Bitcoin pode adotar ciclo de 6 a 8 anos, diz Willy Woo
O Bitcoin pode estar deixando para trás seu ciclo de quatro anos. Ao mesmo tempo, o capital institucional e a liquidez macroeconômica ganham influência sobre o preço. Assim, as condições de crédito podem se tornar mais relevantes para as grandes viradas do mercado.
Em 3 de setembro, o analista Willy Woo afirmou no X que o Bitcoin pode migrar para um ritmo de seis a oito anos. Segundo Woo, esse intervalo se aproxima do ciclo de dívida de curto prazo das finanças tradicionais. Portanto, o calendário dos halvings poderia perder parte de sua influência relativa. A mudança, porém, ainda representa uma hipótese em desenvolvimento.
Woo não considera os halvings irrelevantes. Contudo, ele argumenta que seu peso diminui diante do capital presente em produtos negociados em bolsa, tesourarias corporativas e outros canais institucionais. Dessa forma, os fluxos de portfólio e a liquidez global podem definir uma parcela crescente dos ciclos do Bitcoin.
Emissão após os halvings perde impacto relativo
O halving de abril de 2024 reduziu a recompensa por bloco para 3,125 BTC. Com isso, a emissão anual caiu para cerca de 164.250 BTC. Esse volume corresponde a aproximadamente 0,82% da oferta circulante atual. Já o próximo halving deve ocorrer em 2028.
Nessa ocasião, a emissão anual deverá cair novamente, para cerca de 82.125 BTC. Então, o montante representaria aproximadamente 0,41% da atual oferta circulante. Nesse cenário, cada choque provocado pela entrada de novos Bitcoins se torna menor.
Ao mesmo tempo, a presença de Wall Street no mercado continua aumentando. Por isso, o relógio interno do Bitcoin enfrenta uma concorrência crescente de fatores externos. Crédito, liquidez e decisões de portfólio passam a dividir espaço com a redução programada da emissão.
Posições institucionais superam a nova oferta
O equilíbrio mudou de forma relevante, pois as participações institucionais superam o volume anual colocado em circulação pelos mineradores. Dados do Bitcoin Treasuries indicam que 100 empresas públicas detêm mais de 1,2 milhão de BTC. Enquanto isso, produtos negociados em bolsa de Bitcoin no mundo controlam mais de 1,5 milhão de BTC.
Juntos, esses dois grupos concentram mais de 2,7 milhões de BTC. Esse estoque supera em mais de 16 vezes a quantidade produzida pelos mineradores durante um ano. Depois do halving de 2028, a diferença poderá aumentar com a emissão anual próxima de 82.125 BTC.
A comparação não significa que os investidores institucionais determinam o preço. Ainda assim, ela mostra como a nova oferta dos mineradores ficou menor diante dos Bitcoins mantidos por empresas e produtos de investimento regulados. Nesse sentido, Woo destaca a importância crescente do crédito, da liquidez global e dos fluxos de portfólio.
Pesquisas ainda veem influência do ciclo de quatro anos
O ciclo histórico de quatro anos sempre funcionou como um padrão aproximado, e não como uma regra mecânica. Afinal, halvings, política monetária e psicologia dos investidores se sobrepuseram nos ciclos anteriores. Além disso, o número limitado de ciclos concluídos dificulta a definição de um padrão permanente.
Estudos recentes também evitam declarar o fim do modelo anterior. Em junho, a Galaxy Research afirmou que o ciclo de quatro anos permanecia visível, embora sua amplitude estivesse diminuindo. De modo semelhante, uma revisão de meio de ano da 21Shares classificou o padrão como evolutivo, e não rompido.
Maior capitalização pode alterar os próximos ciclos
A Fidelity Digital Assets também argumentou que a maior capitalização do Bitcoin pode alterar os próximos ciclos. Além da presença institucional mais ampla, a instituição citou a menor volatilidade como um fator relevante. Logo, a tese de Woo sobre um ciclo de seis a oito anos ainda não representa uma substituição confirmada.
No entanto, o mercado já apresenta uma mudança mensurável. A emissão anual dos mineradores encolhe para uma fração da oferta circulante, enquanto milhões de Bitcoins permanecem em veículos institucionais. Caso essa tendência continue, o próximo grande ciclo poderá depender menos do halving isolado e mais do crédito e da liquidez dos mercados tradicionais.