Bitcoin sinaliza fundo e CryptoQuant vê correlação com ouro
O Bitcoin emitiu dois sinais relevantes ao mercado nesta semana. Dados da blockchain indicam a possível formação de um fundo de ciclo. Ao mesmo tempo, o preço voltou a acompanhar o ouro com maior proximidade.
Dois relatórios da CryptoQuant apontam que o Bitcoin pode estar nos estágios iniciais desse processo. No entanto, os indicadores ainda não confirmam uma mínima definitiva.
Recentemente, o Bitcoin operava a US$ 63.362, com pouca variação em 24 horas. Na semana, o preço acumulava queda de quase 2%. Desde o recorde de US$ 126.080, alcançado em outubro, a perda se aproximava de 50%.
“O Bitcoin agora é negociado em sua zona de custo de produção, normalmente um sinal de fundo de mercado de baixa.”
Detentores de longo prazo acumulam perdas
O primeiro sinal vem do Net Unrealized Profit/Loss ajustado, conhecido pela sigla aNUPL. O indicador mede o lucro ou prejuízo líquido não realizado de determinados grupos de investidores.
Nesse caso, a análise considera os detentores de longo prazo. Esse grupo costuma demonstrar maior convicção e menor sensibilidade às oscilações de curto prazo.
Atualmente, o aNUPL desses investidores entrou em território negativo. Além disso, o indicador ficou abaixo da média observada no mercado mais amplo. Isso mostra que o grupo acumula perdas não realizadas proporcionalmente maiores.
O analista MorenoDV afirmou que essa configuração apareceu nos principais fundos de ciclos anteriores. Naqueles períodos, os detentores de longo prazo enfrentaram perdas mais profundas que o restante do mercado.
“Em cada grande fundo de ciclo, os detentores de longo prazo enfrentavam perdas não realizadas mais profundas do que o mercado em geral. Isso significa que o grupo normalmente associado à maior convicção e à menor sensibilidade à volatilidade carrega maior estresse não realizado que o mercado como um todo.”
“A estrutura atual se encaixa nesse padrão.”
Paralelamente, o Bitcoin opera cerca de 50% abaixo da máxima do ciclo. Dessa forma, a configuração pode representar um movimento mais amplo do que uma correção comum.
Indicador ainda não confirma uma mínima
Apesar do sinal, os analistas evitam afirmar que o Bitcoin já atingiu o fundo. Em ciclos anteriores, o aNUPL permaneceu negativo por mais tempo antes da formação da mínima.
Também houve perdas não realizadas mais profundas nesses períodos. Alguns analistas descrevem esses níveis extremos como território de depressão. Contudo, os dados atuais ainda não alcançaram essa intensidade.
Assim, o relatório considera a possibilidade de outra etapa de capitulação. Esse movimento levaria as perdas dos detentores de longo prazo para níveis próximos dos extremos históricos.
Por outro lado, uma demanda institucional mais forte pode alterar esse padrão. Uma base de investidores mais resiliente também permitiria um fundo com perdas menores que as registradas em ciclos passados.
Correlação entre Bitcoin e ouro volta a subir
O segundo sinal envolve a correlação de 90 dias entre Bitcoin e ouro. O indicador passou de quase -0,9 no início de 2026 para cerca de +0,7.
Ki Young Ju, CEO da CryptoQuant, classificou a mudança como um retorno aos níveis da era do ouro digital. Nesse contexto, investidores voltariam a precificar o Bitcoin como um bem escasso e não soberano.
Essa leitura associa o Bitcoin à proteção contra a desvalorização de moedas, o estresse fiscal e a incerteza geopolítica. O ouro tradicionalmente exerce função semelhante nos mercados globais.
Há anos, investidores classificam o Bitcoin como ouro digital e reserva de valor de longo prazo. Em determinados períodos, os dois mercados realmente apresentaram movimentos correlacionados.
Entretanto, o comportamento do Bitcoin continua dividido. Em alguns momentos, ele acompanha o Nasdaq e responde como um investimento de risco sensível à liquidez.
Em contraste, o preço pode seguir o ouro durante períodos marcados pela busca por escassez e proteção. Ainda assim, a volatilidade do Bitcoin permanece muito superior à do metal precioso.
Os analistas recomendam cautela na interpretação dessa mudança. Uma correlação positiva não representa, isoladamente, um sinal de alta. Afinal, Bitcoin e ouro podem avançar ou recuar ao mesmo tempo.