Bitcoin sinaliza possível novo ciclo de alta de quatro anos
O Bitcoin avançou 1,55% na quinta-feira, 27 de agosto, e passou de US$ 79.023 para US$ 80.249. Com isso, o movimento provocou US$ 68,95 milhões em liquidações de posições vendidas. Enquanto isso, as liquidações de posições compradas somaram US$ 32,65 milhões.
Desde 17 de agosto, todos os pregões dos ETFs à vista de Bitcoin haviam registrado entradas líquidas. Porém, a sequência terminou na quinta-feira, quando as saídas diárias atingiram US$ 35,3 milhões. Os dados são da Farside Investors.
Ainda assim, agosto apresentou um desempenho notavelmente altista para o mercado cripto. Setembro, por outro lado, costuma ser historicamente o mês mais baixista para o Bitcoin. Ao mesmo tempo, a pressão vendedora decorrente da realização de lucros perdeu força, enquanto o sentimento de ganância continuou predominante.
Indicadores apontam transição para um mercado de alta
A relação entre a oferta de Bitcoin em lucro e a oferta em prejuízo mudou de forma expressiva nos últimos dez dias. De acordo com o analista Crypto Dan, os indicadores costumam se cruzar perto do fim dos mercados de baixa. Portanto, o comportamento recente pode representar uma mudança relevante na estrutura do mercado.

O gráfico mostra que as métricas se cruzaram nas últimas semanas. Além disso, o movimento se assemelha ao observado perto do encerramento do mercado de baixa anterior. Agora, os indicadores voltaram a se afastar conforme o preço se recupera.
Historicamente, a divergência entre a oferta em lucro e em prejuízo acompanha o começo de mercados de alta. Dessa forma, o novo afastamento pode preservar o tradicional ciclo de mercado de quatro anos. Contudo, o cruzamento isolado ainda não confirma a sustentação de um novo regime de preços.
Lucros realizados voltam a superar as perdas
A média móvel de 90 dias da relação entre lucros e prejuízos realizados do Bitcoin alcançou 1,003. Uma leitura acima de 1 indica que os investidores realizam mais lucros do que perdas. Assim, o indicador voltou ao campo positivo após a recente valorização.

Durante a maior parte de agosto, a métrica permaneceu abaixo de 1. Depois, o indicador mudou de direção em resposta à recuperação do preço. A média trimestral passou, então, a mostrar lucros realizados superiores às perdas.
Esse resultado ainda não representa uma mudança forte para um regime altista. Mesmo assim, ele marca o início de um movimento que precisa continuar. A permanência acima de 1 reforçaria a hipótese de reversão da tendência.
Recuperação reduz o estresse entre os detentores
O indicador de perda líquida não realizada mede as perdas ainda não concretizadas como parcela da capitalização de mercado. Quanto maior a leitura, mais intenso tende a ser o estresse financeiro dos detentores. Nesse cenário, a queda recente da métrica representa uma melhora nas condições do mercado.

A métrica atingiu uma máxima local de 25,2% no fim de junho. Em seguida, recuou para 18,57% em 16 de agosto. Nos últimos dias, a taxa caiu novamente e chegou a 7,35% no momento da publicação.
Logo, o estresse do mercado já não se aproxima dos níveis associados à capitulação. Para Axel Adler Jr., a recuperação do Bitcoin eliminou grande parte da pressão financeira acumulada pelos detentores durante o verão no Hemisfério Norte. Agora, os lucros realizados precisam crescer enquanto as perdas não realizadas continuam recuando.
Caso esse movimento persista sem uma venda intensa, os dados indicarão a formação de um regime altista. Porém, os indicadores ainda precisam confirmar a continuidade da tendência. A sustentabilidade dos ganhos permanece como o principal fator para validar a reversão e o possível início de outro ciclo.