Bitcoin perde demanda e risco de queda, diz Moreno
O Bitcoin segue sob pressão no curto prazo, enquanto a volatilidade ainda domina o mercado. Atualmente, o ativo enfrenta o risco de testar novamente a faixa dos US$ 70.000 após uma correção recente. Ao mesmo tempo, mudanças relevantes na dinâmica de demanda ganham destaque e, por conseguinte, podem influenciar diretamente a trajetória dos preços nas próximas semanas.
Demanda entra em fase de transição
O mercado apresenta sinais de enfraquecimento, ao passo que investidores reduzem o ritmo de compras. Uma análise publicada por Julio Moreno aponta que a demanda total por Bitcoin entrou em contração em 18 de maio. Esse movimento, ainda gradual, marca uma inflexão relevante após um período de crescimento consistente desde o início de março.

Fonte: gráfico de Julio Moreno no X
Anteriormente, o avanço dos preços foi impulsionado principalmente pela demanda especulativa. No entanto, conforme o ativo se aproximou da região de US$ 80.000, esse interesse desacelerou de forma significativa. Assim, o mercado passou a apresentar menor intensidade compradora.
Além disso, a demanda no mercado à vista, representada no gráfico pelas barras cinzas, registra queda ainda mais acentuada. Em outras palavras, tanto investidores de curto quanto de longo prazo demonstram cautela. Dessa forma, a combinação desses fatores pode definir o próximo movimento relevante do Bitcoin.
Atividade especulativa perde força
Segundo Moreno, a desaceleração da demanda especulativa indica um esfriamento no apetite por risco. Ainda que esse comportamento não confirme uma reversão imediata, ele sugere, no mínimo, uma fase de consolidação. Por outro lado, caso a pressão vendedora se intensifique, o mercado pode testar níveis mais baixos.
Com efeito, a redução simultânea da demanda especulativa e à vista cria um ambiente mais frágil. Nesse sentido, traders e investidores monitoram atentamente os próximos movimentos, sobretudo em busca de sinais mais claros de direção.
Aumento de Bitcoin em prejuízo acende alerta
Outro indicador reforça o cenário de cautela. O analista Darkfost, da CryptoQuant, afirma que o volume de Bitcoin mantido com prejuízo por investidores de longo prazo se aproxima de 5,7 milhões de moedas. Historicamente, esse nível é semelhante ao observado em momentos críticos de ciclos anteriores.
Em ciclos passados, esse volume atingiu cerca de 5,96 milhões de BTC em 2015, 5,8 milhões em 2019 e 6,8 milhões em 2022. Apesar disso, a correção atual, próxima de 52%, ainda é menos intensa que as quedas anteriores. Ainda assim, o número chama atenção, sobretudo no contexto de desaceleração da demanda.
Distribuição recente de preços influencia perdas
Grande parte das negociações recentes ocorreu entre US$ 80.000 e US$ 126.000. Como resultado, as perdas concentram-se principalmente entre investidores mais recentes dentro do grupo de longo prazo. Esse fator pode aumentar a sensibilidade do mercado a novas quedas.
Além disso, há distorções pontuais nos dados. Parte delas decorre da movimentação de aproximadamente 800.000 BTC da Coinbase em novembro, bem como de um pico superior a 740.000 BTC registrado em abril. Ainda assim, mesmo com ajustes, o volume em prejuízo permanece elevado, próximo de 4,93 milhões de BTC.
BTC sendo negociado a US$ 77.297 no gráfico diário | Fonte: TradingView
Adicionalmente, métricas que classificam investidores de longo prazo com base em um limite de seis meses podem sofrer alterações em breve. Isso ocorre porque moedas movimentadas anteriormente passarão a integrar essa categoria, o que pode alterar a leitura atual dos dados.
Em conclusão, a contração da demanda, aliada à desaceleração da atividade especulativa e ao aumento do volume de Bitcoin em prejuízo, aponta para um momento de transição. Portanto, embora ainda não haja confirmação de tendência definida, o cenário exige cautela redobrada por parte dos investidores.