Bitcoin recua e liquidações passam de US$ 437 mi

O Bitcoin iniciou 2026 com forte instabilidade e voltou a cair abaixo dos US$ 90 mil, ampliando perdas no mercado de cripto. A queda removeu parte dos ganhos recentes e aumentou a pressão sobre posições alavancadas.

Dados do CoinGecko mostram que o Bitcoin recuou 2,4% nas últimas 24 horas, sendo negociado ao redor de US$ 89.881. Além disso, o valor total do mercado de cripto caiu 2,6%, após ter tocado US$ 3,305 trilhões no dia anterior. Esse movimento reforça a cautela crescente entre investidores desde o início da semana.

Segundo a plataforma CoinGlass, a queda do Bitcoin provocou mais de US$ 437 milhões em liquidações em apenas 24 horas. Mais de 90% dessas liquidações envolveram operações long, o que evidencia o excesso de confiança de traders que esperavam continuidade da alta observada na virada do ano.

Outras criptomoedas também acompanharam o movimento negativo. O Ethereum caiu 3,9%, enquanto o XRP perdeu 7,6%. Já Pepe e Bonk, duas memecoins que subiram com força na primeira semana de 2026, recuaram 6,6% e 8%, respectivamente. Assim, o sentimento de aversão ao risco ganhou força entre ativos de maior volatilidade.

Volatilidade aumenta com cautela global

Para Illia Otychenko, analista-chefe da CEX.IO, a perda dos US$ 90 mil mostra o enfraquecimento do impulso inicial de janeiro. Ele destacou ao Decrypt que aportes sazonais e notícias geopolíticas positivas contribuíram para o avanço, mas não foram suficientes para sustentar a trajetória de alta.

No entanto, outros especialistas apontam fatores adicionais. Wenny Cai, COO da SynFutures, afirmou que o mercado internacional adotou maior prudência, especialmente antes de indicadores econômicos importantes, como o próximo relatório de empregos dos Estados Unidos. Portanto, o ambiente mais defensivo limita o avanço de ativos considerados arriscados.

Cai explicou que essa postura mais contida também aparece nos intervalos estreitos de negociação do Bitcoin, que oscila próximo da parte baixa da faixa dos US$ 90 mil. A falta de força compradora torna quedas momentâneas mais intensas, ampliando movimentos negativos.

Saídas de ETFs e liquidez reduzida intensificam pressão

Entre os fatores que aumentaram o recuo, Otychenko destacou as novas retiradas nos ETFs de Bitcoin à vista dos EUA. Apenas em um dia, esses fundos registraram saídas de US$ 243 milhões, reduzindo a pressão compradora no curto prazo.

Cai concorda que os ETFs representam avanço estrutural, mas observou que seus fluxos recentes atuaram como freio para o preço. Além disso, ela ressaltou que a liquidez limitada no mercado torna oscilações mais bruscas em períodos de menor demanda.

Otychenko alertou que a baixa liquidez segue sendo ponto crítico no mercado de cripto. Assim, mesmo pequenas pressões de venda podem gerar forte volatilidade. Ele avalia que os dados de emprego dos EUA podem mudar o sentimento e influenciar os fluxos financeiros nos próximos dias.

Cai reforçou que as condições de liquidez estão mais apertadas do que em ciclos anteriores, o que potencializa quedas mesmo com demanda estrutural estável. Portanto, a combinação de fatores técnicos e macroeconômicos explica a intensidade da correção observada no Bitcoin e em outros ativos relevantes.

Com o rompimento do nível dos US$ 90 mil, o mercado vivenciou liquidações expressivas, saída de capital de ETFs e aumento da cautela global. Esses elementos, juntos, ajudam a entender o ajuste acentuado que marcou o início da segunda semana de 2026.