Bitcoin pode recuar a US$50 mil até abril, diz analista
O Bitcoin voltou a registrar forte pressão vendedora nesta quinta-feira, após perder o suporte de US$67 mil e ampliar a tendência de baixa iniciada em outubro de 2025. Esse movimento já retirou grande parte dos ganhos acumulados nos últimos recordes do ativo, o que reforça a incerteza em relação à formação de um fundo sólido no curto prazo.
Além disso, o analista Ali Martinez destacou que padrões históricos indicam a possibilidade de novas quedas nas próximas semanas, caso o comportamento atual permaneça semelhante ao de ciclos anteriores. Segundo ele, o mercado ainda mostra fragilidade e pode enfrentar um período adicional de correção.
Risco técnico aumenta após perda da média de 100 semanas
Martinez explicou em publicação no X que o Bitcoin voltou a fechar abaixo da média móvel simples de 100 semanas (100‑week SMA). De acordo com o analista, esse rompimento costuma anteceder quedas mais profundas, como observado em ciclos desde 2015.
No entanto, a dinâmica vista nesses períodos revela um padrão quase recorrente. Sempre que a média de 100 semanas foi perdida, o preço continuou caindo até a região da média de 200 semanas (200‑week SMA). Assim, esse comportamento técnico tende a sinalizar correções intensas, variando entre 45% e 58% ao longo de 30 a 50 dias.
Os registros históricos reforçam essa visão. Em dezembro de 2014, a queda após o rompimento da média de 100 semanas alcançou cerca de 55% em aproximadamente 35 dias. Em novembro de 2018, o recuo chegou a 45% em apenas 28 dias, enquanto em março de 2020 o crash provocado pelo início da pandemia derrubou o preço em 47% em uma semana.
Já em maio de 2022, o enfraquecimento técnico levou a uma queda próxima de 58%, concluída em menos de 50 dias. Portanto, Martinez avalia que o cenário atual pode repetir esse movimento caso a pressão vendedora continue dominando o mercado.
Gráfico diário mostra a queda do BTC nesta quinta-feira. Fonte: BTCUSDT no TradingView
Possível alvo entre US$56 mil e US$50 mil
Com base nesses antecedentes, o analista acredita que o Bitcoin pode buscar a faixa entre US$56 mil e US$50 mil entre março e abril. Segundo ele, o comportamento atual é consistente com outros momentos de forte correção e pode refletir um período de desalavancagem mais intensa no mercado.
Ainda assim, Martinez ressaltou que a perda da média de 100 semanas tem impacto psicológico relevante, pois muitos investidores utilizam esse indicador como referência de tendência macro. Portanto, o rompimento tende a reforçar o sentimento de cautela entre participantes do mercado.
Fluxos institucionais ampliam a pressão sobre o Bitcoin
Além dos fatores técnicos, o Deutsche Bank destacou que a correção recente é agravada pelos fluxos institucionais negativos. ETFs focados em cripto vêm registrando saídas consistentes desde outubro de 2025, intensificando a pressão de venda.
Somente nos Estados Unidos, os ETFs à vista de Bitcoin tiveram retiradas superiores a US$3 bilhões em janeiro. Além disso, dezembro registrou cerca de US$2 bilhões em saídas, enquanto novembro ultrapassou US$7 bilhões.
Segundo o banco, esse comportamento reflete redução de interesse por parte de investidores tradicionais e aumento do pessimismo em relação aos ativos digitais. Assim, o mercado monitora se o Bitcoin conseguirá estabilizar-se antes de novas quedas ou se ainda enfrentará mais volatilidade antes de uma possível recuperação.
Enquanto isso, analistas seguem atentos à combinação entre fatores técnicos e institucionais, já que ambos adicionam pressão imediata ao movimento de preço do ativo e mantêm o curto prazo imprevisível.