Bitcoin perto de fundo reacende disputa com o ouro

O Bitcoin voltou a ganhar força no debate do mercado após recuar para a faixa de US$ 75.000, movimento que reduziu parte das perdas recentes e reacendeu discussões sobre a possível rotação de capital entre ouro e cripto. A queda ocorreu em meio à correção mais ampla das commodities, das ações e de outros ativos digitais, enquanto o ouro também devolveu parte do avanço depois de renovar seu recorde histórico.

O ativo encontrou suporte relevante após atingir patamares próximos de US$ 88.000. Além disso, a oscilação intensa levou analistas a revisarem indicadores macroeconômicos e padrões históricos que podem sinalizar uma transição entre ativos tradicionais e alternativas de maior risco.

Análises de Tom Lee reforçam possibilidade de fundo

O estrategista da Fundstrat, Tom Lee, afirmou à CNBC que o Bitcoin está muito próximo de um fundo local. Segundo ele, os fundamentos da rede seguem sólidos e podem sustentar uma eventual retomada. Além disso, Lee relembrou projeções feitas em novembro de 2025, quando a equipe estimou o Bitcoin em US$ 77.000 e o Ethereum em US$ 2.400, níveis revisitados recentemente.

Para Lee, o enfraquecimento do sentimento pessimista indica que a pressão vendedora pode estar perto do fim. Assim, o momento atual pode representar uma oportunidade de compra para investidores interessados em ampliar sua exposição.

Indicadores ampliam o debate sobre retomada

O analista destacou que mudanças no sentimento costumam surgir antes de movimentos decisivos. Portanto, a reversão de humor pode sugerir que o ciclo atual está prestes a ganhar um novo impulso, dependendo das condições macroeconômicas.

Histórico do ouro e do Bitcoin volta ao centro das análises

O analista Bull Theory revisitou o comportamento dos mercados em 2020, quando o ouro atingiu a região de US$ 2.075 antes de recuar cerca de 10%. Naquele período, o Bitcoin também caiu inicialmente, mas, posteriormente, acumulou alta superior a 500% entre setembro de 2020 e abril de 2021, enquanto o ouro teve desempenho inferior.

Segundo Bull Theory, o padrão atual guarda semelhanças importantes. O ouro já acumula alta superior a 20% no ano, enquanto o Bitcoin perdeu força após a correção. No entanto, movimentos parecidos no passado antecederam ciclos de migração de capital para ativos de maior risco, ainda que o momento da transição continue incerto.

Fonte: X

O analista também comentou o Índice ISM de Manufatura, que permanece acima de 50. Esse patamar indica expansão econômica e, em ciclos anteriores, foi relacionado ao aumento do apetite por risco.

Indicadores reforçam relação entre risco e expansão

O avanço do ISM, portanto, pode influenciar os fluxos de capital e direcionar parte do mercado para ativos alternativos, caso o cenário econômico sustente expectativas mais otimistas.

Comparativo entre ouro e Bitcoin ganha tração

Analistas do canal de Maurizio Pedrazzoli analisaram o gráfico BTC/Gold e observaram que o ativo digital opera em níveis vistos pela última vez há mais de um ano, após queda entre 50% e 60% desde o pico do ciclo atual. Além disso, destacaram que essa região tende a marcar zonas de estabilização, embora sem sinalizar reversão imediata.

Os especialistas também mencionaram que a forte alta do ouro em prazos longos tende a perder força posteriormente. Assim, esse comportamento pode influenciar a relação entre os dois ativos nos próximos meses.

Movimentos do ouro podem influenciar novos ciclos

Ciclos de commodities frequentemente alternam fases de aceleração e desaceleração. Portanto, uma eventual perda de fôlego do ouro pode abrir espaço para maior demanda por ativos digitais.

Fluxos de ETFs e macroeconomia seguem decisivos

Os ETFs de Bitcoin à vista registraram saídas líquidas contínuas nas últimas semanas, com retiradas diárias que chegaram a centenas de milhões de dólares. O movimento reflete a busca por alternativas consideradas mais seguras diante dos juros elevados e da força de ativos defensivos.

Analistas destacam que esses fluxos devem ser avaliados junto a indicadores como expectativas para juros, comportamento do dólar e desempenho das commodities. Portanto, a direção do Bitcoin dependerá do posicionamento do capital nos próximos meses.

No conjunto, a relação entre Bitcoin, ouro e ETFs mostra que o mercado permanece atento ao cenário global. As análises de Tom Lee e Bull Theory, somadas ao comportamento das commodities e aos fluxos institucionais, reforçam que o atual momento pode moldar os movimentos de curto prazo dos principais ativos.