Bitcoin sobe 8 por cento após queda a US$ 60 mil
O Bitcoin registrou forte oscilação ao tocar US$ 60.001, menor nível em mais de um ano, antes de subir cerca de 8 por cento e alcançar novamente a faixa de US$ 64.670. A recuperação ocorre em meio à pressão de venda de grandes carteiras, que retiraram mais de 81 mil BTC em oito dias, reduzindo sua participação ao menor patamar em nove meses.
Venda de grandes carteiras amplia tensão no mercado
Dados da Santiment, mencionados em relatório da TradingView, apontam que carteiras classificadas como baleias e tubarões, com posições entre 10 e 10.000 BTC, reduziram sua fatia da oferta total para 68,04 por cento. Esse nível não era registrado desde maio de 2025.
Além disso, o descarregamento de 81.068 BTC coincidiu com a queda do Bitcoin de US$ 90 mil para US$ 65 mil, retração que chegou a 27 por cento. O movimento sugere expectativa de que o pico recente tenha sido atingido, reforçando uma leitura de mercado defensiva.
No entanto, pequenas carteiras seguem acumulando. As chamadas shrimp wallets, com menos de 0,1 BTC, atingiram o maior volume em 20 meses, somando cerca de 52.290 BTC. Historicamente, momentos em que baleias reduzem posição enquanto pequenos investidores compram costumam sinalizar ciclos de baixa mais longos.
Saída de capital institucional pesa no curto prazo

BTC Netflows (Fonte: Coinglass)
Informações do Coinglass mostram saídas de US$ 91,36 milhões de produtos spot de Bitcoin apenas em 6 de fevereiro. Somando os últimos três dias, os resgates se aproximam de US$ 2 bilhões, reforçando a retirada acelerada de capital institucional.
Segundo analistas do Deutsche Bank, o fluxo negativo parte principalmente de grandes ETFs, que agora atravessam um dos períodos mais intensos de distribuição desde o lançamento desses produtos. Portanto, o comportamento aumenta a percepção de capitulação entre investidores maiores.
Com a demanda limitada mesmo na região de US$ 60 mil, cresce a preocupação sobre a ausência de um ponto de absorção confiável para a pressão vendedora.
Gráficos indicam níveis críticos e maior cautela

BTC Price Dynamics (Fonte: TradingView)
No gráfico diário, o Bitcoin perdeu suportes importantes, como a região de US$ 77.950 e o patamar horizontal de US$ 76 mil. O preço também opera abaixo das médias móveis exponenciais de 20, 50, 100 e 200 dias.
Assim, caso o nível de US$ 60 mil seja rompido, o próximo suporte relevante aparece em torno de US$ 54.469, área testada durante a consolidação do verão de 2024.
O Índice de Medo e Ganância caiu para 9 pontos, menor nível desde 2022. Embora indique aversão ao risco, leituras tão baixas às vezes antecedem movimentos de alívio. Além disso, tensões políticas nos EUA fortalecem a busca por ativos tradicionais de proteção, como ouro e prata, que renovam máximas.
Curto prazo tenta mostrar respiro moderado

BTC Price Action (Fonte: TradingView)
No gráfico de 30 minutos, o Bitcoin ainda opera abaixo de uma linha de tendência descendente iniciada em 3 de fevereiro. O RSI se mantém em 46,47 e o MACD mostra leve melhora, sugerindo possível tentativa de estabilização.
A alta de 7,8 por cento exige que o preço permaneça acima de US$ 63 mil para manter chance de continuidade. Caso contrário, o ativo pode revisitar a área de US$ 60 mil.
A soma entre vendas de grandes carteiras, resgates de ETFs e perda de suportes reforça a cautela. Assim, o contexto explica a volatilidade recente e destaca o momento sensível do mercado.