Bitcoin: receita de mineradores cai 67% sem vendas em massa
Os mineradores de Bitcoin demonstram resiliência, embora o BTC opere abaixo do custo médio de produção. No momento da apuração, o Bitcoin valia US$ 63.300. Esse preço ficava cerca de 17% abaixo do custo médio de mineração, estimado em US$ 76.500.
Com isso, a atividade ficou menos rentável para parte do setor. Ao mesmo tempo, a receita diária dos mineradores continuou em queda. O cálculo considera tanto o subsídio por bloco quanto as taxas de transação.
Desde outubro de 2025, a receita diária recuou de US$ 60 milhões para US$ 20 milhões. Portanto, a queda chegou a aproximadamente 67%, deixando o faturamento diário em um terço do nível anterior. Em períodos de pressão, empresas do setor costumam vender reservas para cobrir eletricidade e outras despesas operacionais.

Pressão vendedora dos mineradores permanece baixa
Entretanto, os dados on-chain indicam um cenário diferente do esperado. Analistas da Bitfinex afirmaram que a pressão vendedora permanece baixa e ainda não representa uma preocupação relevante.
O Puell Multiple estava próximo de 0,7. Esse indicador compara a receita diária dos mineradores com sua média anual e ajuda a avaliar a rentabilidade do setor. Nesse patamar, a métrica mostra receitas abaixo da média dos últimos 12 meses.
Enquanto isso, o Miners’ Position Index registrava cerca de -1,2. O índice compara as saídas das carteiras dos mineradores com a média anual. Assim, o resultado sinalizava movimentações moderadas, em vez de vendas agressivas.
Nos preços atuais, a receita dos mineradores de BTC está abaixo da média, mas os mineradores não estão vendendo agressivamente. A receita está mais fraca, sem vendas correspondentes pelos mineradores.
Desse modo, a redução do faturamento ainda não provocou uma liquidação generalizada das reservas. Os dados sugerem que os mineradores mantêm cautela, mesmo diante do aumento relativo dos custos.

Inteligência artificial influencia vendas e taxa de hash
Parte da pressão vendedora observada no primeiro semestre de 2026 veio de companhias abertas. Algumas dessas empresas diversificaram suas operações para atender à demanda por infraestrutura de inteligência artificial.
A MARA, por exemplo, vendeu mais de 23 mil BTC, avaliados em US$ 1,63 bilhão. A companhia usou a operação para reduzir dívidas e direcionar sua estratégia à inteligência artificial.
Além disso, a mudança de foco ajuda a explicar a queda de 17% na taxa de hash, conforme a análise apresentada. Em vez de reaproveitar diretamente equipamentos especializados, as empresas passaram a destinar energia, capital e infraestrutura a centros de dados de IA.
Como resultado, parte da capacidade que poderia apoiar novas operações de mineração deixou de ser direcionada ao Bitcoin. Essa diversificação também criou novas fontes potenciais de receita para as companhias do setor.

Ações de mineradoras superam o desempenho do Bitcoin
Apesar das dificuldades operacionais, as ações de mineradoras listadas em bolsa superaram o Bitcoin no ano. O CoinShares Bitcoin Mining ETF, negociado sob o ticker WGMI, acumulou valorização de 20% no período.
Em contrapartida, o Bitcoin perdeu quase 30%. Logo, a diferença de desempenho chegou a cerca de 50 pontos percentuais. A comparação considera o ETF ligado ao setor de mineração e o preço do BTC.
Uma possível explicação está na mudança de percepção dos investidores. O mercado passou a avaliar várias mineradoras públicas como participantes do setor de inteligência artificial, e não apenas como empresas de mineração de Bitcoin.
Os dados de desempenho foram acompanhados pelo TradingView. Ainda assim, a valorização das ações não elimina os desafios causados pela queda da receita e pelo custo elevado de produção.

Em síntese, os mineradores reduziram as vendas mesmo com o Bitcoin abaixo do custo médio de produção. Contudo, ainda não está claro quanto dessa resiliência decorre da diversificação para inteligência artificial.