registrou dois episódios desse porte no mesmo ano-calendário.

Mineradoras públicas vendem mais BTC

Setor busca caixa para manter a operação

A pressão financeira também alcançou as companhias de capital aberto. O JPMorgan citou levantamento da TheEnergyMag sobre operadoras como MARA Holdings, CleanSpark, Riot Platforms, Cango, Core Scientific e Bitdeer. Juntas, elas venderam 32.000 Bitcoin apenas no primeiro trimestre de 2026, a fim de financiar despesas operacionais.

Esse volume superou todo o total vendido por essas empresas durante 2025. Além disso, o número estabeleceu um novo recorde trimestral para o grupo. Até então, o patamar mais alto havia sido de 20.000 BTC no segundo trimestre de 2022, durante o mercado de baixa que sucedeu o colapso do ecossistema Terra-Luna.

Outro indicador acompanhado pelo banco é o hashprice, métrica que mede a receita da mineração por unidade de poder computacional. O hashprice está em aproximadamente US$ 33 por petahash por segundo ao dia. Nesse nível, cerca de 20% da indústria global de mineração opera em território não lucrativo, segundo o relatório de mineração de Bitcoin do primeiro trimestre de 2026 da CoinShares, também mencionado pelo JPMorgan.

JPMorgan vê sinal contrário para o preço

Capitulação pode continuar no semestre

Apesar do quadro adverso, os analistas não adotaram uma leitura diretamente baixista para o ativo. Pelo contrário, a equipe observou que momentos de sentimento fraco já funcionaram, em ciclos anteriores, como sinal contrário para futuras altas de preço. Ainda assim, o banco entende que a sensibilidade elevada do hashrate e os ajustes mais amplos na dificuldade devem continuar enquanto o Bitcoin permanecer bem abaixo do custo de produção.

Isso significa que a volatilidade operacional da rede pode seguir elevada, sobretudo se não houver recuperação material no preço do ativo. Ademais, o JPMorgan considera possível uma capitulação adicional entre operadores com custos mais altos ao longo do primeiro semestre de 2026.

No momento da publicação do relatório, os mineradores detinham coletivamente cerca de 1,8 milhão de Bitcoin. Esse volume ficou abaixo dos 1,86 milhão registrados no fim de 2023. Portanto, a redução das tesourarias segue como uma das características mais claras do ambiente atual.

O retrato traçado pelo JPMorgan mostra um setor pressionado por custo de produção ao redor de US$ 78.000, Bitcoin perto de US$ 63.000, queda de 10,09% na dificuldade em junho, recuo de 12% no hashrate no mês e vendas recordes de 32.000 BTC por mineradoras públicas no primeiro trimestre de 2026.