Bitcoin rastreado após ataque com múltiplas blockchains

O Bitcoin surgiu no centro das investigações sobre o ataque de 10 de janeiro de 2026, depois que plataformas de análise blockchain como PeckShield e CertiK identificaram transações relacionadas ao golpe de engenharia social. Os especialistas rastrearam movimentações que atravessaram diversas redes, o que indica uma tentativa de ofuscar a origem dos fundos ao utilizar pontes entre blockchains e protocolos de privacidade.

Segundo dados da PeckShield divulgados no X, o invasor movimentou 928,7 BTC, avaliados em cerca de US$ 71 milhões, por meio da infraestrutura da THORChain. A conversão resultou em 19.631,1 ETH, 3,15 milhões de XRP e 77.200 LTC. Além disso, as transferências foram distribuídas entre várias redes, o que elevou a complexidade do rastreamento e ampliou o tempo necessário para investigação.

Expansão das transferências em protocolos de privacidade

Após a ponte inicial, o responsável pelo ataque seguiu movimentando os fundos utilizando ferramentas voltadas à privacidade. Entre elas, o Tornado Cash recebeu 1.468,66 ETH, equivalentes a US$ 4,9 milhões. No entanto, parte desses valores também foi enviada para serviços centralizados, como a WhiteBit, que recebeu 735 ETH, avaliados em aproximadamente US$ 2,4 milhões, além de 100 ETH direcionados ao ChangeNOW.

Assim, a PeckShield identificou que o invasor ainda enviou 2.402 ETH, cerca de US$ 8 milhões, para uma carteira ligada à exchange KuCoin. Mais 143 ETH, avaliados em US$ 477 mil, seguiram para uma carteira associada à Huobi. Paralelamente, a CertiK detectou novos depósitos no Tornado Cash diretamente relacionados ao ataque, reforçando a movimentação sincronizada dos fundos em diversas redes.

Esses movimentos indicam uma estratégia para pulverizar recursos e dificultar o trabalho de rastreamento conduzido por analistas e autoridades.

Embora serviços como Tornado Cash e THORChain cumpram funções legítimas ao oferecer privacidade, seu uso por criminosos mantém esses protocolos sob forte escrutínio regulatório. Portanto, a discussão sobre o equilíbrio entre privacidade e segurança segue intensa dentro do setor cripto.

Consequências para o mercado e avanços no rastreamento

O caso realça como o Bitcoin e outros ativos continuam a ser explorados em operações complexas por golpistas. Além disso, demonstra a necessidade de monitoramento contínuo por empresas especializadas. Apesar do avanço de protocolos de privacidade, ferramentas modernas de análise blockchain evoluíram e têm sido essenciais para identificar padrões suspeitos.

Assim, a colaboração entre analistas, exchanges e autoridades tem permitido bloqueios de contas e, em alguns casos, a recuperação parcial ou total de valores desviados. Portanto, essa integração se consolidou como um dos principais mecanismos de combate a golpes dentro do ecossistema digital.

No curto prazo, as movimentações identificadas reforçam a preocupação do mercado sobre o uso indevido de mecanismos de privacidade. As conversões de Bitcoin para múltiplos ativos, somadas à dispersão dos fundos, revelam a sofisticação das operações criminosas. No entanto, os avanços no rastreamento mostram que ainda é possível mapear rotas de transações e limitar a liberdade de atuação dos responsáveis.