Bitcoin reage, mas sinais on-chain ampliam pressão

O Bitcoin ganhou fôlego após recuar até US$ 72,8 mil, movimento associado à aprovação de um novo pacote de financiamento nos EUA. Essa decisão afastou o risco imediato de shutdown governamental. Além disso, o cenário global de aversão ao risco pressionou o ativo, bem como ações americanas e ouro, antes da recuperação inicial. O mercado reagiu com volatilidade, refletindo incerteza ampliada.

Durante o mergulho até US$ 72,8 mil, cerca de US$ 30 milhões em posições ligadas a finanças descentralizadas foram liquidados. Esse flush ajudou a formar um fundo temporário, segundo a Santiment. No entanto, o impulso de recuperação foi interpretado como um alívio técnico, não como reversão consistente de tendência.

Pressão das grandes carteiras reforça fragilidade no curto prazo

Dados on-chain indicam continuidade na venda por parte de carteiras que acumulam entre 10 e 10.000 BTC. Esse grupo controla mais de dois terços da oferta circulante. Nas últimas duas semanas, essas carteiras venderam 50.181 BTC, reforçando um movimento de realização ou redistribuição. Assim, o comportamento desse segmento gera alerta, já que representa uma força relevante na dinâmica de preço.

Enquanto isso, investidores menores, especialmente carteiras com menos de 0,01 BTC, compraram agressivamente durante o recuo. No entanto, períodos em que grandes detentores vendem enquanto pequenos acumulam costumam sinalizar fragilidade. A migração de oferta das chamadas mãos fortes para mãos suscetíveis a pânico aumenta riscos de novas correções.

Para a Santiment, o cenário permanece bearish até que o ritmo de vendas das grandes carteiras desacelere de forma consistente. Portanto, a construção de uma base sólida de preço depende diretamente dessa mudança de comportamento.

Sentimento social amplia receio do mercado

O sentimento social envolvendo o Bitcoin também passou por virada brusca. A discussão deixou de focar expectativas de recuperação e passou a se concentrar em quedas mais profundas. Além disso, menções a níveis entre US$ 50 mil e US$ 59 mil superam referências a faixas mais altas, como US$ 90 mil ou US$ 99 mil.

Historicamente, projeções elevadas costumam indicar ganância, enquanto estimativas mais baixas sinalizam medo. Contudo, o mercado frequentemente frustra consensos extremos. Assim, mesmo com tendência fragilizada, uma concentração exagerada de expectativas negativas pode gerar movimentos curtos de alívio sem alterar o quadro principal.

Apesar disso, sentimentos não definem pisos. Eles funcionam somente como termômetro psicológico.

UTXOs em prejuízo aproximam zona crítica do ciclo

Dados da CryptoQuant mostram que a parcela de UTXOs em prejuízo voltou para a faixa entre 27 por cento e 30 por cento. Esse nível é semelhante ao observado durante a tendência de baixa registrada em maio de 2022. Portanto, o comportamento desse indicador torna-se decisivo.

Quando o percentual supera 30 por cento e se mantém acima, a pressão vendedora tende a crescer. Por outro lado, a estabilização dentro da faixa atual pode reduzir essa pressão e oferecer suporte momentâneo ao preço.

O mercado ainda não mostra pânico total, mas testa a própria tolerância emocional. Além disso, o comportamento das grandes carteiras, a mudança no discurso social e o aumento da oferta em prejuízo compõem forças que moldam os próximos movimentos do Bitcoin.

A reação após tocar US$ 72,8 mil indica que o mercado ainda absorve parte da pressão. No entanto, a continuidade dessa resistência depende diretamente da redução das vendas dos grandes detentores e da estabilização da oferta em perda.