Bitcoin opera com custo acima do preço e pressiona mineradores

O mercado de Bitcoin enfrenta um período de forte pressão para mineradores, pois o custo médio de mineração permanece muito acima do valor de mercado. Esse cenário tem ampliado desligamentos de máquinas e queda no hashrate global, indicando um ambiente desafiador para a atividade.

Informações da MacroMicro, obtidas a partir de dados da Universidade de Cambridge, apontam que o custo médio para produzir 1 Bitcoin atingiu cerca de US$ 101.000 em 19 de janeiro de 2026. Além disso, o ativo era negociado próximo de US$ 93.000 no mesmo dia, o que gerava um prejuízo superior a US$ 8.000 por unidade minerada.

Custos médios de mineração do Bitcoin e seu preço em 19 de janeiro de 2026 | Fonte: MacroMicro

Segundo a MacroMicro, o cálculo do custo médio leva em conta o consumo energético e a emissão diária de Bitcoin. Portanto, períodos de custos elevados costumam reduzir o número de mineradores ativos, enquanto fases de alta rentabilidade tendem a atrair novos participantes para o setor.

“Quando os custos de mineração são menores que o valor de mercado do Bitcoin, mais mineradores entram na rede. Quando os custos superam a receita, o número de mineradores diminui”, destacou a MacroMicro.

A atividade de mineração exige grande capacidade computacional e elevado consumo de energia. Assim, quanto maior a competição entre mineradores, maior também é a dificuldade, o que eleva os custos operacionais. Quando a operação deixa de ser lucrativa, ocorre um movimento natural de saída de participantes, ajudando a reequilibrar a rede.

No entanto, alguns mineradores continuam operando mesmo no prejuízo, pois acreditam em uma possível valorização futura do Bitcoin. Por outro lado, expectativas negativas podem acelerar o desligamento de máquinas e intensificar a queda do hashrate.

Queda no hashrate revela pressão crescente sobre mineradores

A queda na rentabilidade já provoca reflexos visíveis no hashrate. Segundo dados da CoinDesk, o poder computacional total da rede recuou cerca de 15% desde o pico registrado em outubro de 2025. O indicador caiu de aproximadamente 1,1 zettahashes por segundo para 977 exahashes por segundo, mostrando capitulação ampliada entre mineradores pressionados pelos custos.

Além disso, a dificuldade de mineração segue trajetória de queda. Dados do mempool.space, citados pela CoinDesk, mostram que o ajuste previsto para 22 de janeiro de 2026 deve reduzir a dificuldade em cerca de 4%. Esse movimento marca o sétimo recuo entre os últimos oito ciclos. No ajuste anterior, a queda havia sido de 1,20%.

Ajuste de dificuldade e hashrate do Bitcoin em 19 de janeiro de 2026 | Fonte: mempool.space

A CoinDesk também mencionou o indicador Hash Ribbon, da Glassnode, que identifica períodos de capitulação por meio da relação entre médias móveis de curto e longo prazo do hashrate. O indicador inverteu em 29 de novembro de 2025, sugerindo que mineradores estavam vendendo reservas para cobrir despesas, o que aumenta a pressão vendedora no curto prazo.

Instituições mantêm interesse no Bitcoin apesar do cenário adverso

Apesar do ambiente desafiador, o mercado segue atraindo grandes investidores. Michael Saylor indicou que a Strategy pode realizar novas compras de Bitcoin. Além disso, o fluxo de entrada no mercado cripto registrou seu maior volume desde outubro de 2025, reforçando o interesse institucional.

Também na última semana, a Blockspace Media adquiriu a plataforma Bitcoin Layers, ampliando sua capacidade de análise do ecossistema. Portanto, mesmo com mineradores operando sob forte pressão, instituições continuam observando oportunidades estratégicas no setor.

No curto prazo, o custo acima do preço de mercado, a queda contínua do hashrate e os ajustes negativos de dificuldade mostram que mineradores enfrentam um cenário desafiador. Ainda assim, o interesse institucional sugere que o Bitcoin mantém relevância mesmo em fases de baixa rentabilidade.