Bitcoin passa de US$ 72.700 com trégua EUA-Irã

O dólar americano recuou ao menor nível em um mês depois que Estados Unidos e Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas em 8 de abril. A trégua surpreendeu os mercados e provocou uma reprecificação ampla dos ativos de risco. Ao mesmo tempo, operadores reduziram posições defensivas e voltaram a buscar ações e criptomoedas.

Nesse movimento, o Bitcoin avançou rapidamente para acima de US$ 72.700. Além disso, os preços do petróleo caíram com força, enquanto o dólar perdeu impulso após semanas sustentado pela aversão ao risco ligada ao cenário geopolítico.

Dólar fraco ampliou o apetite por risco

O acordo previa mecanismos para estender a trégua além das duas semanas iniciais. O Paquistão atuava como mediador entre as partes, e minutas foram trocadas dentro desse arranjo diplomático conduzido por Islamabad. Dessa forma, Estados Unidos e Irã mantinham ao menos um canal formal de negociação.

O pano de fundo da trégua estava nas tensões de longa data sobre o programa nuclear iraniano e a segurança no Estreito de Ormuz. Afinal, essa é uma das rotas mais sensíveis do comércio global de energia. Cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo passa por essa passagem marítima.

Por isso, sinais de escalada ou distensão na região costumam provocar reações imediatas nos mercados de energia, câmbio e ativos de risco. Nesse contexto, a alta do Bitcoin seguiu um padrão visto em outros períodos recentes. Quando o dólar enfraquece, ativos cotados em US$ tendem a ficar mais atrativos para compradores internacionais.

Com efeito, esse fator se somou à melhora do apetite por risco. Como resultado, a principal criptomoeda ganhou força, enquanto outros ativos digitais também acompanharam o movimento positivo.

Mercados reduziram proteção após o cessar-fogo

A notícia do cessar-fogo levou investidores a desmontar posições típicas de proteção. Em seguida, parte do capital voltou para segmentos mais voláteis. Além do Bitcoin acima de US$ 72.700, outras criptomoedas também subiram.

O petróleo reagiu na direção oposta. Como o risco de interrupção no fluxo energético pelo Estreito de Ormuz diminuiu, os preços da commodity recuaram de forma acentuada. Além disso, sem a sustentação do prêmio geopolítico, o dólar perdeu força frente a moedas rivais.

Ataques de maio reduziram o otimismo inicial

Apesar da reação positiva no primeiro momento, o quadro mostrou rapidamente como esse tipo de alívio pode ser temporário. No entanto, novos ataques militares dos Estados Unidos em 26 de maio reforçaram que a situação seguia frágil e sujeita a reversões bruscas.

Após esses ataques, o Bitcoin caiu para abaixo de US$ 73.000 e atingiu a mínima em seis semanas. Assim, o mercado apagou na prática os ganhos associados à primeira onda de otimismo com o cessar-fogo. O movimento também reforçou a sensibilidade do ativo a choques geopolíticos.

Essa sensibilidade aumenta quando os choques alteram a percepção global de risco e a trajetória do dólar. Por conseguinte, a volta da busca por proteção favoreceu novamente a moeda americana.

Polymarket indicou virada brusca no sentimento

Nos mercados de previsões, as chances de um acordo de paz permanente entre Estados Unidos e Irã até o fim de maio despencaram de 70% para apenas 8% depois dos ataques de maio, segundo a Polymarket.

A oscilação das probabilidades, de 70% para 8%, destacou a utilidade dos mercados de previsões como termômetro de sentimento em tempo real. Ainda assim, esse tipo de indicador não elimina a volatilidade. Pelo contrário, apenas mostra com mais rapidez o quanto o cenário geopolítico influencia o preço do Bitcoin e de outros ativos de risco.

No saldo do episódio, os dados centrais permaneceram claros. O cessar-fogo de 8 de abril levou o Bitcoin para acima de US$ 72.700, derrubou o petróleo e enfraqueceu o dólar. Posteriormente, os ataques de 26 de maio inverteram parte dessa dinâmica, levaram a principal criptomoeda para abaixo de US$ 73.000 e reduziram de 70% para 8% as chances de um acordo permanente entre Estados Unidos e Irã nos mercados de previsões.