Bitcoin sobe 20%, mas ainda busca novos compradores
O Bitcoin subiu mais de 20% em uma semana, enquanto o sentimento do mercado passou do medo à ganância. Mesmo assim, as buscas por “comprar Bitcoin” no Google permaneceram próximas do menor nível em um ano.
Essa divergência revela uma alta de preço ainda sem ampla atenção do público. Portanto, a questão central envolve tanto o valor do Bitcoin quanto a fase psicológica atravessada pelo mercado.
O gráfico “Psychology of a Market Cycle”, da Wall St. Cheat Sheet, organiza as emoções dos investidores durante diferentes etapas. O ciclo começa na descrença, passa pela euforia e retorna por fases de pânico, capitulação e depressão.

O modelo também mostra uma inversão desconfortável. Perto do topo, quando o risco financeiro aumenta, os investidores costumam perceber menos perigo. Já nos fundos, o medo atinge níveis elevados justamente quando novas oportunidades começam a surgir.
Liquidações de vendidos impulsionam o Bitcoin
O Bitcoin saiu da faixa de US$ 64 mil em meados de agosto e atingiu US$ 79,5 mil em 21 de agosto. Com isso, alcançou seu maior nível desde maio.
Depois do avanço, o Bitcoin se manteve acima de US$ 77 mil. O movimento também rompeu o intervalo entre US$ 62 mil e US$ 67 mil, que limitava as cotações desde 8 de julho.
Apesar do salto, o Bitcoin ainda estava cerca de 38% abaixo do recorde histórico de US$ 126.198. A máxima ocorreu em 6 de outubro de 2025.
A estrutura do movimento ajuda a explicar a velocidade da valorização. Dados da CoinDesk, baseados em informações da CoinGlass, apontaram cerca de US$ 3 bilhões em liquidações entre 19 e 20 de agosto.
As posições vendidas representaram aproximadamente 90% do total liquidado em 24 horas. Assim, operadores que apostavam na queda precisaram recomprar Bitcoin para encerrar suas operações com prejuízo.
Essa compra forçada elevou o preço e desencadeou novas liquidações. Consequentemente, a alta ganhou força sem depender, na mesma proporção, da entrada espontânea de compradores.
Varejo ainda não acompanha a valorização
A Bloomberg observou que o interesse aberto apresentou apenas uma recuperação limitada após o movimento. Dessa forma, o avanço pareceu depender mais da cobertura de posições vendidas do que de uma nova onda de demanda.
O Índice de Medo e Ganância também avançou rapidamente. Há um mês, o indicador marcava 25 pontos, enquanto uma semana antes estava próximo de 29.
Em poucos dias, o índice entrou na zona de ganância e superou 70 pontos. Contudo, metade de sua composição depende de volatilidade e momentum, fatores que respondem diretamente às oscilações do preço.
Enquanto isso, o investidor de varejo permaneceu distante. O interesse de busca por “Bitcoin” no Google caiu, no início de agosto, ao menor patamar em quase cinco anos.
As consultas por “comprar Bitcoin” também continuaram próximas do menor nível em 12 meses. Isso ocorreu mesmo com a cotação oscilando entre US$ 74 mil e US$ 80 mil.
Nos ciclos de 2017 e 2021, movimentos semelhantes atraíram uma forte atenção pública. Desta vez, porém, parte do público manteve o foco em ações ligadas à inteligência artificial.
Um avanço sem febre compradora não caracteriza euforia. Em vez disso, sugere que muitos participantes ainda interpretam o cenário atual com as emoções negativas da fase anterior.
ETFs spot voltam a receber recursos
Além do preço, indicadores estruturais apontaram uma possível transição, mas ainda sem convicção ampla. Os ETFs spot de Bitcoin voltaram a receber recursos na semana encerrada em 21 de agosto.
As entradas chegaram a aproximadamente US$ 1,91 bilhão no período. Na quinta-feira, os fundos registraram US$ 606 milhões, o maior fluxo diário desde o início de maio.
O resultado reverteu as retiradas da semana anterior. Entretanto, ocorreu depois de um primeiro semestre com US$ 5,4 bilhões em saídas líquidas, o primeiro saldo negativo desde o lançamento dos fundos, em janeiro de 2024.
Na blockchain, também surgiram sinais de capitulação. Durante junho, holders de longo prazo realizaram perdas de bilhões de dólares. Nos meses seguintes, por outro lado, o mercado apresentou sinais de acumulação.
Em meados de agosto, a VanEck ainda identificava oito dos 12 sinais de capitulação ativos. Ao mesmo tempo, os detentores de curto prazo sustentavam uma perda média próxima de 6%.
O custo de entrada desses investidores estava entre US$ 67 mil e US$ 68 mil. Logo, ao superar US$ 79 mil, o Bitcoin devolveu os compradores recentes à zona de lucro pela primeira vez em semanas.
Mercado oscila entre descrença e esperança
Nenhum rótulo define completamente o momento atual. O preço e o termômetro emocional avançaram juntos, mas a convicção dos investidores ficou para trás.
A valorização ganhou impulso quando posições vendidas foram encerradas à força. Paralelamente, o varejo permaneceu ausente, enquanto os ETFs ainda carregavam as perdas acumuladas no primeiro semestre.
O cenário, portanto, permanece entre a descrença e a esperança. A recuperação já começou, embora muitos participantes ainda interpretem o movimento como outro rebote sujeito a perder força.
Mudanças de fase costumam parecer evidentes apenas em retrospecto. Neste caso, a entrada ou a ausência de compradores reais deverá determinar se a alta encontrará sustentação.