Bitcoin reage após ações de chips caírem na Coreia do Sul

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O Bitcoin caiu abaixo de US$ 81.000 no início do pregão asiático, mas recuperou os US$ 83.000 após uma onda de liquidações. Segundo a avaliação da Claude AI, o BTC pode permanecer acima de US$ 81.300 até a divulgação da inflação de setembro, prevista para quarta-feira. A queda não começou com um evento específico do mercado de criptomoedas. Em vez disso, o movimento acompanhou a venda de ações de fabricantes de chips na Coreia do Sul.

O índice KOSPI recuou 5,46%, para 6.035,35 pontos, enquanto investidores estrangeiros retiraram cerca de US$ 3,35 bilhões das ações sul-coreanas. Ao mesmo tempo, o petróleo Brent se aproximou de US$ 106 após três dias de alta. O dólar operava perto da máxima em 18 meses, e o rendimento do Treasury de dez anos rondava 5,19%. Dessa forma, diferentes indicadores macroeconômicos pressionaram os ativos de risco simultaneamente.

Em 24 horas, o mercado liquidou cerca de US$ 800 milhões em posições alavancadas de criptomoedas. Desse total, aproximadamente 86% envolveu posições compradas. Ainda assim, o Bitcoin reagiu logo após a mínima e voltou a superar US$ 83.000.

Os vendedores tentaram forçar uma nova quebra, mas o BTC voltou rapidamente acima da principal área de suporte. Se mantiver US$ 82,5 mil, o preço provavelmente retornará às máximas locais nos próximos dias. O mercado deve observar US$ 87 mil.

Jelle, no X

Bitcoin acompanha venda de ações de semicondutores

O dado mais revelador do pregão não envolveu diretamente o Bitcoin. Futuros perpétuos tokenizados da SanDisk, negociados em plataformas de criptomoedas, acumularam cerca de US$ 19,09 milhões em liquidações. O total superou os US$ 18,8 milhões registrados pelo XRP. Além disso, contratos ligados à SK Hynix, à Micron e ao ETF de semicondutores SOXL também sofreram perdas.

Somente o SOXL respondeu por aproximadamente US$ 7,2 milhões em liquidações. Atualmente, corretoras de criptomoedas concentram exposição alavancada a empresas asiáticas de semicondutores. Portanto, uma venda em Seul pode liquidar posições pelos mesmos mecanismos e grupos de garantias usados por traders de Bitcoin. Esse canal de transmissão passou a atuar de forma imediata neste ciclo.

Derivativos tokenizados ampliam a transmissão das perdas

O petróleo seguiu na direção oposta à das ações de chips. Nesse caso, a maioria das liquidações ligadas à energia atingiu posições vendidas, pois o Brent continuou avançando. Enquanto apostadores contra o setor energético enfrentaram pressão, posições compradas em fabricantes de chips sofreram com a queda.

Os mercados acionários asiáticos perderam quase US$ 600 bilhões durante uma venda intensa de ações de semicondutores e tecnologia. A queda nos mercados dos Estados Unidos desencadeou um recuo mais amplo na Ásia.

Bull Theory, no X

Liquidações mudam de lado após recuperação

A sequência dos eventos teve mais importância do que o volume total. Cerca de três quartos dos US$ 800 milhões liquidados ocorreram nas últimas 12 horas do movimento. O Bitcoin respondeu por aproximadamente US$ 181 milhões, enquanto o Ethereum concentrou US$ 178 milhões. Por sua vez, a maior ordem individual envolveu uma posição comprada de Bitcoin de US$ 9,65 milhões na Binance.

Mapa de calor das liquidações no mercado de criptomoedas

Mapa de calor de liquidações. Fonte: CoinGlass

 

Posteriormente, o mercado mudou de direção. Nas quatro horas seguintes à recuperação dos US$ 83.000, as liquidações somaram cerca de US$ 74 milhões. Desse montante, aproximadamente 79% atingiu posições vendidas. Assim, o mercado eliminou a alavancagem comprada durante a sessão asiática, enquanto os vendidos concentraram o risco na sessão europeia.

Saídas dos ETFs ajudam a explicar o cenário

Os fluxos dos fundos também contextualizam a pressão sobre os preços. Na semana anterior, os ETFs de Bitcoin à vista registraram saídas de US$ 681,1 milhões. Já os fundos de Ether acumularam nove sessões consecutivas de resgates, com US$ 697,2 milhões desde 29 de setembro. O ETHA, da BlackRock, respondeu sozinho por US$ 477 milhões do volume semanal. Depois disso, as saídas dos ETFs de Bitcoin pararam, mas os resgates dos fundos de Ether continuaram.

Inflação dos Estados Unidos pode definir o rumo do Bitcoin

Agora, a atenção se concentra na divulgação do índice de preços ao consumidor, o CPI de setembro. A expectativa indica inflação anual de 3,7%, acima dos 3,4% registrados em agosto. Enquanto isso, o núcleo dos preços deve avançar cerca de 0,2% no mês. Uma inflação mais alta, diante de um Federal Reserve que discute novas elevações, cria uma combinação sensível para os mercados.

Os futuros do Fed atribuíam 19% de probabilidade a uma alta em outubro e 85% a uma elevação em dezembro. Com isso, o mercado deixou de discutir quando os cortes começariam. Em seu lugar, os investidores passaram a estimar quantos aumentos adicionais de juros poderiam ocorrer.

Gráfico diário do par BTCUSDT

Gráfico diário do BTCUSDT. Fonte: TradingView

 

Suportes e resistências acompanhados pelo mercado

A Claude AI apontou US$ 81.300 como o suporte central do Bitcoin. Esse nível coincide com a referência da Bitfinex e fica pouco acima da mínima de 8 de outubro, em US$ 80.347. Caso o preço perca essa faixa, o mercado pode mirar primeiro US$ 80.000. Em seguida, o próximo nível indicado fica em US$ 77.400.

Já US$ 84.340 representa o custo médio dos investidores em ETFs de Bitcoin à vista. Abaixo desse patamar, os maiores compradores deste ciclo ficam com perdas não realizadas. Por outro lado, US$ 87.145 funciona como resistência, pois concentra vendedores a descoberto e rejeitou o Bitcoin quatro vezes em duas semanas.

Diante disso, US$ 84.340 tem mais relevância do que um número meramente redondo. Um CPI acima do esperado pode levar o preço novamente a US$ 81.300 e manter o custo médio dos ETFs como resistência. Em contrapartida, um resultado mais fraco pode recolocar US$ 84.340 em disputa dentro de uma única sessão.

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