Bitcoin pressiona a MSTR após Strategy perder US$ 8,32 bi

As ações da Strategy, antiga empresa de software corporativo e hoje maior detentora corporativa de Bitcoin, caíram na quinta-feira, 30 de julho, após a companhia divulgar uma perda não realizada de US$ 8,32 bilhões em suas reservas do ativo. Depois de uma alta breve no pregão, o papel MSTR recuou 6,14%, de US$ 97,59 para US$ 91,60.

Durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre, Michael Saylor destacou alguns dos principais pontos em uma publicação no X. Segundo a empresa, a Strategy possui 843.775 BTC, com rendimento de 4,5% em BTC e ganho de 29.997 BTC. A companhia também informou crescimento de cerca de 3,6 vezes em Bitcoin por ação desde 2020. O preço médio de aquisição foi de US$ 75.531 por unidade.

Apesar desses números, a empresa reportou prejuízo líquido de US$ 24,45 por ação, dado que ajudou a explicar a pressão sobre o papel.

Liquidez ganha espaço na estratégia da empresa

Ao mesmo tempo, a Strategy também vem vendendo Bitcoin. Recentemente, a companhia vendeu 3.588 BTC por US$ 216 milhões, cerca de 20% abaixo do preço médio de compra.

A empresa afirmou, em publicação de Michael Saylor no X, que “empréstimos com garantia em Bitcoin não são, neste momento, o caminho preferido para construir reservas em dólar”.

“Empréstimos com garantia em Bitcoin não são, neste momento, o caminho preferido para construir reservas em dólar.”

Michael Saylor, no X

Essa posição refletiu a necessidade de liquidez da companhia. Além disso, a Strategy gerou US$ 544,5 milhões em receita líquida com a venda de ações ordinárias da MSTR. Nas últimas semanas, não houve novas compras de BTC. A empresa declarou ainda que sua reserva em dólar foi projetada para cobrir pagamentos de juros da dívida em aberto e dividendos de suas ações preferenciais.

Segundo a AMBCrypto, o indicador Market-to-Net Asset Value, ou mNAV, caiu para 1,03x. Dessa forma, o modelo da Strategy tem se afastado de novas compras de Bitcoin e se voltado a maior flexibilidade no balanço.

Saylor escreveu que, por meio de “reservas em dólar, monetização de Bitcoin, recompras, gestão de dividendos e emissão disciplinada”, a companhia pretende levar a ação preferencial STRC de volta para a faixa de US$ 99 a US$ 100.

Bitcoin por ação avança enquanto STRC vira prioridade

O volume de Bitcoin por ação cresceu 5% no trimestre, enquanto a reserva em dólar chegou a US$ 3,75 bilhões. O investidor Chris Millas escreveu no X que isso representa cerca de 2,1 anos de cobertura de dividendos.

Segundo Chris Millas, a reserva em dólar equivale a aproximadamente 2,1 anos de cobertura de dividendos.

Chris Millas, no X

A companhia mostrou disposição para vender BTC, emitir papéis e recomprar títulos, em um movimento que indica maior adaptação às mudanças nas forças de mercado.

O foco da empresa está na STRC, que atua como principal motor de liquidez de seu ciclo de tesouraria em Bitcoin. Nesse contexto, a prioridade é levar a ação preferencial de volta ao valor de paridade antes de avaliar novas aquisições de Bitcoin.

Para investidores, a principal questão deixou de ser apenas quanto Bitcoin a Strategy possui. Agora, o ponto central é como a administração equilibra a formação de reservas em dólar, o suporte às ações preferenciais e a futura acumulação do ativo.

Por fim, essas decisões de alocação de capital podem pesar mais na avaliação da MSTR do que manchetes sobre compras de Bitcoin nos próximos trimestres.