Bitcoin pode perder US$ 63 mil em julho

O Bitcoin iniciou julho em terreno mais firme e voltou a operar acima de US$ 63 mil. Ainda assim, a estrutura de preço segue volátil e mantém investidores atentos a um novo teste de suportes no curto prazo.

No momento da apuração, o ativo era negociado perto de US$ 63.190, com alta de cerca de 0,6% em 24 horas. A recuperação ocorreu após semanas de oscilação. Além disso, ganhou apoio da melhora no posicionamento do mercado de derivativos, da redução da pressão vendedora no mercado à vista e de uma sazonalidade historicamente favorável.

As condições técnicas ficaram mais equilibradas, ao passo que os fluxos institucionais mostraram melhora. Mesmo assim, analistas avaliam que o cenário continua dividido entre a continuidade da recuperação e a retomada da correção.

Julho reforça suporte histórico para o Bitcoin

Analistas da empresa de trading de criptomoedas QCP observaram que a reação do início de julho segue um padrão conhecido no mercado. Para a companhia, julho costuma figurar entre os meses de melhor desempenho do Bitcoin, com retorno médio em torno de 7,5%.

Ademais, a QCP destacou que os volumes mais leves durante o feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos ajudaram a preservar o impulso altista. Isso ocorreu depois que dados do mercado de trabalho norte-americano vieram abaixo do esperado. Como resultado, parte da pressão sobre ativos de risco diminuiu.

Outro ponto relevante envolve o mercado de derivativos. Na leitura da empresa, os traders ficaram menos defensivos do que nas semanas anteriores. Dessa forma, o ambiente de negociação passou a indicar maior estabilidade no curto prazo.

Entre os sinais positivos, a QCP citou a continuidade da queda na volatilidade implícita, bem como a moderação do skew das opções de venda de curto prazo. Esse indicador havia subido com força durante a correção recente. Agora, porém, mostra um quadro menos pressionado.

Além disso, a empresa observou interesse relevante em opções de compra com strike de US$ 70 mil e vencimento no fim de julho. Em outras palavras, parte do mercado ainda vê espaço para novas altas, mesmo com a volatilidade presente.

Proteções em US$ 58 mil mostram cautela

Apesar da melhora no sentimento, o otimismo não é absoluto. A QCP ressaltou que ainda existe demanda por opções de venda com strike de US$ 58 mil e vencimento mais à frente neste ano. Portanto, muitos investidores seguem protegidos contra o risco de uma reversão mais forte.

De fato, esse tipo de proteção sugere receio de que a recuperação atual repita o padrão de 2022. Naquele período, o Bitcoin registrou um repique temporário durante o mercado de baixa, mas depois retomou a trajetória de queda.

Esse contraste entre apetite por calls em US$ 70 mil e proteção em puts de US$ 58 mil mostra um mercado dividido. Assim, embora julho tenha histórico positivo, o posicionamento ainda reflete cautela relevante.

Leitura técnica indica consolidação no curto prazo

No gráfico de quatro horas do par BTC/USD, a leitura técnica indica que o Bitcoin preserva uma estrutura altista após a recuperação da semana passada. No entanto, os indicadores de momento ainda apontam consolidação, sem domínio claro de compradores ou vendedores.

O Índice de Força Relativa, o RSI, em 55 reforça essa percepção de equilíbrio. Ao mesmo tempo, as linhas do MACD seguem em zona neutra, o que confirma um viés de curto prazo ainda sem direção definida.

Gráfico BTC/USD em 4 horas
Gráfico BTC/USD em 4 horas

Se a pressão vendedora voltar a ganhar força, o Bitcoin pode cair abaixo de US$ 63 mil. Nesse caso, o preço pode buscar a região marcada como TLQ no gráfico de quatro horas, em US$ 61.365. Esse nível representa o principal cenário de baixa citado na análise.

Por outro lado, se os compradores retomarem o controle, o ativo poderá romper a barreira de US$ 64 mil. Nesse cenário, o próximo alvo técnico passa a ser a máxima de 15 de junho, em US$ 67.125.

Assim sendo, a faixa entre US$ 63 mil e US$ 64 mil concentra a disputa mais imediata. Acima desse intervalo, o mercado pode ganhar tração. Abaixo dele, o risco de correção volta a se intensificar.

Glassnode vê queda da pressão vendedora à vista

Além do comportamento dos derivativos, a leitura da Glassnode acrescenta um elemento importante ao cenário. A empresa de análise on-chain aponta que o Bitcoin começou a mostrar sinais de estabilização da estrutura de mercado, com redução significativa da pressão de venda no mercado à vista.

Esse ponto importa porque o mercado à vista costuma oferecer uma leitura mais direta sobre oferta e demanda reais. Portanto, quando essa pressão diminui, o preço tende a encontrar uma base mais consistente, ainda que o avanço não ocorra de forma linear.

Com efeito, a combinação entre menor estresse nos derivativos, recuo do fluxo vendedor à vista e sazonalidade historicamente positiva para julho ajuda a explicar a melhora recente do sentimento. Contudo, a permanência de proteções em strikes mais baixos e a neutralidade dos indicadores técnicos mostram que a volatilidade ainda não saiu de cena.

Em suma, com o Bitcoin perto de US$ 63.190, julho com média histórica de ganho de 7,5%, interesse em calls de US$ 70 mil e proteção em puts de US$ 58 mil, o mercado segue dividido. O cenário altista aponta para US$ 67.125, enquanto o cenário de baixa mantém no radar uma queda abaixo de US$ 63 mil, com suporte técnico projetado em US$ 61.365.