Bitcoin perto de US$ 81 mil com ETFs e baleias cautelosas
O mercado cripto vive uma fase de fortes contrastes. Enquanto o Bitcoin se aproxima de US$ 81 mil, os ETFs à vista recebem fluxos bilionários. Com isso, investidores institucionais voltam a buscar exposição ao risco.
Por outro lado, grandes baleias realizam lucros durante a recuperação. A Strategy também interrompeu novas compras para reforçar seu balanço. Nesse cenário, críticas da imprensa ampliam o debate sobre o Bitcoin e os desequilíbrios fiscais dos Estados Unidos.
Demanda institucional impulsiona o Bitcoin
Ray Dalio cita ouro e Bitcoin diante da dívida
Em seu ensaio mais recente, Ray Dalio afirmou que ouro e Bitcoin podem apresentar bom desempenho diante do crescimento acelerado da dívida pública global. Contudo, o investidor não fez uma previsão apocalíptica. Ele destacou os riscos associados aos atuais desequilíbrios fiscais.
Especificamente, Dalio propôs destinar até 15% do capital ao ouro como proteção. Ele também defendeu uma pequena exposição ao Bitcoin. Ainda assim, sua reflexão não aponta uma crise imediata nem permite antecipar com precisão o desempenho de cada investimento.
Segundo Dalio, os ciclos financeiros mudam ao longo do tempo. Portanto, nenhuma estratégia de investimento deveria depender exclusivamente de um único cenário econômico.
Críticas ao Bitcoin destacam risco de queda
Em um artigo, o Financial Times classificou o Bitcoin como um investimento destinado a desaparecer. A publicação também estimou que o BTC ainda estaria cerca de US$ 70 mil acima de seu suposto valor real.
O Bitcoin ainda está cerca de US$ 69 mil alto demais.
Financial Times, no X
A jornalista Jemima Kelly comparou os investidores a uma pessoa em queda livre, que acredita estar segura até o impacto. Dessa maneira, ela projetou um eventual colapso do mercado. O preço poderia se aproximar de zero caso novos compradores deixassem de chegar.
Entretanto, defensores do Bitcoin destacam a resiliência da rede e a transparência da blockchain. Para eles, as críticas ignoram o registro público das transações. Também desconsideram a capacidade do Bitcoin de atravessar diferentes ciclos de mercado.
Strategy reforça caixa e pausa novas compras
A empresa de Michael Saylor iniciou uma etapa voltada ao fortalecimento financeiro. Embora suas reservas permaneçam próximas de 840 mil BTC, a Strategy priorizou a solidez do balanço. Assim, a companhia suspendeu temporariamente novas aquisições.
A Strategy elevou a reserva em dólares para US$ 5,10 bilhões. Também estabeleceu US$ 1,59 bilhão adicionais em caixa e recomprou US$ 136 milhões de STRC. Em 23 de agosto de 2026, a empresa detinha cerca de 4% da oferta total de BTC. Sua alavancagem líquida estava próxima de 0%.
Strategy, no X
A reserva em dólares alcançou US$ 5,1 bilhões, quase seis vezes o nível registrado em maio. Ao mesmo tempo, a companhia mantinha US$ 1,59 bilhão adicional em caixa. Essa liquidez seria suficiente para cobrir mais de dois anos de dividendos e juros.
Por meio da emissão de ações ordinárias, a empresa recomprou US$ 136 milhões em ações preferenciais STRC abaixo do valor nominal. Dessa forma, reduziu obrigações futuras com dividendos. A operação também apoiou o instrumento após a queda registrada em junho.
Apesar das obrigações relacionadas a dívidas e ações preferenciais, o caixa e a tesouraria em Bitcoin compensam amplamente esses compromissos. A estrutura permanece sólida mesmo com perdas não realizadas em algumas compras.
Baleias vendem enquanto ETFs sustentam avanço
As superbaleias, que controlam mais de 10 mil BTC, aproveitam o otimismo para reduzir posições e realizar lucros. Alguns investidores de varejo adotam a mesma estratégia. Enquanto isso, participantes de médio porte absorvem parte dessa oferta e ajudam a sustentar o mercado.
Essa pressão vendedora se combina com uma participação menos agressiva do varejo. Como resultado, o movimento gera incerteza no curto prazo. A continuidade da alta dependerá de demanda suficiente para absorver as vendas das baleias.
O Bitcoin registrou sua maior alta de três dias desde 2023 e chegou perto de US$ 81 mil. O movimento liquidou aproximadamente US$ 4 bilhões em posições vendidas. Anúncios do Tesouro dos Estados Unidos também favoreceram investimentos de risco.
Além desses fatores, os ETFs de Bitcoin à vista receberam US$ 1,92 bilhão em entradas líquidas durante a última semana. A emissão de stablecoins, o volume de negociação e o mercado de opções indicaram maior confiança no longo prazo.
Ainda existem dúvidas sobre a duração do avanço. O movimento pode representar um repique temporário ou uma reversão mais consistente. Por ora, a demanda institucional e a oferta limitada sustentam as expectativas de consolidação da recuperação.
Bitcoin é uma conquista criptográfica extraordinária, e a capacidade de criar algo que não pode ser duplicado no mundo digital tem enorme valor.
Eric Schmidt