Bitcoin pode ter novo ciclo parabólico, diz CryptoQuant

O Bitcoin era negociado a US$ 58.527,88, com queda de 1,02% em 24 horas e recuo de 6,30% na semana, segundo o CoinGecko. Além disso, o volume de negociação somava US$ 33,87 bilhões.

Mesmo após a correção recente, o CEO da CryptoQuant, Ki Young Ju, afirmou que o ativo ainda pode entrar em outro ciclo parabólico de alta. Segundo ele, o padrão histórico do Bitcoin mostra perda progressiva de eficiência do capital. Em outras palavras, o mercado exige hoje entradas líquidas muito maiores para gerar movimentos percentuais comparáveis aos dos primeiros ciclos.

Ki Young Ju vê nova perna de alta

De acordo com Ki Young Ju, cerca de US$ 2,7 bilhões em entradas líquidas bastaram, em 2011, para impulsionar uma valorização de 55.436% no preço do Bitcoin. Já no ciclo atual, US$ 697 bilhões produziram retorno de 689%. Ainda assim, ele avalia que esse comportamento não elimina uma nova disparada. Pelo contrário, reforça que a próxima alta exigirá uma base de capital muito mais profunda.

Em publicação no X, o executivo afirmou que o próximo rali expressivo deve depender de uma alocação institucional mais robusta. Portanto, o movimento não viria apenas de negociações de ETFs impulsionadas pelo varejo. Além disso, ele entende que o Bitcoin precisa se consolidar como um ativo macro central. Na avaliação dele, esse processo ainda está em fase inicial.

“O Bitcoin provavelmente ainda tem outro ciclo parabólico pela frente.”

Ki Young Ju no X

Ki Young Ju acrescentou que, se o Bitcoin conseguir absorver mais de US$ 1 trilhão em capital realizado, uma nova arrancada parabólica continuará no radar. Ademais, ele comparou o tamanho potencial desse movimento ao valor de mercado do ouro, hoje perto de US$ 27 trilhões. Outro dado reforça sua tese: em 2011, apenas US$ 5 milhões em entradas líquidas dobraram o preço do Bitcoin. Neste ciclo, porém, foram necessários aproximadamente US$ 101 bilhões para obter o mesmo efeito.

Assim, a leitura do CEO da CryptoQuant indica que a continuidade do mercado de alta depende de trilhões de dólares em novo capital. Esse ponto ganha peso, sobretudo, à medida que a adoção institucional avança.

Mercado precisa de capital mais profundo

Esse diagnóstico sugere uma mudança estrutural importante. Afinal, o Bitcoin amadureceu e agora opera em escala muito maior do que nos primeiros anos. Por isso, oscilações extremas ainda podem ocorrer, mas tendem a depender de fluxos mais robustos e coordenados.

Estrutura técnica segue frágil no curto prazo

Apesar da visão construtiva para um ciclo mais amplo, o trader Ted Pillows afirmou que a estrutura técnica atual do Bitcoin permanece baixista. Segundo ele, o preço segue abaixo das principais médias móveis. Enquanto isso, o RSI está perto de 30 e se aproxima da região de sobrevenda.

Ted Pillows destacou ainda que junho terminou com queda de aproximadamente 19%, embora o mês historicamente figure entre os mais fortes para o Bitcoin. De acordo com sua análise, o fator mais importante por trás da fraqueza recente está no fluxo dos ETFs.

“O BTC está na faixa de US$ 58 mil a US$ 59 mil, e a estrutura segue baixista.”

Ted Pillows no X

Segundo sua publicação, os ETFs à vista de Bitcoin registraram cerca de US$ 4 bilhões em saídas líquidas durante junho. Esse foi o maior volume mensal de resgates já registrado. Para ele, esse movimento se relaciona mais à venda institucional do que ao pânico do investidor de varejo.

Além disso, o trader argumentou que parte do capital pode estar migrando para o setor de semicondutores. Em seu comparativo, os ETFs de Bitcoin perderam algo próximo de US$ 12 bilhões, enquanto ETFs ligados a semicondutores atraíram cerca de US$ 20 bilhões.

No campo técnico, Ted Pillows apontou US$ 55.298 como um suporte crítico de Fibonacci. Caso esse nível seja perdido, o cenário pode abrir espaço para quedas em direção a US$ 52.000 e depois US$ 48.000. Ainda nesse cenário, o movimento medido chegaria a US$ 42.000. Por outro lado, os compradores precisam recuperar a média móvel exponencial de 20 dias, em US$ 62.450, para melhorar a estrutura. Em seguida, o preço teria de superar a resistência em US$ 64.000.

Níveis técnicos concentram a atenção

Portanto, o curto prazo ainda inspira cautela. Enquanto o preço permanecer abaixo dessas referências, o viés técnico seguirá pressionado. Em contrapartida, uma retomada acima de US$ 62.450 pode melhorar o sentimento e recolocar US$ 64.000 no centro das atenções.

Retornos decrescentes entram em debate

Outro analista citado, o trader Killa, argumentou que o Bitcoin não deve seguir para sempre a trajetória de retornos decrescentes observada nos ciclos anteriores. Ele analisou tanto a redução dos ganhos acima de cada topo histórico anterior quanto a diminuição progressiva da profundidade dos mercados de baixa desde o primeiro ciclo do ativo.

Na visão dele, prolongar essa tendência indefinidamente deixa de fazer sentido matemático. Afinal, se o padrão se mantivesse para sempre, o Bitcoin registraria variações cada vez menores, mesmo com demanda global crescente e oferta limitada.

Bitcoin pode romper sua trajetória de retornos decrescentes em breve
Bitcoin pode romper sua trajetória de retornos decrescentes em breve. Fonte: KillaXBT no X

Com base apenas nessa lógica, Killa projetou fundos de ciclo em US$ 38.000 neste ciclo, US$ 46.000 no próximo, depois US$ 55.000 e US$ 65.000 nos ciclos seguintes. Contudo, ele considera esse desfecho pouco coerente, porque também reduziria demais o potencial de valorização do ativo ao longo do tempo.

Como alternativa, o trader sugeriu que o mercado pode migrar para um padrão de correções em torno de 60% e, depois, recuos entre 40% e 50%. Além disso, essas quedas viriam acompanhadas de recuperações mais rápidas. Se isso ocorrer, localizar com precisão os fundos de ciclo deve se tornar mais difícil, já que o mercado deixaria de respeitar com a mesma clareza os padrões históricos de retornos decrescentes.

Desse modo, o cenário reúne três pontos centrais. Ki Young Ju vê espaço para uma nova alta parabólica caso o mercado absorva capital em escala trilionária. Ao mesmo tempo, Ted Pillows alerta para uma estrutura técnica ainda baixista, com suporte importante em US$ 55.298. Por fim, Killa sustenta que o padrão histórico de retornos decrescentes pode não se manter indefinidamente.