Bitcoin pode perder US$ 80 mil com busca por títulos

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Em 22 de outubro, o Bitcoin perdeu brevemente o suporte de US$ 81 mil, enquanto o Nasdaq caiu mais de 2%. No mesmo pregão, o ouro à vista recuou 2,7%, para US$ 4.025. Já a prata caiu 5,8% e se aproximou de US$ 54,63.

O rendimento dos Treasuries de dez anos caiu de 5,146% para menos de 5%. Essa foi a maior queda diária em mais de dois anos. Em contrapartida, o petróleo Brent atingiu US$ 114,70, seu maior patamar no ano.

Títulos públicos ampliam pressão sobre o Bitcoin

Rendimentos menores elevam os preços dos títulos e indicam compras de Treasuries. Esse movimento ocorreu com a faixa de juros do Federal Reserve entre 3,75% e 4%. Portanto, a venda refletiu a saída de investimentos arriscados em direção aos títulos públicos. A sessão reuniu quedas em mercados que costumam seguir direções diferentes.

Nesse cenário, o Bitcoin acompanhou as ações, enquanto o ouro também perdeu valor. Ao mesmo tempo, o índice do dólar caiu ao menor nível desde 1º de outubro. O recuo ocorreu apesar de dois fatores tradicionais de suporte ao ouro apontarem para cima. Dessa forma, a demanda defensiva favoreceu principalmente os títulos.

Ouro e títulos disputam capital defensivo

O World Gold Council publicou seu monitor semanal de mercados em 19 de outubro. O documento destacou a alta dos Treasuries durante a queda do Nasdaq, apesar da inflação elevada. Segundo o relatório, uma nova busca por segurança nos títulos poderia competir com o ouro. Contudo, rendimentos menores também reduzem o custo de oportunidade de manter o metal.

A alta dos títulos e a queda dos metais preciosos reforçaram a tese de competição por capital. Ainda assim, os preços não revelam a origem das compras. Fluxos dos ETFs de ouro, rendimentos reais e posições em futuros poderiam esclarecer o movimento. Esses indicadores também ajudariam a testar explicações alternativas.

Metais e crédito reforçam cautela dos investidores

A prata caiu mais que o ouro por causa da maior sensibilidade ao posicionamento e à demanda industrial. Enquanto isso, a Meta reportou receita trimestral de US$ 64,6 bilhões, com crescimento de 26%. Os investimentos de capital chegaram a US$ 34,9 bilhões. No entanto, o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 2,1 bilhões.

A Meta também elevou em US$ 5 bilhões o piso da previsão de investimentos para 2026. Agora, a companhia espera desembolsar entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões. Além disso, anunciou uma nova classe de ações sem direito a voto, destinada parcialmente a apoiar seu financiamento. As ações da empresa caíram cerca de 8% em 22 de outubro.

Na mesma sessão, o CDS de cinco anos da Meta subiu 7,6 pontos-base e alcançou o recorde de 114,79. O movimento apareceu em dados reportados pela Reuters. Já o spread da Oracle ficou perto de uma máxima histórica. O indicador da Amazon se aproximou do maior nível desde março de 2020.

Esses sinais abrangem apenas alguns grandes emissores. Por isso, uma restrição ampla de crédito ainda exige confirmação em índices de grau de investimento e high yield. Mesmo assim, a pressão reforça a aversão ao risco que atingiu ações e Bitcoin.

Petróleo aumenta riscos de inflação e desaceleração

O Brent superou US$ 111 após novos ataques houthis na Arábia Saudita elevarem os temores sobre a oferta. O petróleo também alcançou o maior nível desde maio. Como resultado, combustíveis mais caros alimentam a inflação. Ao mesmo tempo, os preços elevados reduzem o poder de compra de famílias e empresas.

O mercado precifica cerca de 78% de chance de alta dos juros em dezembro. Entretanto, investidores esperam que o Fed mantenha a taxa em 28 de outubro. Nesse contexto, o choque do petróleo preserva as expectativas de aperto monetário. Esse quadro limita o impulso que o ouro costuma receber quando os rendimentos caem.

Compradores de Treasuries podem estar priorizando o risco de desaceleração em vez da ameaça inflacionária. Porém, os preços da sessão não indicaram qual fator prevaleceu. A próxima reação dos títulos, do petróleo e das ações ajudará a esclarecer a dinâmica. Caso a aversão ao risco persista, o Bitcoin continuará sob pressão.

Suporte de US$ 80 mil entra no radar

Um relatório da Glassnode, divulgado em 21 de outubro, estima o custo médio dos ETFs de Bitcoin à vista em US$ 81.500. Para as tesourarias corporativas, a média está perto de US$ 80.200. Paralelamente, compradores recompuseram ordens à vista na região de US$ 80 mil. A faixa passou a concentrar a atenção do mercado.

Abaixo desse patamar, a True Market Mean está próxima de US$ 77.600. Por outro lado, a oferta acima do preço se concentra entre US$ 85 mil e US$ 87.500. Nessa faixa, aparecem as bases de custo de detentores antigos. Também existem agrupamentos de liquidações na região.

Os PMIs preliminares da S&P Global serão divulgados às 9h45 no horário do leste dos Estados Unidos. Depois, a pesquisa final da Universidade de Michigan sairá às 10h. O consenso aponta PMI industrial de 55,5, ante 55,9, e indicador de serviços de 58,0, contra 58,8. A pesquisa preliminar indicou inflação esperada de 4,7% em um ano e 3,5% no longo prazo.

Se os títulos estabilizarem e o petróleo recuar, a demanda defensiva poderá perder força. Uma recuperação das ações também apoiaria essa leitura. Nesse caso, o Bitcoin entre US$ 80 mil e US$ 81.500 indicaria absorção das vendas pela zona de custo. Um PMI fraco, combinado com inflação maior, criaria um cenário mais difícil para o ativo.

Um fechamento diário abaixo de US$ 80 mil deixaria investidores médios de ETFs e tesourarias corporativas no prejuízo. Consequentemente, o mercado passaria a observar o suporte de US$ 77.600. Até agora, a queda dos rendimentos dos Treasuries não criou condições mais favoráveis para o Bitcoin.

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