Bitcoin: saídas de ETFs sinalizam alta, diz Santiment

O Bitcoin registrou um movimento relevante no mercado institucional após os ETFs à vista acumularem saídas líquidas de US$ 297,3 milhões em 13 de abril. Ao mesmo tempo, o preço avançava em direção à faixa de US$ 75.000 a US$ 76.000, marcando o maior volume diário de retiradas desde 27 de março.

À primeira vista, o fluxo negativo pode sugerir fraqueza. No entanto, dados da Santiment indicam uma leitura diferente. Segundo a plataforma, episódios de saídas expressivas desses fundos frequentemente coincidem com momentos que o mercado interpreta como oportunidades de compra.

Leitura dos fluxos desafia consenso do mercado

A análise considera o comportamento dos fluxos de ETFs de Bitcoin ao longo dos últimos 18 meses. Nesse sentido, o padrão observado sugere que o posicionamento institucional nem sempre antecipa corretamente os movimentos de preço.

Por exemplo, em 10 de julho de 2025, entradas de US$ 1,18 bilhão ocorreram próximas a um topo relevante, seguidas por correção. Da mesma forma, em 6 de outubro de 2025, aportes de US$ 1,21 bilhão coincidiram com outro pico de mercado.

Além disso, em janeiro de 2026, entradas de US$ 840,6 milhões também antecederam um movimento de topo. Em contrapartida, períodos de saídas mais intensas têm sido associados a momentos de recuperação ou continuidade de alta.

Um exemplo citado ocorreu em 20 de novembro de 2025, quando saíram US$ 903,2 milhões dos ETFs, em um contexto que posteriormente favoreceu a valorização do ativo. Agora, em abril de 2026, o mercado observa novamente retiradas relevantes, o que reforça esse comportamento histórico.

Gráfico de fluxos de ETFs de Bitcoin

Fonte: Santiment / X

De acordo com a Santiment, esse comportamento funciona como um contra-sinal. Isso ocorre porque entradas expressivas tendem a surgir em momentos de euforia, enquanto saídas refletem cautela ou realização de lucros, o que pode abrir espaço para novas altas.

Preço mostra resiliência apesar das saídas

Mesmo com a pressão vendedora nos ETFs, o Bitcoin apresentou desempenho positivo recente. Na segunda-feira, o ativo subiu cerca de 5%, atingindo o maior nível em quatro semanas.

Assim, a demanda no mercado à vista parece ter absorvido as vendas institucionais. Como resultado, o preço manteve trajetória de alta, indicando presença consistente de compradores.

Analistas do setor avaliam que um rompimento sustentado acima dos US$ 75.000, acompanhado por aumento de volume, pode abrir espaço para a faixa entre US$ 80.000 e US$ 85.000 ainda neste mês.

Além disso, mesmo diante de incertezas geopolíticas no Oriente Médio, o mercado tem demonstrado resiliência. Nesse sentido, o cenário de curto prazo ainda sugere viés positivo, embora sujeito a volatilidade.

Estratégias institucionais ampliam exposição

Paralelamente, grandes instituições financeiras seguem explorando novas formas de exposição ao Bitcoin. O Goldman Sachs teria protocolado uma proposta de ETF com estrutura diferenciada, baseada na alocação em outros ETFs já existentes, como o IBIT, da BlackRock.

Além disso, o modelo incluiria o uso de derivativos, como opções. Embora isso implique custos adicionais, a estratégia pode ampliar o acesso institucional ao ativo por meio de estruturas indiretas.

Assim sendo, o movimento sugere diversificação nas abordagens institucionais. Enquanto algumas gestoras priorizam custódia direta, outras optam por soluções mais complexas, adaptadas a diferentes perfis de risco.

Perspectiva para o Bitcoin

Atualmente, o Bitcoin se aproxima da faixa de US$ 76.000, enquanto os fluxos negativos nos ETFs reforçam um padrão observado anteriormente.

Em outras palavras, os dados da Santiment indicam que retiradas de capital podem, em certos contextos, anteceder movimentos de valorização. Ao mesmo tempo, a sustentação do preço sugere que a demanda permanece ativa.

Como resultado, embora o fluxo institucional indique cautela, o comportamento do mercado segue apontando para possível continuidade da tendência de alta, especialmente se níveis de resistência forem superados.