Bitcoin perde espaço por risco quântico em carteira institucional
O estrategista global da Jefferies, Chris Wood, decidiu retirar o Bitcoin de seu portfólio de longo prazo após avaliar que os avanços recentes em computação quântica ampliam o risco estrutural para a segurança da criptomoeda. A mudança ganhou destaque quando Matthew Sigel, chefe de pesquisa da VanEck, comentou que a revisão representa um rebaixamento relevante vindo de um dos estrategistas mais acompanhados de Wall Street.
Risco quântico pressiona debates sobre segurança do Bitcoin
Wood afirmou que a saída do ativo não tem relação com uma possível queda imediata no preço. No entanto, ele explicou que a tese de reserva de valor perdeu solidez porque a computação quântica passou a integrar discussões reais entre gestores institucionais. Além disso, o impacto potencial dessa tecnologia sobre sistemas de cripto, como o que protege o Bitcoin, tornou o tema urgente nas avaliações de fundos de pensão.
Em sua revisão de portfólio, o estrategista removeu a alocação de 10 por cento destinada ao Bitcoin. Assim, redistribuiu cinco por cento para ouro e cinco por cento para ações de mineradoras de ouro. Segundo ele, mesmo com o desempenho superior do Bitcoin desde 2020, o avanço acelerado da computação quântica alterou o equilíbrio entre retorno e segurança no longo prazo.
Desde dezembro de 2020, quando o ativo foi incluído em sua carteira modelo, o Bitcoin acumulou valorização de 325 por cento, enquanto o ouro subiu 145 por cento. Ainda assim, Wood destacou que especialistas agora projetam computadores quânticos capazes de quebrar mecanismos de cripto em poucos anos. Portanto, o risco deixou de ser classificado como distante e passou a influenciar decisões de alocação.
O estrategista alertou que a principal ameaça envolve a possibilidade de computadores quânticos avançados conseguirem reverter o processo criptográfico que protege as chaves privadas. Assim, uma chave pública poderia ser convertida em privada em poucas horas. Esse cenário permitiria ataques diretos a saldos expostos, colocando o ecossistema em risco imediato.
Wood afirmou também que parte da comunidade discute medidas para mitigar o problema. Entre elas estão propostas de queimar moedas vulneráveis ou, no entanto, simplesmente não aplicar mudanças estruturais. Ele destacou que alguns pesquisadores classificam a segunda opção como arriscada, pois deixaria endereços expostos a agentes com poder computacional quântico.
Reação de Matthew Sigel e impacto no setor
Matthew Sigel, da VanEck, comentou que o desafio não está apenas na existência do risco, mas nas diferenças entre sistemas tradicionais e o Bitcoin. Além disso, bancos podem aplicar atualizações com rapidez. No Bitcoin, ajustes exigem consenso amplo e levam anos. O pesquisador lembrou que sistemas bancários permitem reverter transações, enquanto a irreversibilidade é uma característica central do Bitcoin.
Sigel mencionou que já aplicou pequenas proteções relacionadas ao risco quântico em seu ETF Onchain Economy (NODE). Mesmo assim, mantém exposição ao Bitcoin por meio de ETF como sua principal posição, já que entende o risco como solucionável, semelhante a desafios enfrentados pela rede ao longo de sua história.
No momento da análise, o Bitcoin era negociado a US$ 90.941.

Bitcoin rejeitado na retração de Fibonacci 0.618, gráfico semanal. Fonte: TradingView
A remoção do ativo do portfólio de Wood reforça que a computação quântica deixou o campo teórico e passou a influenciar decisões reais. Além disso, mostra que a segurança da rede e a tese de reserva de valor seguem no centro das discussões institucionais sobre o futuro do Bitcoin.