Bitcoin se aproxima do breakeven de curto prazo
O Bitcoin avança em direção à faixa de US$ 79.000, enquanto o mercado busca estabilidade após semanas de forte pressão. O movimento ocorre de forma gradual, com compradores voltando a testar níveis decisivos.
Conforme análise do especialista on-chain Axel Adler, o ativo se aproxima de uma zona estrutural relevante. Esse ponto tende a definir se a recuperação atual é sustentável ou apenas um alívio temporário antes de nova correção.
Zona de equilíbrio dos investidores entra no radar
A leitura de Adler compara o preço atual com o custo médio dos holders de curto prazo, ou seja, investidores que compraram recentemente e costumam reagir mais rápido às oscilações.
Em outubro, o Bitcoin atingiu cerca de US$ 124.900, enquanto o custo médio desses investidores girava em torno de US$ 112.000. Na sequência, houve uma correção relevante, levando o preço a ficar aproximadamente 32% abaixo desse nível.
Agora, o cenário começa a mudar. O Bitcoin é negociado próximo de US$ 77.800, enquanto o custo médio está em US$ 82.200. Assim, a diferença caiu para cerca de US$ 4.400, aproximando o mercado do ponto de equilíbrio.

Fonte: CryptoQuant
Esse patamar é relevante porque, ao atingir US$ 82.200, muitos desses investidores retornam ao zero a zero. Historicamente, esse comportamento costuma gerar pressão vendedora, já que parte do mercado prefere sair ao recuperar o capital.
Reação do mercado pode definir tendência
Ainda que esse movimento nem sempre resulte em queda imediata, os holders de curto prazo influenciam diretamente a volatilidade. Portanto, essa faixa funciona como um teste decisivo para a continuidade da tendência.
Pressão vendedora diminui nas exchanges
Ao mesmo tempo, outro indicador analisado por Adler aponta para um cenário mais equilibrado. Trata-se do Exchange Inflow Spread, que mede a diferença entre entradas de stablecoins e de Bitcoin e Ethereum nas corretoras.
Em outubro, o indicador atingiu cerca de -US$ 21,3 bilhões, refletindo forte pressão vendedora. Desde então, houve melhora consistente. Atualmente, o nível está próximo de -US$ 6,6 bilhões.
Assim, a redução acumulada chega a US$ 14,7 bilhões. Isso indica que, embora ainda exista pressão de venda, ela perdeu força de maneira significativa.

Fonte: CryptoQuant
Na prática, ainda há mais entrada de Bitcoin e Ethereum nas exchanges do que de stablecoins. No entanto, esse desequilíbrio diminuiu de forma relevante, o que sugere maior capacidade do mercado em absorver vendas.
Equilíbrio entre risco e recuperação
Esse conjunto de dados desenha um cenário misto. Por um lado, o preço se aproxima de uma zona onde investidores podem vender. Por outro, a pressão vendedora perdeu intensidade. Dessa forma, a reação do mercado nesse nível tende a ser determinante.
Estrutura técnica reforça recuperação gradual
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin apresenta sinais de recuperação. O preço superou a resistência entre US$ 73.000 e US$ 74.000, que agora passa a atuar como suporte.

Fonte: TradingView
Além disso, o ativo recuperou a média móvel de 50 dias e tenta avançar em direção à média de 100 dias. Entretanto, a média de 200 dias ainda atua como resistência de longo prazo.
O movimento recente mostra altas controladas e formação de fundos ascendentes, o que sugere um processo de acumulação, e não um rali impulsivo.
Atualmente, a faixa entre US$ 78.500 e US$ 80.000 representa a principal resistência. Caso haja rejeição, o preço pode recuar para US$ 73.000. Por outro lado, um rompimento consistente pode abrir espaço para níveis acima de US$ 80.000.
Em conclusão, o Bitcoin apresenta melhora após um período de pressão intensa. Ainda assim, enfrenta um teste decisivo próximo ao ponto de equilíbrio dos investidores de curto prazo, enquanto a queda de US$ 14,7 bilhões na pressão vendedora ajuda a sustentar o cenário atual.