Bitcoin recua com petróleo acima de US$ 100 e Fed

O mercado financeiro iniciou a semana dividido entre forças opostas que impactam diretamente o Bitcoin e outros ativos de risco. Por um lado, declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, aliviaram a pressão sobre os títulos públicos dos Estados Unidos. Por outro, a forte alta do petróleo reacendeu preocupações inflacionárias e limitou o apetite dos investidores.

Durante evento na Universidade de Harvard, Powell afirmou que as expectativas de inflação permanecem “bem ancoradas”. Como resultado, o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos caiu cerca de nove pontos-base, para 4,35%. Além disso, as apostas em novas altas de juros recuaram de aproximadamente 25% para perto de 5% no curto prazo, segundo leitura de mercado.

Ainda assim, o alívio na renda fixa não sustentou os ativos de risco. O petróleo exerceu pressão contrária relevante. O barril do WTI subiu cerca de 5,3% e se aproximou de US$ 105, voltando a superar US$ 100 pela primeira vez desde 2022. Nesse contexto, o Nasdaq recuou 0,75%, enquanto o Bitcoin caiu para a faixa de US$ 66.500, após ensaiar alta mais cedo.

Forças macroeconômicas limitam reação do Bitcoin

Queda nos rendimentos não sustenta alta

As falas de Powell tiveram efeito imediato. Em primeiro lugar, os rendimentos dos títulos de dois anos recuaram cerca de oito pontos-base, para 3,83%. Assim, o mercado passou a precificar menor probabilidade de aperto monetário no curto prazo.

Em condições normais, esse ambiente favoreceria o Bitcoin. Juros mais baixos reduzem o custo de oportunidade de ativos sem rendimento. No entanto, o cenário atual é mais complexo. Os rendimentos reais seguem elevados e parte dos investidores interpreta que o Federal Reserve apenas adiou decisões mais duras.

O próprio Jerome Powell reforçou cautela ao indicar que futuras decisões dependerão dos dados econômicos. Dessa forma, investidores institucionais mantêm postura defensiva, o que limita movimentos mais consistentes de alta.

Fonte: CME FedWatch

Petróleo elevado reforça incerteza

Por outro lado, a alta do petróleo adiciona uma nova camada de risco. O movimento está associado, sobretudo, a tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, que afetam a percepção sobre a oferta global da commodity.

Em primeiro lugar, há impacto direto sobre a inflação. Com o petróleo acima de US$ 100, índices de preços tendem a ganhar pressão. Assim, a narrativa de inflação sob controle perde força.

Além disso, esse cenário pode adiar cortes de juros. O Federal Reserve projeta reduções graduais ao longo do tempo, mas a persistência de energia cara pode tornar esse caminho mais incerto. Ao mesmo tempo, o risco geopolítico elevado leva investidores a reduzir exposição a ativos mais voláteis, incluindo criptomoedas.

Fonte: TradingView

Faixa de preço reflete indecisão do mercado

Oscilação entre suporte e resistência

Atualmente, o Bitcoin opera sem direção clara, oscilando entre cerca de US$ 63 mil e US$ 68.500. Esse movimento lateral reflete o conflito entre sinais macroeconômicos divergentes.

Caso o Federal Reserve adote um tom mais brando e o petróleo recue abaixo de US$ 95, o cenário tende a melhorar. Nesse caso, o Bitcoin pode voltar a testar a região de US$ 70 mil.

Por outro lado, se a inflação permanecer pressionada, o banco central pode manter postura restritiva. Como consequência, ativos de risco podem enfrentar novas correções.

Níveis-chave no radar

Nesse contexto, a faixa de US$ 63 mil ganha importância como suporte. A perda desse nível pode acelerar movimentos de baixa. Em contrapartida, uma recuperação consistente depende de melhora no ambiente macroeconômico.

Enquanto petróleo e inflação continuarem como variáveis dominantes, o Bitcoin deve seguir reagindo a sinais mistos. Em outras palavras, o mercado permanece em equilíbrio instável, com juros e inflação disputando a direção dos preços.