Bitcoin pode ter feito fundo, diz Bernstein

A gestora Bernstein avalia que o Bitcoin pode já ter formado um fundo de mercado. Ao mesmo tempo, a casa definiu preço-alvo de US$ 450 para as ações da Strategy, o que implicaria potencial de alta de cerca de 226% em relação ao fechamento recente de US$ 138,20. A análise é liderada por Gautam Chhugani, em uma gestora que administra aproximadamente US$ 880 bilhões em ativos, o que reforça o peso institucional da leitura.

Indicadores sugerem formação de fundo

O Bitcoin atingiu um pico histórico próximo de US$ 126.210 em outubro de 2025 e, em seguida, entrou em correção. Esse movimento se intensificou após liquidações em posições alavancadas e, posteriormente, ganhou pressão com tensões geopolíticas no início de 2026, incluindo episódios envolvendo EUA, Israel e Irã.

Ainda assim, o ativo manteve suporte na faixa de US$ 71.000. Segundo a Bernstein, esse comportamento indica maior maturidade do mercado. Em ciclos anteriores, quedas semelhantes chegaram a 70% ou 80%. Desta vez, a retração ficou em torno de 44%, o que sugere resiliência estrutural maior.

Além disso, a demanda institucional teve papel relevante. Grandes investidores absorveram parte da pressão vendedora, o que ajudou a sustentar os preços. Nesse sentido, o movimento reforça a hipótese de formação de fundo, ainda que sujeito a fatores macroeconômicos.

Fluxos institucionais ganham protagonismo

Os fluxos em ETFs de Bitcoin reforçam essa leitura. Nas quatro semanas anteriores ao relatório, esses fundos registraram entradas líquidas de cerca de US$ 2,2 bilhões, revertendo saídas acumuladas ao longo do ano. Como resultado, o saldo de 2026 voltou ao campo positivo, em torno de US$ 364 milhões, dentro de uma base de aproximadamente US$ 90 bilhões.

Atualmente, os ETFs concentram cerca de 6,1% do suprimento total de Bitcoin. Assim, trata-se de uma demanda mais estrutural do que puramente especulativa. Consequentemente, essa presença institucional tende a contribuir para a formação de um piso de preço mais consistente.

A Bernstein projeta o Bitcoin em US$ 150.000 até o fim do ano, condicionando essa expectativa à continuidade dos fluxos institucionais. Embora persistam incertezas globais, a análise prioriza o comportamento do capital como principal vetor do ciclo.

Strategy amplia sensibilidade à alta do Bitcoin

A Strategy mantém uma das maiores reservas corporativas do mercado, com cerca de 762.099 BTC. Recentemente, a empresa adicionou mais 1.031 BTC ao portfólio, elevando o valor aproximado para US$ 51,43 bilhões.

Reserva de Bitcoin da Strategy

(Fonte: StrategyTracker)

De acordo com a análise, o balanço da companhia reúne cerca de US$ 56 bilhões em Bitcoin e caixa, frente a aproximadamente US$ 18 bilhões em dívida. Além disso, a posição de liquidez cobre dividendos e juros por mais de dois anos. Já a exposição em Bitcoin, segundo a leitura da casa, poderia sustentar obrigações financeiras por um período significativamente mais longo.

O modelo da Strategy amplia a sensibilidade ao ativo. Em outras palavras, as ações funcionam como uma exposição indireta ao BTC. À medida que a empresa capta recursos e amplia suas compras, essa correlação tende a se intensificar.

Preço-alvo considera cenário construtivo

O preço-alvo de US$ 450 reflete um cenário em que o Bitcoin avança em direção a US$ 150.000. Além disso, incorpora a capacidade da empresa de levantar capital via instrumentos como ações ordinárias e preferenciais.

Entre esses instrumentos, destaca-se a ação preferencial STRC, lançada em julho de 2025, com dividendos anuais de 11,5% pagos mensalmente. Ademais, o volume médio diário gira em torno de US$ 220 milhões, com crescimento recente.

Apesar desse pano de fundo, as ações da Strategy acumulam queda de cerca de 57% em seis meses e 59% em doze meses. O movimento reflete preocupações com possível diluição decorrente de novas emissões. Ainda assim, houve recuperação de aproximadamente 10,9% no último mês, o que pode indicar reprecificação em curso.

Na avaliação da Bernstein, parte desse desconto já estaria incorporada aos preços atuais. Portanto, caso o Bitcoin confirme a trajetória de alta, existe espaço para valorização adicional. Em suma, o cenário combina fluxo institucional crescente, maior resiliência do mercado e forte exposição corporativa ao ativo digital.