Bitcoin reage após novas tarifas dos EUA à Europa

O Bitcoin enfrenta um clima de tensão após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, que determinou tarifas de até 25% sobre oito países europeus a partir de fevereiro. O tema reacendeu debates diplomáticos depois de Trump afirmar que as medidas só seriam retiradas quando a Dinamarca concordasse em vender a Groenlândia.

O anúncio reacendeu memórias do choque tarifário de 2025, quando ações similares provocaram liquidações de US$ 19 bilhões no mercado cripto. Agora, com o avanço da disputa política, o Bitcoin tenta manter estabilidade na região dos US$ 95.000, apesar do aumento das pressões.

Tensões entre EUA e Europa crescem

No comunicado divulgado por Trump, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia foram incluídos na lista de países que sofrerão tarifas imediatas. A decisão desencadeou reuniões emergenciais entre líderes europeus e estimulou forte unidade entre os membros do bloco.

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer classificou as tarifas impostas a aliados como totalmente equivocadas. Emmanuel Macron reforçou que nenhuma ameaça influenciaria a postura francesa. Além disso, líderes como o sueco Ulf Kristersson e o finlandês Alexander Stubb rejeitaram qualquer tentativa de pressão diplomática.

Até mesmo aliados ocasionais de Trump, como Nigel Farage, criticaram a decisão. Ele alertou sobre impactos econômicos severos para a Europa. No mesmo período, milhares de pessoas protestaram na Dinamarca e na Groenlândia com faixas que defendiam a autonomia do território.

Ursula von der Leyen afirmou que as tarifas podem fragilizar as relações transatlânticas e criar uma espiral perigosa. O debate também incluiu a possível suspensão do acordo comercial recentemente negociado entre EUA e União Europeia, o que ampliou a instabilidade.

Mercado monitora riscos e mantém cautela

O Bitcoin segue na casa dos US$ 95.000 após oscilações moderadas entre US$ 94.000 e US$ 97.000 nas últimas semanas. O comportamento lateralizado indica que investidores permanecem cautelosos devido ao cenário geopolítico.

Segundo Ki Young Ju, fundador da CryptoQuant, os fluxos de capital destinados ao Bitcoin diminuíram de forma significativa. Assim, ele acredita que o mercado deve continuar estável por alguns meses. Instituições com visão de longo prazo têm evitado vender seus ativos, o que reduz o risco de quedas bruscas.

John Glover, diretor de investimentos da Ledn, afirmou que o Bitcoin segue na Onda IV de seu ciclo de alta. Para ele, um fechamento acima de US$ 104.000 poderia indicar início de uma nova etapa. No entanto, uma queda abaixo de US$ 80.000 abriria espaço para o ativo revisitar a região dos US$ 70.000.

Gráfico de preço do Bitcoin relacionado às tarifas dos EUA
Fonte: TradingView

Histórico recente aumenta preocupações

O mercado ainda lembra o impacto das tarifas aplicadas à China em 2025, que derrubaram o Bitcoin abaixo de US$ 105.000 e causaram uma das maiores liquidações diárias já registradas. Naquele episódio, mais de 1,6 milhão de traders foram afetados, e o interesse aberto em futuros sofreu queda superior a 30%.

Diferentemente daquele cenário, porém, a nova crise envolve aliados tradicionais dos EUA. Portanto, analistas alertam que o momento atual traz incerteza ainda maior sobre o futuro das relações diplomáticas. Além disso, o contexto inclui debates internos nos EUA sobre a legalidade das tarifas e tensões relacionadas à Groenlândia e à Venezuela.

Com tantos fatores simultâneos, o Bitcoin tenta preservar estabilidade enquanto investidores analisam riscos. No curto prazo, a atuação dos líderes europeus, a reação do governo dos EUA e o andamento das negociações sobre a Groenlândia devem influenciar o comportamento do mercado.

As declarações de especialistas, como Ki Young Ju e John Glover, reforçam o clima de cautela que marca este início de ano, em que o Bitcoin permanece pressionado, mas ainda distante de qualquer sinal claro de capitulação.