Bitcoin pode sofrer liquidações se CPI dos EUA surpreender

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O Bitcoin continua exposto a uma nova rodada de liquidações se a inflação dos Estados Unidos superar as expectativas. O alerta ocorre após US$ 811 milhões em liquidações no mercado de criptomoedas. Ainda assim, os contratos em aberto recuaram apenas 2%, para US$ 140,9 bilhões. Por isso, analistas avaliam que uma parcela relevante da alavancagem permanece no mercado antes da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor, o CPI.

Ryan Lee, analista-chefe da Bitget Research, afirmou que a venda forçada eliminou algumas posições vulneráveis. Contudo, o movimento não teria redefinido completamente o posicionamento dos investidores. De acordo com dados da CoinGlass, posições compradas concentraram a maior parte das perdas nas 24 horas encerradas na manhã de terça-feira. Depois, o volume de liquidações acumulado em 24 horas caiu para US$ 140 milhões.

“A mais recente onda de liquidações reduziu a alavancagem no Bitcoin, mas pode não ter redefinido completamente o posicionamento do mercado.”

Alavancagem mantém mercado sob pressão

Lee destacou que um volume elevado de contratos em aberto após uma queda indica exposição alavancada considerável. Nesse contexto, uma surpresa inflacionária poderia provocar outro ajuste rápido nas posições. Os investidores também poderiam reavaliar os rendimentos dos Treasuries e a política monetária do Federal Reserve. Assim, novas liquidações poderiam aumentar a pressão sobre o Bitcoin.

O relatório situou o rendimento do título americano de dez anos perto de 5,20%, conforme os dados dos títulos públicos dos Estados Unidos. Em contrapartida, Lee observou que a liquidação anterior pode ter removido posições mais vulneráveis. Esse movimento poderia limitar uma nova pressão vendedora. Caso a inflação venha abaixo das projeções, a recomposição de risco poderia favorecer uma recuperação.

O fechamento de posições vendidas também ampliaria uma eventual alta. Além disso, investidores poderiam voltar a assumir risco diante de expectativas monetárias mais favoráveis. Portanto, o resultado do CPI tende a influenciar tanto os rendimentos dos títulos quanto o mercado de Bitcoin.

Inflação subjacente desafia cenário para o Fed

Lacie Zhang, líder de pesquisa da Bitget Wallet, apontou a inflação subjacente persistente como um risco subestimado. Segundo ela, energia, tarifas ou demanda sustentada podem manter as pressões sobre os preços. Antes da divulgação, Zhang estimou em cerca de 77% a probabilidade de o Fed manter os juros em outubro. Contudo, um núcleo do CPI mais forte poderia provocar uma reprecificação mais ampla.

Zhang projetou alta mensal entre 0,5% e 0,6% para o CPI cheio. Na comparação anual, a estimativa ficou entre 3,6% e 3,7%. Já para o núcleo, ela citou expectativa de aproximadamente 0,2% no mês. A projeção anual ficou entre 2,4% e 2,5%.

A analista também afirmou que os investidores ainda esperavam mais um aumento de juros no fim do ano. Porém, a inflação persistente poderia manter o Fed em uma trajetória de juros elevados por mais tempo. Caso os rendimentos voltassem a subir, os mercados poderiam rever suas projeções. Com isso, posições alavancadas ficariam novamente sob pressão.

Zhang mencionou ainda vendas no varejo, excluindo automóveis e gasolina, com alta mensal de 0,28%. Em termos anuais, o avanço citado foi de 4,05%. Além disso, ela destacou a indicação de John Williams, presidente do Fed de Nova York, de que novos aumentos talvez não fossem necessários em 2027. A avaliação reforçou a importância dos próximos indicadores econômicos.

Analistas da Bitfinex já haviam relacionado os dados de inflação às expectativas para a decisão de dezembro. Dessa forma, um núcleo mais fraco reduziria o argumento para outra alta de juros. Por outro lado, consumo firme e inflação persistente fortaleceriam essa possibilidade.

ETFs de Bitcoin retomam entradas antes do CPI

Nicolai Sondergaard, analista sênior da Nansen, afirmou que a demanda por ETFs de Bitcoin se recuperou mais rapidamente que os sinais on-chain. Os fundos registraram entradas de US$ 175,7 milhões em 13 de outubro. Antes disso, acumularam saídas de US$ 678,9 milhões entre 5 e 9 de outubro. Também houve resgates de US$ 65,4 milhões em 12 de outubro.

Em 7 de outubro, os fundos listados nos Estados Unidos tiveram saídas de US$ 484,9 milhões. O IBIT, da BlackRock, perdeu US$ 207,7 milhões. Enquanto isso, o FBTC, da Fidelity, registrou resgates de US$ 105,1 milhões. O ARKB, da ARK 21Shares, teve saídas de US$ 101,7 milhões.

Na amostra Smart Trader da Nansen, Solana recebeu cerca de US$ 555 mil em 24 horas. Já o Ethereum registrou entradas de US$ 22 mil no mesmo período. Apesar disso, ambos permaneceram com saídas líquidas no acumulado de sete dias.

“A demanda por ETFs está se recuperando mais rápido que a convicção on-chain.”

Sondergaard classificou a movimentação antes do CPI como um posicionamento seletivo, e não como confiança disseminada. Para ele, o consenso anual apontava inflação cheia de 3,6% e núcleo de 2,5%. Nesse cenário, os investidores permaneciam atentos aos dados macroeconômicos. Os fluxos dos ETFs ofereciam um sinal positivo, mas ainda insuficiente para confirmar uma retomada ampla.

Zhang indicou suporte inicial do Bitcoin entre US$ 81 mil e US$ 82 mil. A mínima recente de US$ 80,4 mil funcionava como referência adicional. Acima do preço, ela apontou resistências entre US$ 84 mil e US$ 84,5 mil. Outra faixa relevante estava entre US$ 85 mil e US$ 87 mil.

Segundo Zhang, os compradores retomariam um controle mais claro após uma alta sustentada acima de US$ 84,5 mil a US$ 85 mil. Entretanto, o movimento precisaria ocorrer com volume forte e novas entradas. A analista também considerou necessária uma inflação subjacente mensal próxima ou inferior a 0,2%. Agora, as expectativas para dezembro, os fluxos dos ETFs e a acumulação institucional permanecem entre os principais fatores de monitoramento.

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