Bitcoin recua após drenagem global de liquidez

O Bitcoin iniciou uma nova fase de instabilidade em meio a um ambiente de forte contração da liquidez global em dólar. A análise ganhou força após o ex-CEO da BitMEX, Arthur Hayes, comentar que a drenagem de cerca de US$300 bilhões nos mercados está diretamente ligada ao recente recuo do ativo. Em seguida, Hayes destacou que esse aperto financeiro não tem origem no setor de cripto, mas sim na redução da disponibilidade de dólares no sistema.

Segundo ele, o Tesouro dos Estados Unidos elevou o saldo da sua conta geral, o TGA, em cerca de US$200 bilhões ao longo das últimas semanas. Esse movimento, portanto, retirou liquidez dos mercados e aumentou o estresse financeiro em diferentes classes de ativos, afetando o comportamento do Bitcoin.

Impacto da queda do USDLIQ sobre o mercado

Hayes afirmou que o aperto pode ser observado no índice USDLIQ, que monitora as condições amplas de liquidez em dólar. Os dados mostram que o indicador caiu quase 7% em seis meses, passando de 11,8 milhões em agosto para cerca de 10,88 milhões no fim de janeiro. Assim, o recuo gradual da liquidez ajuda a explicar por que o Bitcoin perdeu força no período.

De acordo com Hayes, a pressão sobre ativos de risco tende a aumentar quando dólares ficam escassos. Isso ocorre porque o crédito diminui, a busca por proteção cresce e posições alavancadas tornam-se mais vulneráveis. Em suas palavras, o movimento recente do Bitcoin já era esperado diante da escala da drenagem financeira observada.

A queda de liquidez de aproximadamente US$ 300 bilhões foi impulsionada principalmente pelo aumento de US$ 200 bilhões na TGA (Administração Geral de Telecomunicações). O governo pode estar aumentando suas reservas de caixa para financiar gastos em caso de paralisação do governo. A queda do BTC não é uma surpresa, dada a redução da liquidez.

Além disso, Hayes lembrou que fases de expansão da oferta de dólares costumam favorecer ativos de risco, enquanto períodos de contração tendem a gerar desvalorizações. Portanto, a combinação entre TGA elevado e condições financeiras rígidas cria um ambiente menos favorável ao Bitcoin.

Tensões geopolíticas e postura do Fed aumentam pressão

A recente trajetória do Bitcoin também reflete fatores macroeconômicos mais amplos. O ativo voltou a ser negociado abaixo de US$89.000 após um breve movimento de alta. A postura cautelosa do Federal Reserve, ainda inclinada para o lado hawkish, reduziu o apetite por risco. Além disso, tensões geopolíticas no Oriente Médio adicionaram novas camadas de incerteza ao mercado.

Dados da CoinGlass indicam que o interesse aberto em futuros caiu 42% em relação aos recordes anteriores. Tentativas de alta são revertidas rapidamente por ondas de venda, enquanto parte relevante do capital migrou para ouro e prata. Assim, os fluxos destinados ao mercado de cripto permanecem comprimidos.

Para analistas, o cenário pode persistir enquanto o Fed não sinalizar cortes de juros ou até que haja alívio nas tensões internacionais. No curto prazo, a combinação entre a queda do USDLIQ, o novo patamar do TGA e a postura mais rígida do banco central mantém o Bitcoin sensível às variações de liquidez.

Especialistas afirmam que a evolução desses elementos definirá se o mercado retomará a força compradora ou se seguirá enfrentando volatilidade elevada nas próximas semanas.