Bitcoin pode ficar preso a US$ 76 mil mesmo com CLARITY Act

Em 15 de setembro, o Bitcoin era negociado perto de US$ 76 mil, com queda de 3,22% em 24 horas. Ainda assim, acumulava alta de 20,43% em 30 dias. Agora, a recuperação depende da votação processual do CLARITY Act no Senado e da reunião do Federal Reserve.

O projeto busca estabelecer regras para o mercado de ativos digitais nos Estados Unidos. Contudo, um avanço regulatório não elimina sozinho as pressões do petróleo caro e dos rendimentos elevados dos títulos públicos. Nesse contexto, o mercado avalia três caminhos: recuperação, nova onda de vendas ou meses de consolidação volátil.

Petróleo e juros pressionam o Bitcoin

Os preços ao consumidor de agosto subiram 0,4% no mês, criando um canal direto de pressão sobre os investidores. Além disso, a gasolina respondeu por mais de um terço desse avanço. Enquanto isso, o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3%. Já os futuros do Brent para novembro alcançaram US$ 107,35 por barril às 5h GMT de 15 de setembro, conforme a cotação reportada pela EFE.

Ao mesmo tempo, o rendimento do Treasury de dez anos dos Estados Unidos chegou a 4,97% em 14 de setembro. O rendimento real de dez anos, por sua vez, atingiu 2,60% em 11 de setembro. Por isso, investidores encontram referências de retorno que competem com a exposição ao Bitcoin.

Reunião do Fed amplia a incerteza

A reunião do Fed ocorrerá em 15 e 16 de setembro. Além disso, a instituição divulgará novas projeções econômicas. Sob essa ótica, a combinação entre energia cara, inflação e juros altos pode dificultar a sustentação das compras de Bitcoin.

CLARITY Act ainda depende de novas etapas

A Galeria de Imprensa do Senado informou que a moção para limitar o debate sobre o CLARITY ficou elegível para votação. O horário previsto era 14h15, no fuso do leste dos Estados Unidos, em 15 de setembro. Contudo, a medida representa apenas um marco processual. A aprovação definitiva da lei ainda exige várias etapas.

Por sua vez, a senadora Cynthia Lummis divulgou um texto atualizado do projeto. As revisões abordam o registro de protocolos, transações específicas de finanças descentralizadas e atividades com ativos digitais por cooperativas de crédito. Caso avance, a proposta poderá fortalecer as expectativas por uma estrutura regulatória duradoura. Ainda assim, a recuperação dependerá também do alívio energético e da estabilização dos rendimentos reais.

Oferta de petróleo pode abrir espaço para alívio

Há, porém, uma possível rota para reduzir essas pressões. A projeção de setembro da EIA prevê restrições às exportações do Oriente Médio até o fim do ano. Ao mesmo tempo, o relatório considera uma recuperação gradual da produção. Concluído em 3 de setembro, o documento estima preços médios do Brent perto de US$ 90 no segundo semestre.

Risco para o Bitcoin passa pelas carteiras

A estimativa da EIA representa uma média condicional, e não uma meta para os contratos futuros atuais. Dessa forma, o sinal mais relevante seria uma melhora da oferta física, seguida por menor pressão inflacionária e condições financeiras mais favoráveis. Em contrapartida, uma alta que resista aos anúncios políticos teria mais importância que um salto breve seguido por vendas. Esse comportamento tornaria a recuperação do Bitcoin mais consistente.

Por outro lado, o Bitcoin pode continuar pressionado se a ruptura energética persistir e os rendimentos permanecerem restritivos. Nesse cenário, investidores comparariam os ganhos potenciais das criptomoedas com custos elevados de financiamento e retornos disponíveis em outros mercados. Além disso, uma correção nas ações ligadas à inteligência artificial poderia ampliar a aversão ao risco. O impacto chegaria ao Bitcoin por meio da redução generalizada das posições nas carteiras.

Dólar e ações também exigem atenção

Na avaliação de julho, o Banco da Inglaterra alertou sobre uma eventual reavaliação das perspectivas de lucros da inteligência artificial. Segundo a instituição, a concentração nos índices, as posições de momentum e a alavancagem poderiam ampliar as quedas. Com isso, uma venda liderada pelo setor poderia levar investidores a reduzir outras exposições de risco. O sinal de alerta seria a fraqueza conjunta das ações e do Bitcoin, acompanhada por custos de financiamento elevados.

O dólar também merece atenção, embora os movimentos dos títulos não provoquem sempre a mesma reação. Uma análise do Conselho Mundial do Ouro indicou que taxas curtas maiores podem sinalizar credibilidade monetária. Já rendimentos longos mais altos podem refletir riscos fiscais e inflacionários. Logo, a causa da alta dos rendimentos importa tanto quanto o nível observado.

Também existe a possibilidade de um fim de ano instável, com avanços regulatórios e energia cara produzindo efeitos opostos. Nesse caso, o Bitcoin poderia oscilar após cada anúncio sem estabelecer uma tendência duradoura. Porém, ganhos sustentados depois das notícias legislativas e das orientações do Fed fortaleceriam a hipótese de recuperação. Já a persistência dos juros reais elevados manteria o risco de consolidação perto de US$ 76 mil.