Bitcoin registra terceiro melhor agosto da história

O Bitcoin contrariou a fraqueza sazonal associada ao verão no Hemisfério Norte e avançou 25% em agosto de 2026. Com isso, a principal criptomoeda registrou seu terceiro melhor desempenho histórico para o mês. O resultado ficou atrás apenas das altas observadas em agosto de 2017 e de 2013.

André Dragosch, chefe de pesquisa para a Europa da Bitwise, destacou os dados em 1º de setembro. Segundo Dragosch, o Bitcoin não apresentou, até então, a habitual calmaria de verão observada em parte do mercado. Enquanto agosto de 2017 rendeu 65,6%, o mesmo mês de 2013 trouxe valorização de 30,7%.

Desempenho contraria a sazonalidade do Bitcoin

Em geral, análises históricas apontam retornos médios mais fracos entre junho e setembro, em comparação com o restante do ano. No entanto, agosto de 2026 destoou desse padrão ao registrar uma valorização mensal de 25%. Assim, o período entrou na lista dos melhores agostos da história do Bitcoin.

“Oficial: agosto de 2026 terminou e foi o terceiro melhor agosto da história do Bitcoin. Agosto de 2017: +65,6%. Agosto de 2013: +30,7%. Agosto de 2026: +25,0%. Não houve ‘calmaria de verão’ até agora.”

André Dragosch, no X

Durante a maior parte de junho e julho, a volatilidade do Bitcoin permaneceu particularmente baixa. Nesse período, a criptomoeda também ficou abaixo de US$ 65.000. Porém, esse cenário mudou em meados de agosto, quando o mercado ganhou força.

Recompras do Tesouro alteram o cenário

Em meados do mês, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que mais que dobraria o volume de recompras da dívida pública. Na ocasião, a medida respondeu à pressão observada nos mercados de renda fixa. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos alcançaram níveis não vistos em quase 20 anos.

Com as recompras, o Tesouro buscou aliviar as pressões sobre os títulos com vencimentos mais longos. Dessa forma, rendimentos menores nesses papéis reduzem o custo de oportunidade para manter instrumentos sem remuneração, como Bitcoin e ouro. Nesse ambiente, o apetite dos investidores por risco aumentou e favoreceu o mercado.

Projeto regulatório permanece no radar

Depois, notícias positivas no campo regulatório reforçaram o movimento. O presidente Donald Trump pediu aos parlamentares que aprovassem a aguardada Crypto Clarity Act. Por sua vez, a indústria de ativos digitais defende há anos regras claras para Bitcoin, stablecoins e outras criptomoedas.

Embora os parlamentares tenham adiado a votação, Trump classificou o texto como “muito poderoso”. A declaração ocorreu após uma reunião com líderes e executivos do setor de criptomoedas. Ainda assim, o adiamento manteve dúvidas sobre o cronograma da proposta, enquanto a legislação permaneceu no centro das atenções.

ETFs de Bitcoin recebem US$ 2,8 bilhões

Os investidores também retomaram as aplicações em ETFs de Bitcoin durante agosto. Ao todo, esses produtos receberam mais de US$ 2,8 bilhões, o maior volume desde outubro. Naquele mês, o Bitcoin havia alcançado uma nova máxima histórica.

Além disso, o ativo registrou sua melhor sequência em três anos. Após o avanço mensal, o Bitcoin acumulava valorização superior a 20% nos 30 dias anteriores. Os fluxos para os ETFs acompanharam a recuperação do preço e a melhora do sentimento no mercado.

Na semana anterior, o Bitcoin chegou a US$ 81.281 antes de recuar novamente na sexta-feira. Posteriormente, a cotação ficou em US$ 76.883, com queda de quase 3% em 24 horas. Ainda assim, o recuo ocorreu após o forte desempenho acumulado ao longo de agosto.