Bitcoin se destaca onde bancos falham, aponta Cornell

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O Bitcoin ganhou relevância em países com moedas instáveis, acesso bancário limitado ou controles monetários rígidos. Essa é uma das conclusões do Índice de Adoção de Bitcoin da Universidade Cornell. A pesquisa ouviu 25.880 pessoas em 25 países.

Embora muitos participantes conheçam pouco sobre o protocolo, o Bitcoin ajuda usuários a resolver problemas financeiros cotidianos. Entre eles estão a dificuldade de obter dólares, as falhas da infraestrutura bancária e a inflação. Portanto, em algumas economias, seu uso vai além da especulação.

Uso do Bitcoin cresce em economias instáveis

O estudo da Universidade Cornell apontou El Salvador, Venezuela e Nigéria entre os países com maior proporção de pessoas que já possuíram Bitcoin. Esses países não figuram entre os centros financeiros mais ricos do mundo. Em vez disso, enfrentam instabilidade monetária e dificuldades no acesso cotidiano a dólares ou serviços bancários confiáveis.

“Em cada um deles, o Bitcoin funciona menos como uma aposta especulativa e mais como uma solução prática.”

Ella Hough, associada de defesa do Bitcoin na Strategy, participou da pesquisa como pesquisadora júnior do Tech Policy Institute da Brooks School. Segundo Hough, as necessidades relacionadas ao Bitcoin variam conforme o país. Contudo, o protocolo funciona da mesma maneira independentemente da localização do usuário.

Onde as moedas nacionais são menos estáveis, as pessoas tendem a enxergar o Bitcoin como um instrumento de liberdade financeira. Essa percepção também ganha força em países com controles monetários mais rígidos. Assim, o contexto econômico influencia diretamente a forma como a população utiliza a tecnologia.

Conhecimento técnico ainda é limitado

A pesquisa também identificou limitações no conhecimento técnico dos participantes. Para a maioria, explicar os fundamentos do protocolo representou uma tarefa difícil. Além disso, 58% dos entrevistados disseram desconhecer o limite total de 21 milhões de unidades de Bitcoin.

Apesar dessa lacuna, os relatos reunidos pelo levantamento mostram aplicações concretas. Um venezuelano não identificado descreveu o Bitcoin como “mais rápido, mais limpo e muito menos arriscado” para obter dólares no país. Já um participante de El Salvador afirmou que, quando ninguém controla o Bitcoin, todos podem exercer controle sobre seus próprios recursos.

Usuários relatam aplicações na Venezuela e Nigéria

Na Nigéria, um entrevistado relatou que viajou por seis países africanos sem receio de perder acesso aos seus fundos em Bitcoin. O país também registrou alguns dos maiores volumes de transações do mundo. Nesse cenário, parte da população adotou a poupança em Bitcoin para enfrentar a forte desvalorização da naira.

Na Venezuela, a adoção começou a crescer antes do avanço observado em outros países. A hiperinflação prejudicou a economia, enquanto controles cambiais rigorosos dificultaram a obtenção de dólares. Por isso, alguns venezuelanos passaram a utilizar Bitcoin como alternativa aos canais financeiros tradicionais.

Em El Salvador, o governo adotou o Bitcoin como moeda de curso legal ao lado do dólar em 2021. O presidente Nayib Bukele reconheceu que convencer a população a utilizar a tecnologia foi difícil. Ainda assim, o governo salvadorenho afirma que continua comprando Bitcoin para suas reservas.

Levantamento reuniu participantes de 25 países

A Universidade Cornell realizou a pesquisa entre 16 de dezembro de 2024 e 10 de março de 2025. Ao todo, o levantamento reuniu 25.880 participantes e apresentou 125 perguntas individuais. Dessa forma, os pesquisadores compararam diferentes percepções e formas de uso do Bitcoin.

A Morning Consult conduziu o trabalho em parceria com o Tech Policy Institute da Jeb E. Brooks School of Public Policy. O Cornell Bitcoin Club, a Human Rights Foundation e a Reynolds Foundation também participaram da iniciativa. Com isso, o índice mostra como o Bitcoin pode atender a necessidades financeiras distintas conforme o contexto econômico local.

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