Bitcoin pressiona e ações da Nakamoto despencam

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O Bitcoin segue pressionando empresas altamente expostas ao ativo, e a Nakamoto Holdings passou a simbolizar um dos casos mais sensíveis do setor. A companhia, focada em tesouraria em Bitcoin, enfrenta forte deterioração após uma queda próxima de 99% em seu valor de mercado em menos de um ano.

Desde o lançamento, em agosto do ano passado, a avaliação teria recuado de cerca de US$ 24 bilhões para aproximadamente US$ 180 milhões. Como resultado, mais de US$ 23 bilhões em valor de mercado foram eliminados, o que reforçou dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo baseado na acumulação do ativo.

Além disso, a sequência de perdas e decisões estratégicas controversas ampliou a pressão. Nesse sentido, o mercado passou a questionar a capacidade da Nakamoto de manter liquidez e acesso a capital em um ambiente adverso.

Perdas com Bitcoin pressionam resultados

Segundo dados divulgados pela própria companhia, a Nakamoto registrou perda de US$ 142,6 milhões no valor justo de ativos digitais no quarto trimestre. Ademais, houve impacto adicional de US$ 10,8 milhões ligado a investimento na Metaplanet.

Embora a empresa mantenha uma visão otimista, os números indicam deterioração relevante. Ainda assim, a companhia afirmou que iniciou 2025 com o objetivo de construir uma operação pública nativa em Bitcoin.

A listagem ocorreu por meio de fusão com a KindlyMD. Além disso, a estratégia incluiu aquisições como BTC Inc. e UTXO, com o propósito de ampliar presença no ecossistema.

“Estabelecemos uma tesouraria robusta em Bitcoin, criamos uma estratégia de capital escalável e nos transformamos em um negócio operacional integrado, com infraestrutura para crescimento sustentado”, afirmou o CEO David Bailey.

No entanto, análises independentes apontam inconsistências relevantes. Analistas da Bull Theory destacaram a venda de cerca de US$ 20 milhões em Bitcoin a um preço médio de US$ 70.000, apesar de aquisições anteriores próximas de US$ 118.000.

Como resultado, a operação implicou perdas relevantes e expôs um problema estrutural. Em outras palavras, o ativo passou a ser negociado abaixo do custo médio, reduzindo o valor da tesouraria enquanto as obrigações permanecem elevadas.

Estratégia aumenta exposição ao risco

Esse desalinhamento entre custo e preço de mercado compromete a eficiência do modelo. Assim, a dependência da valorização do Bitcoin se torna ainda mais crítica.

Ao mesmo tempo, a realização de perdas em momentos desfavoráveis sugere fragilidade operacional. Dessa forma, a empresa pode entrar em um ciclo negativo difícil de reverter.

Estrutura de capital amplia vulnerabilidade

A estrutura financeira também contribui para o cenário adverso. Em primeiro lugar, a empresa levantou cerca de US$ 510 milhões via investimento privado em ações públicas. Além disso, captou aproximadamente US$ 200 milhões por meio de notas conversíveis garantidas.

Posteriormente, em dezembro de 2025, a companhia refinanciou parte da dívida com um empréstimo de US$ 210 milhões junto à Kraken, utilizando Bitcoin como garantia.

No entanto, esse movimento elevou o risco financeiro. Isso porque o ativo dado como garantia sofreu desvalorização relevante em relação ao custo de aquisição.

Como consequência, aumenta a probabilidade de chamadas de margem. Além disso, a solvência da empresa passa a depender diretamente de uma recuperação consistente do preço do Bitcoin.

Risco de saída da Nasdaq entra no radar

Outro ponto de atenção envolve a listagem da empresa. Atualmente, as ações são negociadas abaixo de US$ 1 há mais de 30 dias consecutivos, o que indica descumprimento de requisitos da Nasdaq.

Caso não reverta esse quadro, a empresa poderá enfrentar processo de deslistagem já a partir de 8 de junho de 2026. Com efeito, essa possibilidade tende a agravar ainda mais o cenário.

Nakamoto
O gráfico diário mostra a queda da NAKA para US$ 0,22. Fonte: TradingView

A exclusão da bolsa reduziria liquidez e acesso a capital. Além disso, dificultaria novas captações ou recompras do ativo em níveis mais baixos.

Analistas da Bull Theory destacam que o modelo de tesouraria depende de três pilares: custo de aquisição eficiente, valorização das ações e acesso contínuo a financiamento.

No caso da Nakamoto, há deterioração simultânea desses fatores. O Bitcoin permanece abaixo de parte do custo médio, o valor de mercado caiu de forma expressiva e o acesso a capital se tornou mais restrito.

Discussões adicionais sobre o caso foram publicadas por analistas no X, destacando os impactos das decisões financeiras recentes.

Em conclusão, a combinação de perdas, pressão sobre a tesouraria e risco de deslistagem coloca a Nakamoto em uma posição delicada. Nesse contexto, a continuidade do modelo baseado em Bitcoin dependerá não apenas da recuperação do mercado, mas também de ajustes estruturais na estratégia da empresa.

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