Bitcoin pode reduzir riscos de ataque quântico

O avanço da computação quântica reacendeu preocupações sobre a segurança do Bitcoin, sobretudo em relação aos antigos endereços P2PK que expõem chaves públicas. Esses endereços, usados nos primeiros blocos da rede, incluem o conjunto estimado de 1,1 milhão de BTC atribuído a Satoshi Nakamoto. Assim, pesquisadores alertam que um agente com capacidade quântica poderia tentar explorar essas estruturas vulneráveis.

Para enfrentar esse cenário, o desenvolvedor Hunter Beast apresentou a Hourglass V2, uma proposta que estabelece limites rígidos ao uso de outputs P2PK. Segundo ele, a intenção é impedir que grandes volumes de moedas antigas sejam drenados de uma só vez, evitando impactos severos na oferta circulante em caso de ataque.

Hourglass V2 busca limitar movimentações em endereços antigos

A atualização sugere que apenas um output P2PK possa ser usado como input por bloco. Dessa forma, o limite diário de movimentação cairia para aproximadamente 144 BTC. Além disso, a proposta impede a criação de novos outputs P2PK, evitando que outros formatos de endereço retornem ao padrão antigo. Também bloqueia conversões de outputs modernos para P2PK, reforçando a transição para padrões mais seguros.

De acordo com relatórios públicos, incluindo avaliações técnicas de empresas como a Chainalysis, centenas de bilhões de dólares em Bitcoin permanecem armazenados em formatos vulneráveis. No entanto, a Hourglass V2 concentra seu impacto apenas nos endereços P2PK usados originalmente por Satoshi. Essa restrição limitada evita complicações que poderiam surgir caso outros tipos de endereços fossem incluídos e preserva a interoperabilidade da rede.

Impactos práticos e proteção contra choques de oferta

Beast argumenta que congelar ou queimar moedas antigas seria visto como uma forma de confisco, o que violaria princípios fundamentais da rede. Portanto, a Hourglass V2 surge como alternativa moderada, pois mantém a posse original intacta ao mesmo tempo em que dificulta ações maliciosas. Esse equilíbrio reduz potenciais riscos de pressão vendedora, já que um ataque sem limites poderia liberar centenas de milhares de BTC em poucas horas.

Sem a proposta, mais de seis mil transações P2PK poderiam ser incluídas em um único bloco. Isso permitiria que mais de 300 mil BTC fossem movimentados imediatamente. Com as restrições, o processo levaria mais de trinta anos, tornando impraticável qualquer tentativa de despejo massivo de moedas. Portanto, o modelo acrescenta uma barreira importante contra possíveis ataques quânticos.

Bitcoin

BTC no gráfico diário; fonte: TradingView (link)

A discussão reforça a necessidade de adaptação gradual da rede para um futuro em que o poder quântico possa se tornar acessível a agentes mal-intencionados. Além disso, o tema destaca como certos formatos antigos podem gerar riscos sistêmicos caso não recebam atenção específica. Assim, a Hourglass V2 procura mitigar impactos imediatos sem alterar de forma agressiva a estrutura monetária da rede.

Portanto, a proposta se posiciona como uma solução intermediária que limita a exposição dos endereços antigos, preserva o funcionamento atual e reduz os potenciais efeitos de um ataque voltado à quebra de chaves públicas. Embora ainda esteja em debate, a iniciativa reacende discussões sobre segurança de longo prazo e sobre a necessidade de preparar o ecossistema para novas tecnologias.