Bitcoin recua e buscas por queda disparam no mercado

O Bitcoin iniciou a semana sob pressão, enquanto o mercado global reagia ao clima de aversão ao risco. A principal criptomoeda encontrou dificuldade para se manter acima de US$ 65 mil e registrou aumento nas buscas relacionadas a quedas bruscas no preço, reflexo do sentimento mais cauteloso entre investidores.

No dia 23 de fevereiro, o Bitcoin caiu até a região de US$ 64.400 e ampliou o movimento negativo no setor. A retração ocorreu em meio à tensão provocada pelo anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o aumento das tarifas globais de importação para 15%, o que elevou temores de desaceleração econômica.

Tendência de preço do BTC no gráfico diário. Fonte: BTCUSD na TradingView

Medo cresce enquanto investidores buscam proteção

O sentimento do mercado enfraqueceu de forma consistente e refletiu a dificuldade do Bitcoin em sustentar níveis importantes de suporte. Além disso, dados do Google Trends mostraram aumento significativo no interesse por termos alarmistas, sinalizando maior preocupação com quedas abruptas.

Indicadores técnicos também reforçaram a cautela. O volume spot encolheu cerca de 59%, o que reduziu a liquidez e elevou a volatilidade. No mercado de derivativos, o open interest recuou para aproximadamente US$ 19,5 bilhões, quase metade do pico registrado em janeiro. Assim, a redução na exposição dos traders tornou o ambiente mais sensível a movimentos bruscos.

A análise gráfica apontou risco adicional caso o suporte próximo de US$ 64 mil fosse perdido. A média móvel de 20 dias, posicionada ao redor de US$ 68.278, e a banda inferior de Bollinger, perto de US$ 64.098, indicaram limitação de força compradora. Além disso, a concentração de posições alavancadas entre US$ 64.090 e US$ 64.536 poderia levar a liquidações em sequência.

Pressão macroeconômica intensifica volatilidade das criptos

O recuo mais recente não ocorreu apenas pela elevação das tarifas. Dados econômicos fracos nos EUA e expectativas de postura mais rígida do Banco do Japão contribuíram para o clima de incerteza. O fortalecimento do iene, por exemplo, levou grandes fundos a reduzir alavancagem.

A movimentação das grandes carteiras também afetou o mercado. Dados on-chain mostraram que investidores de grande porte enviaram quantidades relevantes de Bitcoin para exchanges, comportamento normalmente associado à intenção de venda. Além disso, a queda no volume spot reforçou o cenário de baixa liquidez.

Outros ativos acompanharam o movimento do Bitcoin. O Ethereum recuou cerca de 5%, enquanto altcoins relevantes registraram perdas entre 3% e 8%. O clima ficou ainda mais tenso após a venda de milhões de dólares em ETH por Vitalik Buterin, movimento que aumentou receios de pressão adicional no mercado.

Com esse contexto, analistas passaram a observar a região de US$ 60 mil como suporte crucial. No entanto, uma perda consistente desse nível poderia desencadear novas ondas de liquidações. Por outro lado, uma recuperação para a faixa média dos US$ 60 mil ajudaria a estabilizar o sentimento de curto prazo.

Portanto, a combinação entre tensões macroeconômicas, menor liquidez, aumento nas buscas sobre quedas e movimentações de grandes investidores ampliou a volatilidade recente. Assim, a atenção permanece voltada aos próximos suportes do Bitcoin e ao comportamento das mesas institucionais.